O sistema político brasileiro caracteriza‑se por um multipartidarismo intenso, no qual alianças eleitorais são mecanismos centrais para a agregação de forças políticas em torno de candidaturas presidenciais. As eleições de 2026 apresentam um ambiente de articulação entre partidos de diferentes espectros ideológicos para formar frentes amplas, federações partidárias e coligações eleitorais. Este artigo utiliza o arcabouço jurídico‑institucional brasileiro e referências da ciência política para discutir as possíveis configurações desses pactos eleitorais e suas implicações para a governabilidade e a representação.
1. Introdução: multipartidarismo e alianças no Brasil
O presidencialismo de coalizão brasileiro emerge historicamente da necessidade de partidos agregarem apoio legislativo consistente para governabilidade em contextos de fragmentação partidária.
Pesquisas em ciência política destacam a complexidade das redes partidárias e as alianças como elementos estruturantes do regime representativo brasileiro, influenciando desde a formação de governos até o comportamento legislativo dos parlamentares (Brito et al., 2019).
A legislação eleitoral brasileira passou por reformas recentes que trouxeram novos instrumentos de aliança, como as federações partidárias, além das tradicionais coligações eleitorais.
O cenário político brasileiro de 2026 apresenta uma complexidade multipartidária significativa, na qual diferentes pré-candidatos à Presidência da República articulam suas bases eleitorais por meio de partidos, federações e coligações, buscando consolidar influência em nível nacional, estadual e municipal. Os partidos de esquerda radical, como o Partido da Causa Operária (PCO – 29), o Partido Comunista Brasileiro (PCB – 21), a Unidade Popular (UP – 80) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU – 16), optam por candidaturas próprias e independentes, mantendo postura crítica em relação a alianças amplas, com foco na defesa de políticas anti-capitalistas, nacionalização de setores estratégicos, reforma agrária e ampliação dos direitos trabalhistas.
Já o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL – 50), embora mantenha candidaturas próprias, atua de forma estratégica em apoio parcial a frentes de esquerda, especialmente em regiões metropolitanas, defendendo justiça social, direitos humanos e sustentabilidade ambiental.
A Frente Lula, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT – 13), articula uma ampla coalizão conhecida como Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB (65), PSB (40), PV (43), Rede Sustentabilidade (18), PSOL (50) de forma parcial e estratégica, e Cidadania (23), buscando reduzir desigualdades sociais, ampliar programas públicos de transferência de renda, fortalecer sindicatos e garantir políticas de educação e saúde.
Essa frente ampla permite o controle estratégico de governos estaduais e prefeituras, além de fortalecer a presença territorial do partido. Em paralelo, a candidatura de Ciro Gomes (PDT – 12) representa a centro-esquerda alternativa, com apoio do PDT, PSB, PV, Rede e PSOL parcial, defendendo políticas econômicas moderadas, desenvolvimento industrial, geração de empregos e equilíbrio entre Estado e mercado, mantendo coligações regionais pragmáticas em eleições estaduais e municipais.
No campo do centro-liberal e direita moderada, Romeu Zema (NOVO – 30) articula alianças com PSDB (45), Cidadania (23), PSD (55), PP (11), Podemos (20) e partidos menores como Patriota (51), Avante (70) e PMN (33), priorizando liberalismo econômico, redução do tamanho do Estado, incentivo à iniciativa privada e desburocratização.
Ratinho Júnior (PSD – 55) segue estratégia similar, consolidando alianças com PP, PL (22), Cidadania e Podemos, buscando governabilidade e presença eleitoral regional.
A direita conservadora, representada por Tarcísio de Freitas (Republicanos – 10), concentra esforços em segurança pública, defesa de valores tradicionais e coligações com PL, PP e PSD, incluindo partidos menores, buscando hegemonia regional e fortalecimento legislativo local.
Já a ultra-direita, liderada por Flávio Bolsonaro (PL – 22), articula apoio de PL, PP, Republicanos, PSD de forma estratégica, PTB (28) e partidos menores, defendendo conservadorismo social, nacionalismo econômico moderado e segurança, com forte base evangélica e controle de prefeituras e assembleias.
As divergências entre esquerda e direita em 2026 se concentram principalmente na intervenção do Estado na economia, políticas sociais, segurança, meio ambiente e valores culturais.
