domingo, 1 de março de 2026

INSTALAÇÃO DE CAIXAS-ISCA PARA CAPTURA DE ABELHAS SEM FERRÃO (MELIPONINI) EM AMBIENTE URBANO NO NORTE DE SANTA CATARINA

A meliponicultura tem se expandido no Sul do Brasil, especialmente em áreas urbanas e periurbanas. O sucesso na captura de enxames naturais depende de fatores como altura de instalação, orientação solar, proteção contra vento e umidade, volume interno da caixa e atrativos olfativos. Este trabalho apresenta recomendações técnicas para instalação de caixas-isca em ambiente urbano no município de São Francisco do Sul, considerando clima subtropical úmido e influência marítima. São discutidas variáveis ambientais, dimensões recomendadas e fundamentos ecológicos baseados na biologia de espécies como Tetragonisca angustula, Melipona quadrifasciata e Scaptotrigona xanthotricha.

Palavras-chave: Meliponicultura; Abelhas sem ferrão; Caixas-isca; Orientação solar; Santa Catarina.


1 Introdução

As abelhas sem ferrão (tribo Meliponini) desempenham papel essencial na polinização de espécies nativas e cultivadas. No Sul do Brasil, sua criação racional representa alternativa sustentável de produção de mel e conservação ambiental. A captura de enxames naturais por meio de caixas-isca é prática comum, porém sua eficiência depende de critérios técnicos relacionados à ecologia de nidificação, microclima e estrutura física do abrigo artificial.

Regiões litorâneas do Norte de Santa Catarina apresentam elevada umidade relativa do ar, ventos sazonais e variação térmica moderada, exigindo adaptações no posicionamento das colmeias.


2 Fundamentação Ecológica da Nidificação

Espécies como Tetragonisca angustula e Melipona quadrifasciata nidificam naturalmente em ocos de árvores, preferencialmente entre 1 e 5 metros de altura, com entradas protegidas da chuva direta e voltadas para áreas com insolação matinal. A orientação da entrada influencia a termorregulação da colônia e a redução de umidade interna, fator crítico em regiões costeiras.

A literatura indica que o aquecimento gradual pelo sol da manhã estimula atividade de forrageamento, enquanto exposição prolongada ao sol da tarde pode causar estresse térmico.


3 Materiais e Métodos Recomendados

3.1 Modelo de Caixa-Isca

Recomenda-se utilização de madeira de pinus não tratada, com espessura mínima de 2 cm, garantindo isolamento térmico adequado. O volume interno deve ser compatível com a espécie alvo:

  • Espécies pequenas (Plebeia, Jataí): 10 × 10 cm

  • Espécies médias (Scaptotrigona): 12 × 12 cm

  • Espécies Melipona: 16 × 16 cm

A entrada deve apresentar diâmetro compatível com o porte corporal:

  • 6–8 mm (espécies pequenas)

  • 10–12 mm (médias)

  • 12–15 mm (Melipona)

Aplicação interna de própolis diluída e cera de abelha aumenta a atratividade.


3.2 Altura de Instalação

Com base em registros ecológicos e prática meliponicultora, recomenda-se instalação entre 1,5 m e 2,5 m do solo, sendo 1,8 m a 2,0 m a faixa considerada ideal. Alturas inferiores aumentam risco de formigas e umidade; alturas excessivas dificultam manejo.


3.3 Orientação Solar

Para o Norte de Santa Catarina, recomenda-se:

  • Entrada voltada para Norte ou Nordeste

  • Exposição ao sol da manhã

  • Sombra parcial no período da tarde

Essa configuração otimiza aquecimento inicial e reduz superaquecimento.


3.4 Proteção Estrutural

Em regiões litorâneas com influência de ventos do quadrante Sul, recomenda-se:

  • Fixação com parafusos na tampa

  • Peso adicional ou amarração

  • Distância mínima de 30–50 cm da parede

  • Instalação sob árvores que ofereçam sombra leve


4 Discussão

A combinação de orientação Norte/Nordeste, altura média de 1,8 m e proteção arbórea cria microclima semelhante ao ambiente natural de nidificação. Em São Francisco do Sul, onde a umidade é elevada, a insolação matinal desempenha papel relevante na redução de fungos e manutenção da estabilidade térmica.

A escolha do material (pinus não tratado) é viável economicamente e apresenta bom desempenho quando protegido externamente com óleo vegetal ou selante natural.


