domingo, 15 de março de 2026

Abelha nativa e controle biológico do mosquito da dengue: potencial larvicida da geoprópolis de Melipona quadrifasciata

A dengue é uma das principais arboviroses que afetam regiões tropicais e subtropicais, sendo transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. O controle das larvas desse vetor é uma estratégia essencial para reduzir a disseminação da doença. Estudos recentes demonstraram que a geoprópolis produzida pela abelha sem ferrão Melipona quadrifasciata apresenta atividade larvicida significativa contra o mosquito. A ação está associada a compostos diterpenos derivados da resina de Pinus, processados pelas abelhas durante a produção da geoprópolis. Este artigo revisa as evidências científicas recentes sobre o potencial da geoprópolis como fonte de compostos bioativos para o controle biológico de vetores de arboviroses.

Palavras-chave: meliponicultura; geoprópolis; dengue; controle biológico; larvicida natural.


1 Introdução

A dengue representa um grave problema de saúde pública em diversos países tropicais, incluindo o Brasil. A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti, responsável também pela disseminação de outras arboviroses como zika e chikungunya. O controle populacional desse vetor ainda depende majoritariamente do uso de inseticidas químicos, que podem gerar resistência e impactos ambientais.

Nesse contexto, compostos naturais provenientes de organismos vegetais ou animais têm sido investigados como alternativas sustentáveis para o controle de mosquitos vetores. Entre essas fontes, destacam-se produtos derivados de abelhas sem ferrão, especialmente a geoprópolis produzida por Melipona quadrifasciata, espécie nativa amplamente distribuída no Brasil.


2 Geoprópolis de abelhas sem ferrão

A geoprópolis é um material biológico composto por resinas vegetais, cera, secreções das abelhas e partículas minerais do solo. Diferentemente da própolis produzida por abelhas do gênero Apis, a geoprópolis apresenta composição química mais complexa, resultante da interação entre as abelhas e o ambiente.

As abelhas sem ferrão utilizam esse material na construção e proteção do ninho, atuando como barreira contra microrganismos e predadores. A composição química da geoprópolis varia conforme as plantas visitadas e a disponibilidade de resinas no ambiente, o que influencia diretamente suas propriedades biológicas. � Agência SP · 1


3 Descoberta de atividade larvicida

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília identificaram um composto bioativo na geoprópolis de Melipona quadrifasciata capaz de matar entre 90% e 100% das larvas de Aedes aegypti em testes laboratoriais. � Agência SP · 1

O estudo demonstrou que a substância responsável pela atividade larvicida é um diterpeno presente na resina de pinus, incorporado à geoprópolis durante o processamento realizado pelas abelhas. �Agência Fapesp · 1

Segundo o pesquisador Luís Guilherme Pereira Feitosa, a ação larvicida está associada ao processamento biológico da resina pelas abelhas:

“A resina do pinus, processada pela saliva das mandaçaias, é que proporciona a ação larvicida.” � Agência Fapesp

Esse processo sugere uma transformação bioquímica natural que potencializa a atividade do composto presente na resina vegetal.


4 Origem química do composto ativo

As abelhas mandaçaias frequentemente coletam resinas de árvores do gênero Pinus, especialmente em áreas de reflorestamento. Essas resinas contêm ácidos diterpênicos que podem sofrer modificações químicas durante o processamento pelas abelhas.

A análise química da geoprópolis por técnicas de espectrometria de massas permitiu identificar essas moléculas bioativas, associadas diretamente à mortalidade das larvas do mosquito. � Candeias Mix

Os resultados indicam que a interação entre planta e inseto gera compostos com propriedades biológicas que não são observadas isoladamente em outras espécies de abelhas ou própolis tradicionais.


5 Potencial para desenvolvimento de bioinseticidas

Embora a geoprópolis produzida pelas mandaçaias possua grande potencial larvicida, a quantidade produzida pelas colônias é relativamente pequena para uso direto em larga escala. � FAPESP ODS

Por esse motivo, os pesquisadores propõem a reprodução do processo em laboratório, utilizando resina de pinus e técnicas de biotecnologia para produzir compostos semelhantes em biorreatores industriais. � UOL Notícias

Essa estratégia poderia resultar em novos bioinseticidas mais sustentáveis e menos tóxicos ao ambiente, contribuindo para programas de controle integrado de mosquitos vetores.


6 Implicações para a meliponicultura e conservação

A descoberta também destaca a importância ecológica e econômica das abelhas nativas brasileiras. Além da produção de mel, essas espécies podem fornecer compostos bioativos com aplicações farmacêuticas e sanitárias.

Para a meliponicultura, a valorização de produtos como a geoprópolis pode ampliar o interesse pela criação de abelhas sem ferrão e estimular a conservação de habitats naturais e recursos florísticos essenciais para essas espécies.


7 Conclusão

A geoprópolis da abelha Melipona quadrifasciata apresenta forte potencial larvicida contra o mosquito Aedes aegypti, devido à presença de compostos derivados da resina de Pinus processados pelas abelhas.

Os resultados indicam que produtos naturais derivados da interação entre plantas e insetos podem constituir novas ferramentas no controle de arboviroses. No entanto, estudos adicionais são necessários para avaliar a toxicidade ambiental, a viabilidade econômica e a produção em escala industrial desses compostos.


Referências 

AGÊNCIA FAPESP. Estudo aponta molécula capaz de matar larvas do mosquito da dengue em própolis de abelha sem ferrão. São Paulo, 2025. Disponível em: https://agencia.fapesp.br⁠�. �Agência Fapesp

AGÊNCIA SP. Molécula capaz de matar larvas do mosquito da dengue é encontrada em própolis de abelha sem ferrão. São Paulo, 2025. �Agência SP

JULIÃO, A. Estudio identifica una molécula capaz de matar larvas del mosquito del dengue en la própolis de una abeja sin aguijón. Agência FAPESP, 2025. �Agência Fapesp

UOL NOTÍCIAS. Nova arma contra a dengue pode estar em uma abelha brasileira. 2025. �UOL Notícias

IDEAL ODONTO. Geoprópolis da abelha mandaçaia elimina até 90% das larvas do mosquito da dengue. 2025. �Ideal Odonto
























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