Enquanto a esquerda prioriza a ampliação do papel do Estado, redistribuição de renda, programas sociais universais, direitos trabalhistas e políticas de inclusão social, a direita valoriza liberalismo econômico, menor intervenção estatal, meritocracia, valores tradicionais e segurança pública reforçada.
As convergências se dão em contextos estratégicos, como a formação de frentes amplas, alianças regionais e pragmatismo eleitoral para fortalecimento legislativo e governabilidade, demonstrando a flexibilidade do sistema multipartidário brasileiro.
As federações partidárias garantem unidade legislativa por quatro anos, enquanto as coligações oferecem flexibilidade em nível estadual e municipal, permitindo que partidos de ideologias distintas atuem conjuntamente em regiões estratégicas.
A análise das bandeiras de luta evidencia que a esquerda radical busca transformação social profunda, a social-democracia alternativa prioriza justiça social e sustentabilidade, a esquerda liberal centra-se em redução de desigualdades por meio de políticas públicas, a centro-esquerda alternativa equilibra crescimento econômico e políticas progressistas, o centro-liberal promove liberalismo econômico e eficiência estatal, a direita conservadora foca em valores tradicionais e segurança, e a ultra-direita enfatiza nacionalismo, conservadorismo social e defesa de bases eleitorais estratégicas.
Nesse contexto, os partidos políticos brasileiros, apesar das divergências ideológicas, estabelecem convergências pragmáticas em prol de alianças eleitorais que definem não apenas a eleição presidencial, mas também a ocupação de governos estaduais, prefeituras e assembleias legislativas, refletindo a complexidade do sistema político nacional em 2026.
2. Direito eleitoral comparado: federações partidárias versus coligações
2.1 Federações partidárias
As federações partidárias foram introduzidas pela Lei nº 14.208/2021 e regulamentadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Diferentemente das coligações, as federações exigem que dois ou mais partidos atuem como um só bloco por, no mínimo, quatro anos, inclusive após o pleito — ou seja, durante todo o mandato eletivo. Operam, na prática, como uma única legenda perante o sistema eleitoral, inclusive nas eleições proporcionais.
O TSE registra federações como a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), a Federação PSDB Cidadania e a Federação PSOL REDE (PSOL e Rede), todas com validade até 2026. Essas federações são blocos institucionais que transcendem as eleições majoritárias para abarcar disputas proporcionais (deputados e vereadores), promovendo coesão interna e centralização de comando unificado.
2.2 Coligações eleitorais
As coligações eleitorais são pactos temporários entre partidos para apoiar candidaturas em eleições majoritárias (Presidente, Governador, Senador, Prefeito). Desde 2017, coligações não são mais permitidas nas eleições proporcionais, mas continuam válidas para eleições majoritárias. Diferem das federações por sua natureza exclusivamente eleitoral — extinguem‑se automaticamente ao final do pleito.
3. Estrutura de alianças para as eleições presidenciais de 2026
3.1 Frente ampla de esquerda: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A base principal da frente de esquerda é a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV), bloco com orientação social‑democrata e ambientalista, consolidado para atuar tanto em eleições majoritárias quanto proporcionais.
A frente ampla de Lula pode expandir‑se por meio de coligações eleitorais com outros partidos de centro‑esquerda, como PSB e, potencialmente, partidos ambientalistas ou de esquerda moderada. Essas alianças não obrigam a integração a federações formais, mas ampliam a base de apoio para a disputa presidencial.
3.2 Variações de frentes no espectro político
Em contrapartida, atores do campo centro‑direita e de direita podem compor alianças por meio de coligações presidenciais envolvendo partidos como PL, PP, Republicanos, PSD e outras legendas menores. Essas frentes tendem a ser construídas de forma pragmática e eleitoralmente orientada.
Ao contrário das federações da esquerda, estas coligações não implicariam em compromisso institucional duradouro além do pleito de 2026, mas podem formar blocos relevantes para maximização de tempo de propaganda, acesso a fundos de campanha e capilaridade eleitoral.
4. Implicações institucionais e estratégicas
4.1 Governabilidade e representação
A manutenção de federações partidárias representa uma tendência ao reforço de blocos ideológicos mais coesos e estáveis ao longo do tempo, reduzindo a volatilidade de alianças pós‑eleitorais. Este fenômeno pode favorecer maior previsibilidade no comportamento legislativo e, em tese, maior coerência programática entre os partidos federados.
