quinta-feira, 9 de julho de 2026

AS BACIAS HIDROGRÁFICAS BRASILEIRAS: UM OLHAR A PARTIR DA REALIDADE DO NORDESTE CATARINENSE

A presente análise as dinâmicas hidrológicas do território brasileiro, estabelecendo um recorte espacial interpretativo sobre a região do Nordeste do estado de Santa Catarina. O objetivo central consiste em correlacionar a compartimentação físico-natural das bacias hidrográficas costeiras aos impactos das atividades humanas de caráter urbano-industrial e agrícola. Utilizando o método geográfico de análise multiescalar e a revisão bibliográfica, discute-se como os limites biogeográficos da rede de drenagem se sobrepõem e tensionam as divisões político-administrativas convencionais. Os resultados apontam que a topografia acentuada das encostas da Serra do Mar e da bacia da Baía da Babitonga impõe dinâmicas severas de escoamento superficial e fragilidade ambiental (assoreamento e enchentes). Conclui-se que o fortalecimento de canais institucionais de governança democrática participativa, materializados nos Comitês de Bacia Hidrográfica regionais, configura-se como condição imperativa para a segurança hídrica e mediação dos conflitos ecológicos distributivos na transição para a sustentabilidade.


Palavras-chave: Bacias Hidrográficas. Nordeste Catarinense. Gestão Democrática. Sustentabilidade Territorial.


1. INTRODUÇÃO

A compreensão do território brasileiro impõe uma análise integrada que perpasse a indissociabilidade entre os componentes biofísicos da natureza e as dinâmicas de apropriação antrópica exercidas pelas forças socioeconômicas. No escopo da ciência geográfica, a bacia hidrográfica deixa de ser entendida puramente como um acidente geomorfológico de escoamento para consolidar-se como a unidade espacial fundamental de planejamento, gestão e análise dos impactos decorrentes do desenvolvimento regional.

No entanto, o padrão de ordenamento territorial historicamente implementado no Brasil priorizou fronteiras político-administrativas artificiais (municípios e estados) em detrimento dos limites dinâmicos e ecossistêmicos traçados pelos divisores de água. Essa desconexão conceitual e operacional gera severas assimetrias na governança dos recursos naturais, especialmente em cenários marcados pela transição acelerada de padrões de uso da terra e adensamento industrial.

Diante desse panorama, o presente estudo propõe um olhar espacializado sobre o Nordeste catarinense, porção territorial singular onde o relevo abrupto cristalino da Serra do Mar encontra a planície costeira e deságua no complexo estuarino da Baía da Babitonga. Através desta escala regional, objetiva-se investigar as vulnerabilidades físicas locais (assoreamento, poluição difusa e riscos de inundação) e debater as políticas públicas setoriais hídricas, pautadas na Lei Federal nº 9.433/1997 (Lei das Águas), enfatizando o papel da gestão participativa e democrática na proteção dos aquíferos e rios superficiais.


2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E ASPECTOS FISCO-NATURAIS DA HIDROGRAFIA

A rede hidrográfica de um país é o reflexo direto da interação histórica entre a estrutura geológica, o modelado do relevo e os regimes climáticos vigentes. O território brasileiro, estruturado sobre crátons antigos e bacias sedimentares, não apresenta cadeias montanhosas de elevadas altitudes modernas, o que resulta em um predomínio de rios de planalto ricos em potencial hidrelétrico, alimentados por regimes de alimentação pluvial predominantemente tropicais e equatoriais.

A transposição analítica dessa macroescala para o cenário do Litoral Norte e Nordeste de Santa Catarina evidencia a proeminência da Vertente do Atlântico (ou bacias costeiras). O arcabouço geomorfológico regional é dominado pelo Maciço Cristalino da Serra do Mar, cujas encostas íngremes e solos sobrejacentes argilo-arenosos regulam a velocidade do escoamento superficial e a taxa de infiltração que recarrega as águas subterrâneas superficiais e os aquíferos profundos locais.

Neste contexto, rios de menor extensão territorial — como os rios Cachoeira, Cubatão, Itapocu e Negro — assumem uma relevância socioeconômica e ecológica crítica. Apresentando canais fluviais que migram rapidamente de zonas de forte declividade (altas taxas de energia e transporte de sedimentos) para planícies de inundação suave, essas bacias sofrem influência direta da dinâmica climática da Mata Atlântica. Os altos índices de precipitação orográfica concentrada colocam os ecossistemas ripários sob constante estresse físico-natural, tornando o entendimento da cobertura do solo (especialmente a preservação da serrapilheira e das florestas de encosta) um fator determinante na atenuação de desastres naturais.


3. CONFLITOS DE USO DA TERRA E IMPACTOS ANTRÓPICOS NO NORDESTE CATARINENSE

A inserção do Nordeste catarinense na divisão territorial do trabalho consolidou a região como um dos principais polos urbano-industriais e agropecuários do sul do país. Essa densidade de atividades humanas gera uma pressão metabólica contínua sobre as bacias hidrográficas locais, alterando qualitativa e quantitativamente os ciclos hidrológicos.