5  Distância de Forrageamento de Abelhas Sem Ferrão (Meliponini)

5.1 Fundamentação Ecológica

A distância de forrageamento das abelhas sem ferrão (tribo Meliponini) é variável e depende de fatores como:

Tamanho corporal da espécie

Disponibilidade de recursos florais

Estrutura da paisagem (mata contínua ou fragmentada)

Competição intra e interespecífica

Condições climáticas

De modo geral, espécies menores apresentam raio de voo mais curto, enquanto espécies maiores do gênero Melipona possuem maior capacidade de deslocamento.

5.2 Distâncias Médias por Grupo

🐝 Espécies Pequenas

Ex.: Tetragonisca angustula, Plebeia remota

Raio médio: 300 a 800 metros

Máximo registrado: até 1.000 m

Preferência por recursos próximos ao ninho

Estudos indicam que a maioria das operárias concentra coleta dentro de 500 m.

🐝 Espécies Médias

Ex.: Scaptotrigona bipunctata

Raio médio: 800 m a 1,5 km

Boa adaptação a áreas agrícolas e fragmentadas

🐝 Espécies Grandes

Ex.: Melipona quadrifasciata, Melipona obscurior

Raio médio: 1 a 2 km

Registros máximos: até 2,5 km

Capacidade de explorar paisagens amplas

4.3 Implicações para Produção de Mel

A produção de mel está diretamente relacionada à:

Diversidade floral dentro do raio de voo

Presença de espécies nativas da Mata Atlântica

Continuidade de floradas ao longo do ano

Em ambientes urbanos ou rurais fragmentados, recomenda-se garantir:

Área verde mínima dentro de 1 km para espécies pequenas

Área verde dentro de 2 km para espécies do gênero Melipona

A fragmentação reduz disponibilidade de pólen e néctar, impactando o volume anual produzido.

5.4 Comparação com Apis mellifera

A espécie exótica Apis mellifera apresenta raio de voo superior:

Média: 3 a 5 km

Registros extremos: até 10 km

Isso confere maior competitividade em ambientes abertos, podendo influenciar dinâmica de recursos.

5.5 Considerações para Instalação de Caixas

Para maximizar produção:

Instalar caixas próximas a fragmentos de Mata Atlântica

Manter diversidade de espécies florais nativas

Evitar isolamento total em áreas exclusivamente urbanizadas

Planejar paisagismo com espécies melíferas


6 Competição entre abelhas com ferrão e abelhas sem ferrão na meliponicultura

A convivência entre abelhas com ferrão e abelhas sem ferrão pode gerar competição ecológica por recursos florais, principalmente néctar e pólen. A espécie Apis mellifera, amplamente utilizada na apicultura brasileira, apresenta grande capacidade de forrageamento e formação de colônias populosas, o que pode intensificar a disputa por recursos com espécies nativas de meliponíneos. Espécies como Tetragonisca angustula, Melipona quadrifasciata, Melipona bicolor, Nannotrigona testaceicornis e Scaptotrigona depilis podem sofrer redução no acesso aos recursos florais quando há elevada densidade de colônias de Apis nas proximidades.
Estudos indicam que a Apis mellifera possui raio de forrageamento que pode ultrapassar 2 km, enquanto muitas espécies de meliponíneos apresentam alcance menor, geralmente entre 300 e 1500 m, dependendo da espécie. Essa diferença pode resultar em vantagem competitiva para Apis, especialmente em ambientes com baixa diversidade floral. Além disso, eventos de pilhagem de mel em colônias fracas de abelhas sem ferrão podem ocorrer quando há proximidade excessiva entre apiários e meliponários.
Em regiões de Mata Atlântica do sul do Brasil, recomenda-se o manejo espacial adequado entre apiários de Apis e meliponários, mantendo distâncias mínimas entre 300 m e 1 km, a fim de reduzir a sobreposição de áreas de coleta e minimizar impactos ecológicos sobre abelhas nativas. Essa medida contribui para a conservação da diversidade de polinizadores e para o equilíbrio produtivo entre apicultura e meliponicultura.