4.2 Estratégias eleitorais
Partidos que formam federações podem optar por coligar‑se com outras legendas para disputar a Presidência, ampliando politicamente uma frente sem romper a federação.
Esse duplo mecanismo (federação + coligação) permite combinações estratégicas de longo prazo (para legislativo) e de curto prazo (para executivos), ampliando a flexibilidade tática durante o ciclo eleitoral.
5. Partidos e apoios aos pré-candidatos à Presidência em 2026
O cenário eleitoral brasileiro para 2026 apresenta uma configuração multipartidária complexa, na qual diferentes partidos articulam apoio a pré-candidatos à Presidência por meio de frentes amplas, federações partidárias e coligações eleitorais. No campo da esquerda e centro-esquerda, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva é sustentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que constitui o núcleo central da frente ampla. Esta frente é formalizada na Federação Brasil da Esperança, composta pelo PT, PCdoB e PV, bloco que atua como unidade eleitoral e legislativa para eleições proporcionais e majoritárias.
A frente de Lula pode ser ampliada com a formação de coligações estratégicas envolvendo PSOL, Rede Sustentabilidade, PSB e, eventualmente, partidos de centro como o Cidadania, além de apoios simbólicos de pequenos partidos regionais e de esquerda mais radical, como PCO e Unidade Popular (UP). Essa articulação tem como objetivo consolidar uma base ampla, capaz de maximizar votos em âmbito nacional e regional, garantindo coesão ideológica e vantagem competitiva frente aos candidatos de direita.
No espectro da direita e conservadorismo, Flávio Bolsonaro, pelo Partido Liberal (PL), articula sua frente em torno de partidos alinhados ideologicamente, como PP e Republicanos, além de possíveis apoios do PSD, PTB e legendas menores como Patriota, Avante e PMN. Essa frente tem caráter majoritariamente eleitoral, com foco na construção de coligações estratégicas para ampliar tempo de propaganda, capilaridade regional e presença em estados estratégicos, sem necessariamente consolidar federações de longo prazo.
Romeu Zema, do Partido Novo (NOVO), representa o campo centro-liberal, priorizando alianças com partidos de perfil liberal e de centro, como PSDB, Cidadania, PSD, PP e, em menor grau, Podemos e partidos menores. A frente de Zema tem caráter pragmático e busca consolidar a identidade liberal, mantendo a independência política do NOVO, ao mesmo tempo em que amplia sua base eleitoral por meio de coligações e apoios estratégicos regionais.
Outros pré-candidatos, como Renan Santos (Partido da Missão – MIS), focam em alianças de base conservadora e religiosa, com possíveis apoios do Republicanos, PL, PTB e partidos menores, compondo uma frente restrita e estratégica. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Júnior (PSD) articulam alianças pragmáticas de centro-direita, envolvendo PL, PP e partidos menores para consolidar base eleitoral e ampliar presença regional. Já Ciro Gomes (PDT) representa uma frente de centro-esquerda alternativa, buscando o apoio de PSB, Rede, PV e eventualmente PSOL, formando um bloco plural de esquerda moderada para maximizar alcance eleitoral.
Dessa forma, o sistema eleitoral de 2026 evidencia a importância de federações e coligações como instrumentos estratégicos para a agregação de forças políticas em torno de candidaturas presidenciais.
Enquanto as federações garantem unidade legislativa e estabilidade de blocos partidários por quatro anos, as coligações permitem flexibilidade eleitoral, reunindo partidos de diferentes espectros ideológicos em torno de um mesmo candidato.
O estudo dessas articulações revela não apenas a dinâmica do multipartidarismo brasileiro, mas também as estratégias de construção de frentes amplas capazes de equilibrar coesão ideológica e viabilidade eleitoral.