No vetor urbano-industrial, destacam-se os processos de impermeabilização extrema do solo nas áreas centrais e periféricas das manchas urbanas regionais, o que acelera o tempo de concentração das águas pluviais nos rios coletores principais, potencializando episódios recorrentes de inundações nas planícies estuarinas. Ademais, o histórico deficit em redes estruturadas de esgotamento sanitário e o despejo de efluentes industriais com cargas químicas diversas degradam a qualidade da água urbana, reduzindo severamente a disponibilidade de mananciais limpos para o abastecimento público.

No vetor rural e periférico, a conversão de áreas florestais nativas de Mata Atlântica para o cultivo intensivo (como a bananicultura e a rizicultura nas várzeas) ou pastagens sem o manejo adequado de conservação dos solos desencadeia o processo de erosão acelerada. A remoção da mata ciliar retira a barreira mecânica natural contra o escoamento difuso, resultando no carreamento de defensivos agrícolas para as águas superficiais e subterrâneas e promovendo o assoreamento severo dos leitos. O assoreamento reduz a calha dos rios, diminuindo sua capacidade de vazão e retroalimentando os gargalos hídricos em períodos de eventos climáticos extremos.


4. GOVERNANÇA, POLÍTICAS PÚBLICAS E DEMOCRACIA AMBIENTAL

Se a bacia hidrográfica se caracteriza como o espaço físico dos impactos ecológicos, é no campo das políticas públicas e da articulação social que se constroem as soluções de sustentabilidade territorial. A instituição do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos no Brasil consagrou a descentralização e a participação social como pilares fundamentais da gestão da água, definindo-a formalmente como um bem público e dotado de valor econômico finito.

A materialização desse preceito democrático no Nordeste de Santa Catarina opera através dos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs), estruturas paritárias colegiadas que funcionam como autênticos "parlamentos ambientais locais". Nesses espaços, reúnem-se representantes do poder público (municipal e estadual), usuários econômicos (indústrias, concessionárias de saneamento e sindicatos rurais) e organizações da sociedade civil organizada (universidades, ONGs e associações comunitárias).

A governança participativa e o exercício pleno da cidadania nesses comitês enfrentam desafios estruturais severos na região. A tomada de decisões democráticas sobre as outorgas de direito de uso dos recursos hídricos e a aplicação dos instrumentos de planejamento territorial dependem do empoderamento real das comunidades tradicionais e dos cidadãos frente aos interesses econômicos hegemônicos. A justiça climática e a conservação hídrica regional exigem, portanto, que as discussões ambientais nos comitês superem os formalismos técnicos, incorporando mecanismos de transparência ativa que conectem diretamente o monitoramento das bacias às demandas reais por saneamento, saúde pública e preservação ecológica.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A espacialização das bacias hidrográficas a partir da realidade do Nordeste catarinense demonstra que os limites ecológicos do território exigem novas abordagens teóricas e metodológicas de planejamento e gestão pública. Os graves impactos antrópicos mapeados nas redes de drenagem regionais não decorrem de uma inevitabilidade geográfica, mas sim de modelos históricos de apropriação do solo dissociados da dinâmica dos sistemas físicos naturais.

A superação do quadro atual de degradação e a garantia da segurança hídrica regional dependem diretamente da efetivação de políticas públicas integradas que respeitem a bacia hidrográfica como unidade de planejamento prioritária. Isto demanda a consolidação do diálogo técnico-científico com a participação cidadã nos Comitês de Bacia, garantindo que a preservação de florestas protetoras de encostas, a conservação das águas subterrâneas e a restauração de matas ciliares sejam tratadas como metas coletivas urgentes. Somente por meio do fortalecimento das estruturas democráticas descentralizadas será possível construir caminhos de transição justa e sustentável, preservando o patrimônio natural das águas para a sustentabilidade e reprodução da vida nas próximas gerações.


REFERÊNCIAS

SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Sapiens: Ensino Fundamental – Anos Finais. 1. ed. São Paulo: Ática, 2022.

CONHEÇA os encantos da trilha do Morro da Cruz em São Francisco do Sul. In: Programa Ver Mais Joinville. Joinville: RICTV Record, 17 abr. 2022. 1 vídeo (3 min 45 s). Publicado pelo canal Ver Mais Joinville. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tg_jlODq3Mk . Acesso em: 9 jul. 2026.

A MELHOR vista da Prainha - Trilha Morro da Esperança - São Francisco do Sul. In: Novos Horizontes. São Francisco do Sul, 14 mai. 2024. 1 vídeo (6 min 12 s). Publicado pelo canal Novos Horizontes PEA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Z97MYLRPy5c . Acesso em: 9 jul. 2026.

SANTA CATARINA. Gabinete de Planejamento e Coordenação Geral. Atlas de Santa Catarina. Florianópolis: GAPLAN, 1986. 3 v. (Estudo do relevo, geomorfologia e bacias costeiras do Litoral Norte).

SÃO FRANCISCO DO SUL. Prefeitura Municipal. Plano Diretor de Desenvolvimento Territorial de São Francisco do Sul. São Francisco do Sul: Secretaria de Meio Ambiente, 2019. (Seção sobre macrozoneamento ambiental, encostas e áreas de preservação permanente do ecossistema de Mata Atlântica).

TOMAZZELLI, Luiz José. O Cenário Geológico do Litoral Norte de Santa Catarina: Geomorfologia e dinâmicas de vertentes. 2. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2015. 245 p.