7  Problemas na criação de abelhas sem ferrão
1. Uso de herbicidas e venenos para matar capim
Herbicidas utilizados para eliminar plantas espontâneas podem afetar abelhas sem ferrão de duas formas:
toxicidade direta sobre adultos e larvas
redução das plantas que fornecem pólen e néctar
Estudos mostram que o herbicida Glyphosate pode ser altamente tóxico para larvas de abelhas sem ferrão, causando mortalidade e comprometendo o desenvolvimento das colônias. �
PubMed
Além disso, herbicidas como paraquat e nicosulfuron podem alterar enzimas e causar efeitos fisiológicos nas abelhas, prejudicando comportamento e sobrevivência. �
Springer
2. Fumacê contra mosquitos da dengue
Campanhas de controle de mosquitos transmissores de doenças como Dengue utilizam inseticidas que podem afetar insetos não alvo.
Os efeitos nas abelhas incluem:
morte por intoxicação
desorientação durante o voo
contaminação de pólen e néctar
enfraquecimento das colônias
Esse problema é frequente em áreas urbanas do litoral, onde o fumacê passa próximo aos meliponários.
3. Criação de abelhas com ferrão
A presença de colmeias da espécie Apis mellifera pode gerar competição com abelhas nativas sem ferrão.
Principais impactos:
competição por pólen e néctar
disputa por cavidades para nidificação
transmissão de patógenos
pilhagem de alimento
Essa competição pode reduzir a disponibilidade de recursos para espécies de abelhas nativas.
4. Problemas ambientais na Mata Atlântica
O litoral norte de Santa Catarina pertence ao bioma Mata Atlântica, onde a redução de áreas naturais causa:
perda de árvores ocas para nidificação
redução da diversidade de flores
fragmentação de habitat
Esses fatores reduzem a população de abelhas nativas e dificultam a captura de enxames.
5. Problemas de manejo na meliponicultura
Pesquisas com meliponicultores de Santa Catarina indicam alguns problemas frequentes:
abertura excessiva das caixas
divisão inadequada de colônias
ataque de formigas e moscas forídeas
baixa produção de mel em algumas espécies
perda de colônias por manejo incorreto �
Portal de Publicações Epagri
6. Condições climáticas do litoral
No litoral catarinense ocorrem:
alta umidade
chuvas frequentes
variações de temperatura
Essas condições podem causar fermentação do mel e favorecer doenças nas colônias.
Conclusão científica
A criação de abelhas sem ferrão em regiões urbanas e litorâneas como São Francisco do Sul depende de práticas de manejo adequadas e da preservação ambiental. Entre os principais fatores de risco estão agrotóxicos, herbicidas, fumacê contra mosquitos, competição com abelhas com ferrão e perda de habitat natural.


Conclusão

A instalação de caixas-isca para captura de abelhas sem ferrão em ambiente urbano no Norte de Santa Catarina deve considerar:

  1. Altura entre 1,5 e 2,5 m (ideal 1,8 m);

  2. Entrada voltada para Norte ou Nordeste;

  3. Sombra parcial sob árvores;

  4. Proteção contra vento Sul;

  5. Madeira natural com espessura mínima de 2 cm;

  6. Uso de atrativo à base de própolis e cera.

A adoção desses critérios aumenta a probabilidade de ocupação e promove manejo sustentável das espécies nativas.

Abelhas sem ferrão apresentam raio de forrageamento proporcional ao porte corporal. Espécies pequenas operam majoritariamente em até 800 m, enquanto espécies grandes podem alcançar até 2 km. Para sustentabilidade produtiva, recomenda-se planejamento ambiental considerando o raio ecológico da espécie criada.

A mistura de cera, própolis e erva-cidreira (Cymbopogon citratus) em álcool pode ser utilizada na meliponicultura como atrativo ou feromônio artificial para captura de enxames de abelhas sem ferrão. A cera e o própolis fornecem odores característicos do ninho, enquanto a erva-cidreira libera compostos aromáticos semelhantes aos feromônios de orientação das abelhas. O álcool atua como solvente, extraindo e preservando essas substâncias voláteis. A solução é geralmente aplicada em caixas-isca para aumentar a probabilidade de ocupação por colônias silvestres. Esse método é amplamente utilizado em práticas de manejo e captura racional de enxames na meliponicultura. 

Referências 

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SILVEIRA, Fernando A.; MELO, Gabriel A. R.; ALMEIDA, Eduardo A. B. Abelhas brasileiras: sistemática e identificação. Belo Horizonte: Fundação Araucária, 2002.

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Portal de Publicações Epagri
FERMINO, F. et al. Effects of herbicides on stingless bees. Apidologie, 2022. �
Springer
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PubMed
HERBERT, L. T. et al. Glyphosate toxicity to stingless bee larvae (Melipona quadrifasciata). Chemosphere, 2018. �
PubMed
NOGUEIRA-NETO, P. Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Nogueirapis, 1997.



Anexo A

É tecnicamente possível utilizar esse modelo de base para captura inicial (caixa-isca) e, após a consolidação da colônia, realizar a expansão vertical com sobreninho e melgueiras, desde que o volume final respeite a biologia da espécie.

Abaixo segue o comparativo técnico aplicado ao sistema modular.