5.1 Pré-candidatos à Presidência 2026 e seus apoios partidários
5.1.1 Esquerda Radical
Candidatos:
PCO – Partido da Causa Operária (29) – Apoio próprio
PCB – Partido Comunista Brasileiro (21) – Apoio próprio
UP – Unidade Popular (80) – Apoio próprio
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (16) – Apoio próprio
2. Social Democrático / Esquerda Alternativa flexibilidade com esquerda liberal
PSOL – Partido Socialismo e Liberdade (50) – Apoio próprio, também pode apoiar frentes de esquerda em alianças estratégicas
5.1.3 . Esquerda Liberal / Frente Lula
Luiz Inácio Lula da Silva – PT (13) – Apoio de:
PT (13)
PCdoB (65)
PSB (40)
PV (43)
Rede Sustentabilidade (18)
PSOL (50) – Apoio parcial estratégico
Cidadania (23) – Apoio em coligação
5.1.4. Centro-Esquerda Alternativo flexibilidade com direita
Ciro Gomes – PDT (12) – Apoio de:
PDT (12)
PSB (40)
PV (43)
Rede (18)
PSOL (50) – Apoio parcial estratégico
5..1.5 Centro-Liberal / Direita Moderada
Romeu Zema – NOVO (30) – Apoio de:
NOVO (30)
PSDB (45)
Cidadania (23)
PSD (55)
PP (11)
Podemos (20)
Partidos menores: Patriota (51), Avante (70), PMN (33)
Ratinho Júnior – PSD (55) – Apoio de:
PSD (55)
PP (11)
PL (22)
Cidadania (23)
Podemos (20)
6. Direita Conservadora
Tarcísio de Freitas – Republicanos (10) – Apoio de:
Republicanos (10)
PL (22)
PSD (55)
PP (11)
Partidos menores: Patriota (51), Avante (70), PMN (33)
7. Ultra-Direita fundamentalista
Flávio Bolsonaro – PL (22) – Apoio de:
PL (22)
PP (11)
Republicanos (10)
PSD (55) – Apoio estratégico
PTB (28)
Partidos menores: Patriota (51), Avante (70), PMN (33).
6 Bandeiras de luta e ideologias dos pré-candidatos à Presidência 2026
1. Esquerda Radical
Partidos: PCO, PCB, UP, PSTU
Ideologia: Marxismo, socialismo revolucionário, anti-capitalismo
Bandeiras de luta:
Nacionalização de setores estratégicos da economia
Reforma agrária ampla e redistribuição de renda
Fim da política neoliberal e privatizações
Ampliação de direitos trabalhistas e sociais
Combate à exploração econômica e social
Eleição estadual e municipal:
Apoio a candidaturas locais alinhadas à esquerda radical
Manutenção da independência de frentes amplas, foco em mobilização social
2. Social Democrático / Esquerda Alternativa
Partido: PSOL
Ideologia: Socialismo democrático, progressismo, justiça social
Bandeiras de luta:
Direitos humanos e igualdade social
Justiça ambiental e sustentabilidade
Reforma política e combate à corrupção
Expansão de políticas públicas progressistas
Eleição estadual e municipal:
Coligações estratégicas com partidos de esquerda moderada
Expansão em grandes centros urbanos e capitais
3. Esquerda Liberal / Frente Lula
Candidato: Luiz Inácio Lula da Silva – PT
Partidos aliados: PT, PCdoB, PSB, PV, Rede, PSOL (parcial), Cidadania
Ideologia: Social-democracia, centro-esquerda liberal
Bandeiras de luta:
Redução da desigualdade social e combate à pobreza
Expansão de programas sociais (Bolsa Família, educação, saúde)
Desenvolvimento econômico com justiça social
Direitos trabalhistas e fortalecimento de sindicatos
Eleição estadual e municipal:
Amplas coligações de centro-esquerda
Controle de prefeituras estratégicas e governos estaduais aliados
Presença territorial organizada e integração de políticas públicas
4. Centro-Esquerda Alternativo
Candidato: Ciro Gomes – PDT
Ideologia: Centro-esquerda moderada, social-democracia alternativa
Bandeiras de luta:
Reforma tributária e desenvolvimento econômico sustentável
Fortalecimento da indústria nacional e empregos
Políticas progressistas em educação e saúde
Equilíbrio entre mercado e Estado
Eleição estadual e municipal:
Coligações regionais pragmáticas
Expansão do PDT em capitais e grandes centros urbanos
5. Centro-Liberal / Direita Moderada
Candidato: Romeu Zema – NOVO
Ideologia: Liberalismo econômico, centro-liberal
Bandeiras de luta:
Privatizações e desburocratização
Redução do tamanho do Estado e carga tributária
Incentivo à iniciativa privada e empreendedorismo