Este vídeo da reportagem da RICTV Record sobre as trilhas do Morro da Cruz em São Francisco do Sul mostra detalhadamente as características físicas, as pedras escorregadias de origem granítica e a história da cruz de madeira fixada a 150 metros de altitude no topo da elevação isolada.

domingo, 5 de julho de 2026

Uma análise sobre os Discursos sobre Igualdade de Gênero na Disputa Política Contemporânea Brasil: MiaComde faz críticas a esquerda por não defender posição igualitária, e neste campo a Michele surfou em narrativas psedofeministas, Figueiredo narrativas misógina

Esta análise sobre os discursos sobre igualdade de gênero na disputa política contemporânea brasileira, examinando como diferentes campos ideológicos constroem narrativas acerca do feminismo, da participação feminina e das relações entre homens e mulheres. Parte-se da hipótese de que tanto setores da direita quanto da esquerda podem mobilizar discursos que reforçam desigualdades de gênero, ainda que por fundamentos distintos. O estudo também discute o crescimento da participação de mulheres em movimentos conservadores e a utilização de discursos de empoderamento feminino em projetos políticos diversos. Como estudo de caso ilustrativo, analisa-se o debate público envolvendo declarações atribuídas à comentarista Mia Conde e sua leitura crítica sobre setores da esquerda, contextualizando esse episódio dentro da literatura acadêmica sobre polarização política e disputas simbólicas. A metodologia consiste em pesquisa bibliográfica, documental e análise qualitativa de discursos, fundamentada na Sociologia Política, nos Estudos de Gênero e na Análise do Discurso. Conclui-se que a promoção da igualdade de gênero exige superar reducionismo ideológicos e reafirmar princípios democráticos, igualdade de direitos e respeito à dignidade humana. A igualdade entre homens e mulheres seja tratada como valor transversal, avaliável por critérios substantivos — direitos, políticas públicas e resultados sociais mensuráveis — e não apenas pelo vocabulário empregado pelos diferentes campos políticos.

Palavras-chave: igualdade de gênero; feminismo; participação feminina; discursos políticos; polarização política; sociologia.


1 Introdução

A igualdade de gênero constitui um dos principais desafios das democracias contemporâneas. Embora avanços institucionais tenham ampliado os direitos das mulheres, permanecem desigualdades relacionadas à representação política, mercado de trabalho, violência de gênero e participação nos espaços de decisão.

No Brasil, a crescente polarização política transformou o debate sobre igualdade de gênero em objeto de intensa disputa ideológica. Diferentes grupos políticos disputam o significado do feminismo, da representação feminina e das políticas públicas voltadas às mulheres. Nesse contexto, discursos produzidos tanto por setores conservadores quanto progressistas frequentemente são utilizados como instrumentos de mobilização eleitoral.

Este estudo parte da hipótese de que a defesa da igualdade de direitos entre homens e mulheres não deve ser monopolizada por qualquer corrente ideológica. Ao contrário, trata-se de um princípio democrático universal cuja efetividade depende da capacidade de reconhecer e enfrentar manifestações de discriminação presentes em diferentes espaços políticos e sociais.


2 Narrativas ideológicas sobre feminismo, igualdade de gênero e misoginia

A literatura recente demonstra que movimentos conservadores têm desenvolvido novas formas de mobilização feminina, frequentemente articulando valores familiares, identidade moral e discursos de empoderamento compatíveis com agendas políticas de direita (Rocha; Sendretti, 2023).

Por outro lado, diversos estudos indicam que práticas de machismo também podem ocorrer em organizações progressistas, partidos de esquerda e movimentos sociais. Nesses casos, observa-se a permanência de relações desiguais de poder entre homens e mulheres, apesar do discurso favorável à igualdade.

Barros e Busanello (2019) demonstram que o machismo discursivo permanece presente inclusive em instituições democráticas, produzindo mecanismos simbólicos de silenciamento das mulheres.

Da mesma forma, Nana Queiroz (2018) argumenta que o machismo não constitui patrimônio exclusivo da direita política, podendo manifestar-se igualmente em organizações de esquerda.

Nesse cenário, debates públicos envolvendo figuras como Mia Conde ilustram como disputas discursivas podem questionar incoerências percebidas entre discursos igualitários e práticas políticas concretas. Tais episódios devem ser analisados criticamente, evitando generalizações sobre grupos políticos inteiros e distinguindo opiniões individuais de evidências sistemáticas.


3 A defesa da igualdade entre homens e mulheres

A igualdade de gênero deve fundamentar-se no princípio constitucional da igualdade perante a lei e no reconhecimento da dignidade da pessoa humana.

Sob perspectiva sociológica, igualdade não significa negar diferenças biológicas ou culturais, mas assegurar igualdade de oportunidades, direitos, participação política e proteção contra qualquer forma de discriminação.

Nesse sentido, políticas públicas voltadas à igualdade devem buscar reduzir desigualdades estruturais sem reproduzir novas formas de exclusão ou antagonismo entre homens e mulheres.

A literatura internacional evidencia que democracias mais igualitárias tendem a apresentar maior participação feminina, maior confiança institucional e menores índices de violência contra mulheres.