1. Princípio Biológico

Espécies da tribo Meliponini organizam o ninho em:

Ninho (discos de cria) – parte inferior

Sobreninho – expansão da área de cria

Melgueira – armazenamento de mel e pólen (superior)

O crescimento natural ocorre de forma vertical, principalmente em espécies do gênero Melipona.

2. Comparativo Técnico Adaptado ao Sistema Modular

Espécie

Base interna

Altura inicial (isca)

Sistema recomendado

Mirim (Plebeia)

10 × 10 cm

5–6 cm

Base + 1 sobreninho opcional

Mandaguari (Scaptotrigona)

18 × 18 cm

7–8 cm

Base + sobreninho + 1 melgueira

Uruçu (Melipona grande)

20 × 20 cm

8 cm

Base + sobreninho + 1–2 melgueiras

3. Viabilidade por Espécie

🔹 Mirim (Plebeia)

Espécies pequenas como Plebeia remota possuem discos compactos.

Pode-se capturar em caixa 10×10 cm e, após 3–4 meses, adicionar:

Sobreninho de 5 cm

Raramente necessita melgueira grande

Volume excessivo prejudica termorregulação.

🔹 Mandaguari

Espécies como Scaptotrigona postica são mais expansivas.

Modelo 18×18 cm funciona bem para captura.

Após estabilização:

Acrescentar sobreninho (7 cm)

Inserir melgueira superior ventilada

Boa adaptação ao sistema modular.

🔹 Uruçu (Melipona grande)

Exemplo: Melipona quadrifasciata ou Melipona scutellaris.

Necessitam maior volume térmico.

Modelo 20×20 cm é adequado para captura, porém:

Após 4–6 meses adicionar sobreninho

Depois incluir 1 ou 2 melgueiras

Espécies Melipona respondem melhor a caixas modulares padrão INPA ou vertical racional.

4. Requisitos Técnicos Essenciais

Para funcionar corretamente como sistema evolutivo:

Espessura mínima da madeira: 2 cm

Vedação perfeita (sem frestas)

Encaixe macho-fêmea ou sobreposição

Entrada proporcional (6–15 mm conforme espécie)

Tampa com fixação contra vento

Fundo elevado 1 cm para drenagem

5. Vantagens do Sistema Modular

✔ Permite captura com volume reduzido (maior chance de ocupação)

✔ Expansão controlada conforme crescimento

✔ Facilita manejo sanitário

✔ Mantém estabilidade térmica inicial

6. Conclusão Técnica

Sim, o modelo apresentado pode ser utilizado como caixa de captura inicial, desde que:

O volume seja compatível com a espécie.

A ampliação seja gradual.

A expansão ocorra apenas após consolidação da postura e população.

Para Melipona grandes (Uruçu), o sistema modular é altamente recomendado.

Para Mirim, expansão deve ser mínima e criteriosa.


ANEXO A





Anexo B

Iscas colocadas di 08/03/2026




Captura de enxames da abelha Borá (Tetragona clavipes)

A abelha Tetragona clavipes é uma espécie de abelha sem ferrão amplamente distribuída no Brasil, sendo encontrada em diferentes biomas, incluindo áreas de Mata Atlântica. Essa espécie apresenta colônias populosas e comportamento defensivo mais ativo quando comparada a outras abelhas sem ferrão, possuindo grande potencial para produção de mel na meliponicultura. Estudos sobre sua biologia e arquitetura do ninho indicam que a espécie constrói estruturas internas complexas compostas por discos de cria e potes de armazenamento de alimento distribuídos na cavidade do ninho. �periódicos UEFS · 1
A captura de enxames dessa espécie pode ser realizada por meio de caixas-isca, técnica utilizada por meliponicultores para atrair colônias em processo de enxameação. Esse método permite ampliar o número de colônias sem retirar ninhos diretamente da natureza, contribuindo para a conservação das abelhas nativas. O sucesso da captura depende da escolha adequada do local, da presença de vegetação com flores e da utilização de atrativos naturais que reproduzam o odor característico do interior de um ninho.