Políticas públicas eficientes e meritocráticas
Candidato: Ratinho Júnior – PSD
Ideologia: Centro-direita pragmática
Bandeiras de luta:
Governabilidade e desenvolvimento regional
Segurança pública e infraestrutura
Apoio a políticas econômicas liberais moderadas
Eleição estadual e municipal:
Coligações pragmáticas, foco em governabilidade e influência local
6. Direita Conservadora
Candidato: Tarcísio de Freitas – Republicanos
Ideologia: Conservadorismo social, centro-direita
Bandeiras de luta:
Segurança pública e combate à criminalidade
Valorização de família e educação tradicional
Infraestrutura e desenvolvimento regional
Apoio a setores econômicos estratégicos
Eleição estadual e municipal:
Coligações conservadoras e pragmáticas para governabilidade local
Controle estratégico de prefeituras e assembleias
7. Ultra-Direita fundamentalista
Candidato: Flávio Bolsonaro – PL
Ideologia: Conservadorismo radical, liberalismo econômico seletivo
Bandeiras de luta:
Segurança e lei e ordem
Defesa de valores tradicionais e família
Redução do Estado e incentivo à iniciativa privada
Nacionalismo econômico moderado
Eleição estadual e municipal:
Base de apoio evangélica e conservadora
Coligações pragmáticas para consolidar prefeituras e legislativos.
7 Principais divergências entre esquerda e direita – Eleições 2026
1. Ideologia Econômica
Esquerda:
Defende maior intervenção do Estado na economia, políticas de redistribuição de renda e ampliação de programas sociais.
Incentivo a políticas públicas para reduzir desigualdades regionais e sociais.
Controle ou regulação mais forte de setores estratégicos (energia, bancos, infraestrutura).
Direita:
Valoriza liberalismo econômico e livre mercado, redução da carga tributária e incentivo à iniciativa privada.
Privatizações e desburocratização como ferramentas de crescimento econômico.
Menor intervenção estatal na economia, foco em eficiência e competitividade.
2. Política Social
Esquerda:
Ampliação de direitos trabalhistas, sociais e civis.
Políticas de inclusão social, como educação, saúde pública, habitação e programas de transferência de renda.
Defesa de pautas progressistas (igualdade de gênero, diversidade, minorias étnicas).
Direita:
Ênfase em valores tradicionais, família e segurança.
Programas sociais mais seletivos, ligados a meritocracia ou vinculação a emprego.
Resistência a mudanças rápidas em políticas culturais ou sociais progressistas.
3. Segurança e Justiça
Esquerda:
Foco em políticas preventivas, direitos humanos e reforma policial.
Criminalidade abordada com políticas sociais complementares e combate à desigualdade.
Direita:
Ênfase em lei e ordem, endurecimento penal e reforço da polícia.
Segurança pública é prioridade, com investimento em vigilância, armas e legislação mais rigorosa.
4. Meio Ambiente e Sustentabilidade
Esquerda:
Prioridade em sustentabilidade, proteção ambiental e políticas climáticas.
Incentivo a energias renováveis e preservação de florestas, mesmo com impacto econômico.
Direita:
Sustentabilidade é importante, mas muitas vezes subordinada a desenvolvimento econômico e exploração de recursos naturais.
Maior flexibilidade para mineração, agronegócio e infraestrutura, com foco em crescimento.
5. Estrutura do Estado e Políticas Públicas
Esquerda:
Defende um Estado forte e atuante, capaz de regular, distribuir recursos e garantir direitos universais.
Ampliação de programas federais e políticas nacionais unificadas.
Direita:
Defende um Estado enxuto, com foco em eficiência e descentralização.
Prefere políticas públicas orientadas pelo mercado e gestão privada de serviços.
6. Alianças e Estratégias Eleitorais
Esquerda:
Tendência a formar frentes amplas, envolvendo diferentes correntes progressistas e centro-esquerda.
Maior tolerância a coligações ideológicas amplas.
Direita:
Alianças frequentemente centradas no conservadorismo social e pragmatismo eleitoral, incluindo partidos de centro e ultra-direita.