Assim, uma defesa consistente da igualdade exige criticar práticas misóginas independentemente da orientação ideológica dos atores envolvidos.


4 Debate e resultados

A revisão bibliográfica permite identificar quatro tendências principais.

Primeiramente, observa-se crescimento da participação feminina em movimentos conservadores, frequentemente associado à valorização da família, religiosidade e moralidade pública.

Em segundo lugar, estudos apontam que setores progressistas também enfrentam desafios relacionados à participação efetiva das mulheres em posições de liderança.

Terceiro, a polarização política favorece disputas simbólicas nas quais o feminismo é frequentemente apropriado como identidade partidária, dificultando debates mais amplos sobre igualdade de direitos.

Por fim, verifica-se que discursos políticos tendem a simplificar fenômenos complexos, reduzindo o debate público a antagonismos entre direita e esquerda, quando a realidade social apresenta maior diversidade de experiências.


5 Conclusão

Os resultados indicam que a igualdade de gênero constitui um princípio democrático que transcende disputas partidárias.

A literatura analisada demonstra que manifestações de machismo podem ocorrer em diferentes contextos políticos, tornando inadequada qualquer interpretação que atribua exclusivamente a determinado campo ideológico a responsabilidade por tais práticas.

A construção de uma sociedade mais igualitária depende do fortalecimento das instituições democráticas, da ampliação da participação feminina, do respeito aos direitos humanos e do enfrentamento de todas as formas de discriminação, independentemente de sua origem política.

Desse modo, o debate público sobre igualdade de gênero deve priorizar evidências científicas, pluralidade de perspectivas e compromisso com os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade humana.

A igualdade entre homens e mulheres seja tratada como valor transversal, avaliável por critérios substantivos — direitos, políticas públicas e resultados sociais mensuráveis — e não apenas pelo vocabulário empregado pelos diferentes campos políticos.

Referências 

BARROS, Antonio Teixeira de; BUSANELLO, Elisabete. Machismo discursivo: modos de interdição da voz das mulheres no parlamento brasileiro. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 27, n. 2, 2019.

CESTARI, Larissa. Esquerda, volver: o Movimento Nacionalista Feminino (1963-1964). Temporalidades, Belo Horizonte, v. 13, n. 1, 2021.

QUEIROZ, Nana. Machismo também é coisa de esquerda. Metrópoles, 2018.

REIS, Guilherme Simões. Neoliberalismo e autoritarismo nas extremas direitas: uma comparação entre o fascismo de Bolsonaro e o libertarismo de Milei. Revista Cronos, v. 26, n. 2, 2025.

ROCHA, Camila; SENDRETTI, Lilian. Mulheres de extrema-direita: empoderamento feminino e valorização moral da mulher. Caderno CRH, Salvador, v. 36, 2023.

A Step Back and to the Right: Gendered Backlash, Partisanship, and Cynicism in Brazil's Recent Reactionary Turn. Latin American Research Review, v. 58, n. 3, 2023.





domingo, 26 de abril de 2026

“Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14): o Ágape no Evangelho e sua expressão no Sermão da Montanha

A presente análise sobre o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14) à luz do conceito de ágape no Evangelho, estabelecendo uma articulação teológica, filosófica e epistemológica com o Sermão da Montanha. Por meio de revisão bibliográfica sistemático-narrativa, investiga-se a Encarnação como manifestação concreta do amor ágape e sua radicalização ética nas bem-aventuranças e nos ensinamentos de Jesus em Mateus 5–7. Argumenta-se que o ágape constitui uma categoria central para compreender tanto a presença de Deus na história quanto a ética cristã da alteridade, caracterizada pela gratuidade, pela não reciprocidade e pela universalidade. Conclui-se que o Sermão da Montanha representa a expressão normativa do ágape encarnado, orientando práticas sociais, espirituais e políticas fundamentadas na dignidade humana e na fraternidade.

Palavras-chave: Ágape. Encarnação. Sermão da Montanha. Evangelho de João. Ética cristã.


1 INTRODUÇÃO

O versículo joanino “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14) constitui uma das formulações mais densas da teologia cristã, ao expressar o mistério da Encarnação como presença concreta de Deus na história. Conforme analisado no material da Campanha da Fraternidade 2026 �, o verbo grego eskénosen indica que Deus “armou sua tenda” entre os seres humanos, assumindo sua realidade histórica e existencial. Essa presença não é neutra ou abstrata: ela se revela como amor — especificamente o amor ágape (ἀγάπη), compreendido como amor incondicional, gratuito e orientado ao outro �. No contexto do Novo Testamento, esse amor atinge sua expressão máxima nos ensinamentos éticos de Jesus, especialmente no Sermão da Montanha (Mt 5–7). O objetivo deste artigo é analisar a relação entre Encarnação, ágape e ética evangélica, demonstrando que o Sermão da Montanha constitui a normatividade prática do amor ágape encarnado.


2 A ENCARNAÇÃO COMO MANIFESTAÇÃO DO ÁGAPE

A teologia joanina apresenta a Encarnação como o ápice da revelação divina: Deus não apenas comunica sua vontade, mas participa da condição humana. Esse movimento pode ser interpretado como expressão radical do ágape, pois implica doação total sem exigência de reciprocidade.