Preparação do atrativo para abelha Borá
Os atrativos utilizados na captura de enxames geralmente são preparados com substâncias naturais provenientes do próprio ambiente das abelhas. Um método tradicional consiste em utilizar cera de abelha, própolis e extrato de erva-cidreira, substâncias que simulam o odor de colônias já estabelecidas.
Procedimento de preparo do atrativo:
Macerar folhas de erva-cidreira (Melissa officinalis).
Misturar as folhas em álcool 70–75% e deixar em repouso por 3 a 7 dias.
Adicionar pequenos fragmentos de própolis ou cerume de colônias antigas.
Aplicar algumas gotas da solução nas paredes internas da caixa-isca.
Atrativos comerciais também podem ser produzidos a partir de própolis da própria espécie, o que aumenta a eficiência da captura por reproduzir o odor natural do ninho. �
Mercado Livre

 Técnica de captura de enxames (passo a passo)
O processo de captura utilizado por meliponicultores experientes envolve algumas etapas fundamentais:
Preparação da caixa-isca
Utilizar caixa de madeira limpa, com aplicação de cera e própolis nas paredes internas.
Aplicação do atrativo
Aplicar pequenas quantidades da solução aromática na entrada e no interior da caixa.
Escolha do local de instalação
Instalar a caixa próxima à vegetação nativa, preferencialmente em árvores ou suportes entre 1 e 2 metros de altura.
Proteção ambiental
Posicionar a caixa em local sombreado, protegido de chuva e ventos fortes.
Monitoramento da caixa
Verificar periodicamente a presença de abelhas exploradoras, que indicam possível ocupação do ninho.
Esse método reproduz condições semelhantes às cavidades naturais utilizadas pelas abelhas para nidificação, aumentando a probabilidade de captura de novos enxames.

 Tamanho ideal da caixa para a abelha Borá
Devido ao grande número de indivíduos presentes nas colônias dessa espécie, recomenda-se utilizar caixas de maior volume quando comparadas às usadas para espécies pequenas. Estudos sobre arquitetura do ninho indicam que a câmara de cria da espécie pode apresentar diâmetro médio superior a 14 cm, informação útil para dimensionamento das caixas de manejo. �
Periódicos UEFS
Na meliponicultura prática, as caixas recomendadas geralmente apresentam:
base interna aproximada de 18 a 20 cm
estrutura modular com ninho, sobreninho e melgueira
altura total próxima de 25 a 30 cm
Caixas com dimensões internas próximas de 19 × 19 cm são frequentemente utilizadas para espécies populosas como a Borá e outras abelhas do gênero Scaptotrigona. �
Mercado Livre
A utilização de caixas com volume adequado permite melhor desenvolvimento da colônia, maior capacidade de armazenamento de alimento e maior estabilidade térmica no interior do ninho.

Referências (ABNT 2023)
DUARTE, R.; SOARES, A. E. E. Nest architecture of Tetragona clavipes (Fabricius) (Hymenoptera: Apidae, Meliponini). Sociobiology, v. 63, n. 2, p. 813-818, 2016. �
Periódicos UEFS
DUARTE, R. S. Aspectos da biologia destinados à criação de Tetragona clavipes. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, 2012. �
Repositório da Produção USP
NOGUEIRA-NETO, P. Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Nogueirapis, 1997.
KERR, W. E.; CARVALHO, G. A.; NASCIMENTO, V. A. Abelha uruçu: biologia, manejo e conservação. Manaus: INPA, 1996.
EPAGRI. Meliponicultura: criação racional de abelhas sem ferrão. Florianópolis: EPAGRI, 2017.



Anexo C 

Nossa tentativa de fazer caixas






Anexo D





ANEXO E

🐝🌳 Calendário de Floração (12 meses)

Espécies Nativas da Mata Atlântica para Abelhas Sem Ferrão

🌼 Janeiro

  • Pitangueira

  • Grumixama

  • Guabiroba

  • Cambuí


🌼 Fevereiro

  • Araçá

  • Uvaia

  • Cereja-do-rio-grande

  • Cambucá


🌼 Março

  • Jabuticabeira

  • Cambuci

  • Capororoca

  • Cafezinho-do-mato


🌼 Abril

  • Ingá

  • Ingá-feijão

  • Jerivá

  • Tarumã


🌼 Maio

  • Cambará

  • Erva-baleeira

  • Guaricica

  • Capororoca


🌼 Junho

  • Aroeira-vermelha

  • Butiá

  • Guaco

  • Assa-peixe


🌼 Julho

  • Ipê-amarelo

  • Ipê-roxo

  • Angico-vermelho

  • Angico-branco


🌼 Agosto

  • Ipê-rosa

  • Embaúba

  • Guapuruvu

  • Canafístula


🌼 Setembro

  • Paineira

  • Cedro

  • Jequitibá-rosa

  • Peroba-rosa


🌼 Outubro

  • Cássia-amarela

  • Fedegoso

  • Guatambu

  • Cocão


🌼 Novembro

  • Palmito-juçara

  • Juçara

  • Guatambu-branco

  • Timbó


🌼 Dezembro

  • Pitangueira

  • Araçá

  • Guabiroba

  • Grumixama

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