Flexibilidade estratégica, mas com ênfase em valores tradicionais e segurança.
A principal divergência entre esquerda e direita no Brasil em 2026 está na intervenção do Estado na economia, políticas sociais, segurança, meio ambiente e valores culturais.
Enquanto a esquerda prioriza igualdade social, direitos e regulação, a direita prioriza liberdade econômica, segurança e valores tradicionais.
8 Pragmatismo, Fisiologismo e Orçamento Público no Brasil (1985–2026)
O sistema político brasileiro historicamente apresenta um padrão de pragmatismo e fisiologismo, no qual governos utilizam o orçamento público como instrumento para consolidar apoio político e garantir governabilidade (SCALCO, 2024; PEREIRA, 2023). Desde o governo de José Sarney (1985–1990), observa-se a negociação de cargos, emendas parlamentares e concessões orçamentárias com parlamentares como forma de articular alianças políticas, garantindo apoio no Congresso Nacional (CAVALCANTI, 2025). Essa prática se manteve nos governos de Fernando Collor e Itamar Franco, sobretudo em contextos de instabilidade econômica, quando ajustes fiscais pontuais e incentivos estratégicos foram utilizados para assegurar a aprovação de reformas e projetos prioritários (CAVALCANTI, 2025).
Durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002), o pragmatismo legislativo combinou negociações orçamentárias com medidas de estabilização econômica, incluindo reformas do Estado e do sistema tributário (BRASIL, 2025). Já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010), a articulação entre políticas sociais amplas, como o Bolsa Família.
No governo de Dilma Rousseff (2011–2016), o fisiologismo se intensificou diante da polarização política e da crise econômica, com a execução orçamentária buscando equilibrar programas sociais, investimentos estratégicos e a manutenção de coligações parlamentares (CAVALCANTI, 2025). Com Michel Temer (2016–2018), as negociações orçamentárias e a alocação de recursos tiveram foco em reformas estruturais, como a trabalhista, consolidando alianças partidárias por meio de concessões financeiras e ajustes fiscais (SCALCO, 2024).
O governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) destacou-se pelo uso explícito do orçamento secreto, combinado com medidas de incentivo econômico e programas de transferência de renda, incluindo a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até cinco mil reais, visando manter apoio político e equilíbrio eleitoral (FREITAS, 2022; AP NEWS, 2025).
Principais Valores do Orçamento Secreto no Brasil Totais pagos por emendas de relator (RP9):
2020: cerca de R$ 19,74 bilhões empenhados em emendas de relator, segundo dados da Câmara dos Deputados.
2021: cerca de R$ 16,72 bilhões empenhados em emendas de relator.
Até 24/08/2022: cerca de R$ 8,25 bilhões empenhados em emendas de relator.
Somando esses três anos, o total empenhado chega a aproximadamente R$ 44,7 bilhões em emendas de relator até agosto de 2022.
No período de pagamento efetivo, foram desembolsados cerca de R$ 28,08 bilhões em valores pagos dessas emendas entre 2020 e 2022.
Esse modelo demonstrou a centralidade do pragmatismo e do fisiologismo como estratégias políticas, independentemente de diferenças ideológicas, consolidando apoio parlamentar e influenciando decisões sobre políticas econômicas e sociais.
No terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026), observa-se a continuidade do pragmatismo político, com articulação de frentes amplas, manutenção de emendas estratégicas e gerenciamento do orçamento público para conciliar programas sociais, estabilidade fiscal e apoio legislativo (REUTERS, 2025; LE MONDE, 2025). A análise histórica evidencia que, desde Sarney até Lula 3, o interesse político e econômico sempre moldou a execução orçamentária no Brasil, reforçando a importância do pragmatismo e do fisiologismo como elementos centrais na dinâmica do Executivo, Congresso e gestão de políticas públicas (BRASIL, 2025; SCALCO, 2024; PEREIRA, 2023.
Conclusão
O sistema de alianças eleitorais brasileiro, articulado por meio de federações e coligações, é uma expressão institucional do multipartidarismo e da necessidade de agregação política em torno de candidaturas presidenciais.
As eleições de 2026 oferecem um campo fértil para observar como esses arranjos legais influenciam a formação de frentes amplas, refletindo tanto a centralização de blocos ideológicos como a pragmática construção de alianças eleitorais.