Segundo a literatura especializada �, o ágape distingue-se de outras formas de amor (eros e philia) por sua natureza altruísta e universal. Nesse sentido, a Encarnação representa:


a gratuidade do amor divino

a proximidade com a fragilidade humana

a afirmação da dignidade do outro como fim em si mesmo

A análise da CF 2026 reforça essa perspectiva ao destacar que Cristo assume inclusive condições precárias de existência �, o que confere ao ágape uma dimensão social e histórica.

O versículo “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14) expressa a Encarnação como manifestação do amor ágape, caracterizado pela gratuidade e universalidade. 

No Evangelho, esse amor se concretiza na proximidade de Deus com a humanidade. 

O Sermão da Montanha traduz esse ágape em ética prática, especialmente no mandamento de amar até os inimigos.

 Trata-se de um amor que supera a reciprocidade e fundamenta a dignidade humana. Assim, o ágape encarnado orienta a vida cristã e as relações sociais.


3 O SERMÃO DA MONTANHA COMO ÉTICA DO ÁGAPE

O Sermão da Montanha (Mt 5–7) constitui o núcleo ético do Evangelho e pode ser interpretado como a tradução prática do ágape.


3.1 As bem-aventuranças e o amor aos vulneráveis

As bem-aventuranças (Mt 5,3-12) revelam uma inversão de valores, privilegiando pobres, mansos e perseguidos. Essa lógica rompe com a reciprocidade típica das relações sociais e estabelece uma ética fundada no ágape:

valorização do outro independentemente de mérito

centralidade dos excluídos

promessa de dignidade e justiça.


3.2 O amor aos inimigos

O ponto mais radical do Sermão da Montanha é a ordem:

“amai os vossos inimigos” (Mt 5,44).

Essa exigência expressa plenamente o ágape, pois elimina qualquer condição de troca ou retribuição. Trata-se de uma ética que transcende:

justiça retributiva

reciprocidade social

lógica de vingança

Como destacado na literatura �, o ágape não é emoção, mas decisão ética e disposição da vontade.


3.3 A perfeição como plenitude do amor

O imperativo “sede perfeitos” (Mt 5,48) deve ser compreendido como plenitude do amor ágape. A perfeição, nesse contexto, não é moralismo, mas capacidade de amar universalmente, à semelhança de Deus.


4 DIMENSÃO EPISTEMOLÓGICA DO ÁGAPE NO EVANGELHO

O ágape pode ser compreendido como categoria epistemológica, pois redefine a forma de conhecer o outro e o mundo.

Conforme discutido �:


o sujeito deixa de ser centrado no ego

emerge uma subjetividade aberta à alteridade

o conhecimento passa a ser relacional e ético

Essa perspectiva encontra eco na filosofia contemporânea, especialmente na ética da alteridade, onde o outro é reconhecido como prioridade moral.


5 IMPLICAÇÕES SOCIAIS E TEOLÓGICAS

A articulação entre Encarnação e ágape possui implicações concretas:


5.1 Dimensão social

A presença de Deus no mundo implica compromisso com:

justiça social

dignidade humana

superação das desigualdades

Como apontado na CF 2026, o ágape exige transformação estrutural da sociedade �.



5.2 Dimensão política

O amor ágape não se limita à esfera privada, mas orienta:

políticas públicas

defesa de direitos humanos

práticas comunitárias solidárias


5.3 Dimensão espiritual

O ágape redefine a espiritualidade cristã como:

prática concreta

relação com o outro

vivência ética cotidiana.


6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise desenvolvida permite afirmar que:

A Encarnação (Jo 1,14) constitui a manifestação histórica do ágape.

O Sermão da Montanha representa a normatividade ética desse amor.

O ágape configura uma categoria central para compreender a ética cristã, a subjetividade e a organização social.

Dessa forma, “Ele veio morar entre nós” não é apenas uma afirmação teológica, mas um paradigma ético: Deus se faz presente no mundo como amor que se doa, e esse amor exige ser vivido nas relações humanas, especialmente com os mais vulneráveis.


REFERÊNCIAS 

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2004.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.

BOBINEAU, Olivier. Ágape: o amor cristão como fundamento social. Revista de Estudos da Religião, São Paulo, v. 10, n. 3, p. 70-88, 2010.

BORCHARDT, Maiko Andreas. O amor ágape em 1 Coríntios 13. Vox Scripturae, v. 20, n. 2, 2012.

CNBB. Campanha da Fraternidade 2026: Texto-Base. Brasília: CNBB, 2026. �

CF2026_artigo_cientifico_ABNT.docx

FRANCISCO, Papa. Fratelli Tutti. São Paulo: Paulus, 2020.

LÉVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70, 2000.

OLIVEIRA, Stephan Malta. Sob a luz do amor. São Carlos: Pedro e João Editores, 2022.

QUADROS, Elton. Eros, philia e ágape. Acta Scientiarum, v. 33, n. 2, 2011.






sexta-feira, 17 de abril de 2026

🌱 HORTA AGROECOLÓGICA EM CLIMA SUBTROPICAL ÚMIDO Araquari – SC | Abril e Maio

 Para a horta agroecológica em Araquari–SC (abril e maio), devem ser compradas sementes de folhosas (alface, rúcula, couve), brássicas (brócolis, repolho), raízes (cenoura, beterraba) e aromáticas (salsinha, cebolinha). Também são necessários substrato fértil (húmus, composto orgânico), ferramentas básicas e materiais de irrigação. Incluem-se ainda plantas companheiras como calêndula e tagetes para controle biológico natural. O sistema prioriza biodiversidade, solo vivo e equilíbrio ecológico sem agrotóxicos.