Referências bibliográficas
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LE MONDE. Brazil: Jair Bolsonaro names his eldest son as successor. Le Monde, 09 dez. 2025. Disponível em: https://www.lemonde.fr/en/international/article/2025/12/09/brazil-jair-bolsonaro-names-his-eldest-son-as-successor_6748292_4.html. Acesso em: 20 jan. 2026.
Anexo A
Partidos, sigla, número e principal ideologia dos 30 partidos políticos no Brasil
MDB — Movimento Democrático Brasileiro número: 15
Ideologia: Centro / centro‑direita pragmática, tradicional partido de “centrão” com foco em coalizões e governabilidade.
PDT — Partido Democrático Trabalhista número: 12
Ideologia: Centro‑esquerda, trabalhismo e social‑democracia.
PT — Partido dos Trabalhadores número: 13
Ideologia: Esquerda, social‑democracia e trabalhismo.
PCdoB — Partido Comunista do Brasil número: 65
Ideologia: Esquerda, comunismo democrático e socialismo.
PSB — Partido Socialista Brasileiro número: 40
Ideologia: Centro‑esquerda, social‑democracia e progressismo.
PSDB — Partido da Social Democracia Brasileira número: 45
Ideologia: Centro a centro‑direita moderada, social‑democracia e liberalismo social.
AGIR — Agir número: 36
Ideologia: Geralmente classificado como centro‑direita ou pragmático, foco em desenvolvimento.
MOBILIZA — Mobilização Nacional número: 33
Ideologia: Partido menor, sem alinhamento ideológico dominante claro.
CIDADANIA — Cidadania número: 23
Ideologia: Centro, liberalismo moderado e social‑democracia moderada.
PV — Partido Verde número: 43
Ideologia: Ambientalismo, centro‑esquerda e sustentabilidade política.
AVANTE — Avante número: 70
Ideologia: Centro, trabalhismo moderado e solidarismo cristão.
PP — Progressistas número: 11
Ideologia: Centro‑direita, conservadorismo moderado e pragmatismo parlamentar.
PSTU — Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado número: 16
Ideologia: Esquerda radical e socialismo revolucionário.
PCB — Partido Comunista Brasileiro Número: 21
Ideologia: Esquerda comunista tradicional.
PRTB — Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (ainda registrado em contexto de número) número: 28
Ideologia: Direita conservadora / nacionalista (tradicional).
DC — Democracia Cristã número: 27
Ideologia: Centro‑direita, conservadorismo social e valores cristãos.
PCO — Partido da Causa Operária número: 29
Ideologia: Esquerda radical, marxismo militante.
PODE — Podemos Número: 20
Ideologia: Centro‑direita pragmático, foco em cidadania e combate à corrupção.
REPUBLICANOS — Republicanos número: 10
Ideologia: Direita moderada com base evangélica e social conservador.
PSOL — Partido Socialismo e Liberdade número: 50
Ideologia: Esquerda, socialismo democrático e progressismo.
PL — Partido Liberal número: 22
Ideologia: Direita / liberalismo conservador e conservadorismo social.
PSD — Partido Social Democrático número: 55
Ideologia: Centro e centrista pragmático, associação ao “centrão”.
SOLIDARIEDADE — Solidariedade Número: 77
Ideologia: Centro‑direita moderada e trabalhista.
NOVO — Partido Novo número: 30
Ideologia: Liberalismo clássico e economia de livre mercado.
REDE — Rede Sustentabilidade número: 18
Ideologia: Centro‑esquerda, ambientalismo e participação cidadã.
PMB — Partido da Mulher Brasileira número: 35
Ideologia: Conservadorismo social (enfoca pautas familiares).
UP — Unidade Popular Número: 80
Ideologia: Esquerda radical anti‑capitalista.
UNIÃO — União Brasil Número: 44
Ideologia: Centro‑direita, fusão de PSL/DEM com agenda pragmática.
PRD — Partido Renovação Democrática Número: 25
Ideologia: Direita nacionalista e conservadora (resultado de fusão).
AGIR / MOBILIZA / outros menores — alguns partidos listados pelo TSE podem sofrer variações, mas a lista acima contempla os principais com representação nacional e números oficiais de legenda.
Anexo B imagem

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