1. INTRODUÇÃO

O clima subtropical úmido do litoral norte de Santa Catarina apresenta elevada umidade relativa, chuvas distribuídas ao longo do ano e temperaturas amenas no outono (abril–maio), criando condições ideais para o cultivo de hortaliças de clima frio e temperado. Nesse período, ocorre redução do estresse térmico e menor incidência de algumas pragas tropicais, favorecendo sistemas agroecológicos biodiversos.

Segundo estudos agronômicos, hortaliças folhosas e brássicas apresentam melhor desempenho em temperaturas médias entre 15 °C e 22 °C, comuns no outono sul-brasileiro, aumentando produtividade e qualidade nutricional.


2. O QUE PLANTAR EM ABRIL E MAIO (ARAQUARI–SC)

🌿 2.1 Hortaliças folhosas (ciclo rápido)

Alface (todas variedades)

Rúcula

Agrião

Espinafre

Almeirão

Chicória

Couve-manteiga

👉 Alta adaptabilidade ao clima úmido e rápido ciclo produtivo.


🥦 2.2 Brássicas (alta resistência ao frio)

Brócolis

Couve-flor

Repolho

Mostarda

👉 Crescimento favorecido por temperaturas amenas e maior acúmulo de biomassa.


🥕 2.3 Raízes (estruturação do solo)

Cenoura

Beterraba

Rabanete

Nabo

👉 Importantes para ciclagem de nutrientes e descompactação do solo.


🌿 2.4 Aromáticas e medicinais

Salsinha

Cebolinha

Coentro

Manjericão (em ambiente protegido)

Orégano

👉 Atuam como barreira biológica contra insetos.


🌱 2.5 Leguminosas (fixação de nitrogênio)

Ervilha

Feijão-vagem

👉 Melhoram fertilidade natural do solo via simbiose com rizóbios.


🌼 2.6 Plantas de biodiversidade funcional

Calêndula

Tagetes (cravo-de-defunto)

Capuchinha

Girassol

👉 Essenciais para equilíbrio ecológico da horta.


3. ENTOMOFAUNA DA HORTA (INSETOS AMIGOS E INIMIGOS)

🐞 3.1 INSETOS AMIGOS (BENÉFICOS)

🐝 Polinizadores

Abelhas nativas e africanizadas

Mamangavas

Borboletas

➡ Função: polinização e aumento da frutificação.

🐞 Predadores naturais

Joaninhas (Coccinellidae)

Crisopídeos (Chrysoperla spp.)

Louva-a-deus

Aranhas

➡ Função: controle de pulgões, cochonilhas e mosca-branca.

🪱 Decompositores do solo

Minhocas

Colêmbolos

Besouros detritívoros

➡ Função: formação de húmus e ciclagem de matéria orgânica.


🐛 3.2 INSETOS INIMIGOS (PRAGAS)

🍃 Sugadores

Pulgões (Aphididae)

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

Cochonilhas

Tripes

➡ Causam deformação e enfraquecimento vegetal.

🐛 Mastigadores

Lagartas (Pieris, Spodoptera)

Lesmas e caracóis

Besouros desfolhadores

➡ Provocam perda de área foliar.

🌱 Pragas de solo

Larvas de besouros (corós)

Nematóides fitoparasitas

➡ Danificam raízes e reduzem absorção de nutrientes.


4. INTERAÇÕES ECOLÓGICAS NA AGROECOSSISTEMA

A horta agroecológica funciona como um sistema de equilíbrio dinâmico entre:

🌿 Plantas cultivadas

🐞 Insetos benéficos

🐛 Pragas

🧪 Microorganismos do solo

O aumento da biodiversidade reduz surtos de pragas por meio de controle biológico natural, princípio central da agroecologia.


5. CONCLUSÃO

O cultivo de hortas agroecológicas em Araquari–SC durante abril e maio é altamente favorável devido às condições climáticas de temperatura amena e elevada umidade. A escolha correta de espécies vegetais, associada ao manejo da biodiversidade funcional e à preservação de insetos benéficos, promove maior estabilidade ecológica do sistema produtivo.

A integração entre plantas companheiras, controle biológico natural e diversidade de cultivos reduz significativamente a necessidade de insumos químicos, fortalecendo a sustentabilidade agrícola.


📚 REFERÊNCIAS (ABNT – 2023)

BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Manual de hortaliças: produção sustentável em clima subtropical. Brasília: MAPA, 2023.

EMBRAPA. Cultivo de hortaliças em clima temperado e subtropical. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2022.

ALTIERI, Miguel. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Porto Alegre: UFRGS, 2018.

GLIESSMAN, Stephen. Agroecology: ecological processes in sustainable agriculture. Boca Raton: CRC Press, 2015.

SANTOS, J. S. et al. Manejo ecológico de insetos em hortas agroecológicas. Revista Brasileira de Agroecologia, 2021.



Anexo


🧾 🌱 LISTA DE O QUE COMPRAR – HORTA AGROECOLÓGICA (ABRIL–MAIO)

🌿 1. SEMENTES (base produtiva da horta)

Essenciais para clima ameno e úmido:

🥬 Folhosas

Alface (crespa, lisa, americana)

Rúcula

Agrião

Almeirão

Chicória

Espinafre

Couve-manteiga

🥦 Brássicas (inverno/outono)

Brócolis

Couve-flor

Repolho

🥕 Raízes

Cenoura

Beterraba

Rabanete

Nabo

🌿 Aromáticas

Salsinha

Cebolinha

Coentro

Orégano

🌱 Leguminosas

Ervilha

Feijão-vagem

🌱 2. MUDAS (para acelerar produção)

Couve pronta (muda forte)

Alface em bandeja

Brócolis

Tomate (se quiser extensão de verão tardio)

Cebolinha em touceira

🌾 3. SUBSTRATO E SOLO (base da fertilidade)

Terra vegetal peneirada

Húmus de minhoca

Esterco curtido (bovino ou galinha bem compostado)

Compostagem orgânica pronta

Palha seca (cobertura morta)

👉 Função: aumentar microbiologia do solo e retenção de água.

🧪 4. CORREÇÃO E NUTRIÇÃO DO SOLO

Calcário dolomítico (corrigir acidez)

Fosfato natural (liberação lenta)

Farinha de ossos (fósforo natural)

Cinza vegetal (potássio)

🐞 5. CONTROLE BIOLÓGICO (INSETOS AMIGOS)

Calêndula (atrai joaninhas)

Tagetes / cravo-de-defunto (reduz nematoides)

Capuchinha (planta armadilha de pulgões)

Girassol (atrai polinizadores)

Coentro florido (atrai parasitoides)

🧰 6. FERRAMENTAS BÁSICAS

Pá de mão

Enxada pequena

Rastelo

Regador com peneira fina

Tesoura de poda

Balde ou carrinho de compostagem

💧 7. IRRIGAÇÃO (muito importante em clima úmido)

Mangueira com esguicho regulável

Sistema simples de gotejamento (opcional)

Garrafa PET furada (irrigação lenta)

🪵 8. ESTRUTURA DO CANTEIRO (se for 13 m x 0,90 m)

Madeira tratada ou tijolos ecológicos

Barbante para alinhamento

Estacas para divisão de canteiros

Cobertura de palha ou folhas secas

🧪 9. PROTEÇÃO NATURAL (sem agrotóxicos)

Calda de alho (repelente natural)

Calda de fumo (uso controlado)

Sabão neutro (controle de pulgões)

Óleo de neem (controle biológico leve)

🌿 RESUMO TÉCNICO (ESSENCIAL)

✔ Folhosas + brássicas = produção principal

✔ Raízes = estrutura e equilíbrio do solo

✔ Aromáticas + flores = controle biológico

✔ Solo rico em matéria orgânica = base do sistema

✔ Insetos não são eliminados, são regulados

Como queremos e como está 







quinta-feira, 16 de abril de 2026

MANEJO AGROECOLÓGICO DO MAMOEIRO (Carica papaya L.) EM HORTAS URBANAS NO CLIMA SUBTROPICAL ÚMIDO DO LITORAL NORTE CATARINENSE

O cultivo do mamoeiro (Carica papaya L.) em ambientes urbanos apresenta elevado potencial produtivo quando associado a práticas agroecológicas e planejamento espacial adequado. Este estudo analisa o manejo do mamoeiro em consórcio com hortaliças, considerando condições de insolação parcial, características edafoclimáticas do litoral norte catarinense e estratégias de mitigação de estresses térmicos. Os resultados indicam que o sucesso produtivo depende da adequada adubação orgânica, espaçamento, escolha da época de plantio e uso de consórcios com culturas de ciclo curto e tolerantes à meia-sombra.

Palavras-chave: agroecologia; mamão; horta urbana; consórcio agrícola; clima subtropical.


1. Introdução

O mamoeiro é uma cultura tropical amplamente cultivada no Brasil, exigindo temperaturas elevadas, boa luminosidade e solos férteis. Em regiões de clima subtropical úmido, como o litoral norte de Santa Catarina, o cultivo enfrenta limitações relacionadas à redução térmica no inverno e à menor incidência solar em áreas urbanas sombreadas.

A agricultura urbana surge como alternativa sustentável, exigindo adaptações técnicas como consórcios, manejo do solo e estratégias microclimáticas.


2. Condições edafoclimáticas e época de plantio

O clima subtropical úmido apresenta:

  • Alta umidade relativa
  • Chuvas bem distribuídas
  • Invernos amenos, porém com eventuais quedas térmicas

A melhor época de plantio do mamoeiro é:

  • Primavera (setembro a novembro) – ideal
  • Verão inicial (dezembro) – viável
  • Outono/inverno – não recomendado (crescimento reduzido)

3. Manejo do solo e adubação

O mamoeiro exige solos:

  • Profundos
  • Bem drenados
  • Ricos em matéria orgânica

3.1 Preparo da cova

Dimensões recomendadas:

  • 50 x 50 x 50 cm

Adubação de base:

  • 15–20 kg de esterco curtido
  • 200 g de fósforo
  • Correção com calcário, se necessário

3.2 Adubação de cobertura

  • Frequência: 30–45 dias
  • NPK ou adubação orgânica
  • Complementação com potássio (cinzas)

4. Espaçamento e desenvolvimento

  • Espaçamento ideal: 2 a 3 metros entre plantas
  • Início da produção: 6 a 9 meses
  • Pico produtivo: 9 a 12 meses

Plantas jovens (ex.: 15 cm) podem ter crescimento reduzido no inverno.


5. Consórcio agroecológico

O consórcio melhora:

  • Uso do espaço
  • Fertilidade do solo
  • Controle de pragas

5.1 Culturas recomendadas

  • Ciclo curto: alface, rúcula, coentro (30–45 dias)
  • Folhosas: couve, espinafre (60–90 dias)
  • Leguminosas: feijão, crotalária (fixação de nitrogênio)
  • Cobertura: abóbora, amendoim

5.2 Culturas não recomendadas

  • Tomate, batata e pimentão (alta exigência solar e doenças comuns)

6. Influência da luminosidade

O mamoeiro necessita:

  • Mínimo de 6 horas de sol

Em áreas com sol apenas pela manhã:

  • Crescimento reduzido
  • Recomenda-se posicionamento em áreas com sol da tarde no inverno

7. Proteção contra frio e geadas

Embora raras, geadas podem afetar o desenvolvimento.

Técnicas de proteção:

  • Cobertura com manta térmica
  • Uso de palhada (mulching)
  • Plantio próximo a muros (retenção de calor)
  • Quebra-ventos naturais
  • Irrigação pré-frio

8. Sistema de produção em horta urbana

O modelo ideal inclui:

  • Canteiros elevados
  • Sistema de irrigação por gotejamento
  • Treliças verticais (maracujá)
  • Distribuição por zonas de luminosidade

9. Resultados e discussão

Observa-se que:

  • O consórcio otimiza o uso do espaço urbano
  • O inverno retarda o desenvolvimento, mas não inviabiliza o cultivo
  • A exposição solar é o principal fator limitante

10. Conclusão

O cultivo do mamoeiro em hortas urbanas no litoral norte catarinense é viável, desde que sejam adotadas práticas de manejo adaptadas ao clima subtropical. O uso de consórcios, adubação orgânica e estratégias de proteção térmica são fundamentais para garantir produtividade e sustentabilidade.


Referências (ABNT 2023)

BRASIL. Ministério da Agricultura. Manual de cultivo do mamoeiro. Brasília: MAPA, 2020.

EMBRAPA. Mamão: produção e manejo. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2018.

FILGUEIRA, F. A. R. Novo manual de olericultura. 3. ed. Viçosa: UFV, 2013.

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico do solo. São Paulo: Nobel, 2016.

SOUZA, J. L.; RESENDE, P. Manual de horticultura orgânica. 2. ed. Viçosa: Aprenda Fácil, 2014.







quarta-feira, 15 de abril de 2026

Conceitos Teóricos Sociológicos Científicos Especializados Relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e seus Resultados em Práticas Socioambientais

A presente análise sobre a relação entre conceitos sociológicos clássicos e contemporâneos e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas. A pesquisa fundamenta-se em referenciais teóricos da Sociologia, destacando autores como Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber, articulando-os com práticas socioambientais sustentáveis. A metodologia baseia-se em revisão bibliográfica e análise qualitativa. Os resultados indicam que a aplicação dos conceitos sociológicos contribui significativamente para a implementação eficaz dos ODS, promovendo transformação social, redução das desigualdades e sustentabilidade ambiental.

Palavras-chave: Sociologia; ODS; Sustentabilidade; Práticas Sociais.


1 Introdução

A crescente complexidade dos problemas sociais e ambientais exige abordagens interdisciplinares que articulem teoria e prática. Nesse contexto, a Sociologia desempenha papel fundamental ao analisar estruturas sociais, desigualdades e comportamentos coletivos. Paralelamente, os ODS propõem metas globais voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Este estudo busca responder: como os conceitos sociológicos podem ser aplicados na implementação prática dos ODS?


2 Fundamentação Teórica

2.1 Sociologia e Estrutura Social

Segundo Émile Durkheim, os fatos sociais exercem influência sobre os indivíduos, moldando comportamentos coletivos. Essa perspectiva é essencial para compreender práticas sustentáveis como fenômenos sociais.

Para Karl Marx, a desigualdade estrutural é resultado das relações de produção, sendo diretamente relacionada a problemas abordados pelos ODS, como pobreza e exclusão social.

Já Max Weber destaca a ação social como elemento central, permitindo compreender a responsabilidade individual e coletiva nas práticas sustentáveis.


2.2 ODS e Sustentabilidade

Os ODS, definidos pela Organização das Nações Unidas, constituem uma agenda global composta por 17 objetivos que visam erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e promover o bem-estar social.

Destacam-se:

ODS 4 – Educação de Qualidade

ODS 10 – Redução das Desigualdades

ODS 12 – Consumo Responsável

ODS 13 – Ação Climática


2.3 Relação entre Sociologia e ODS

A conexão entre teoria sociológica e ODS ocorre na análise das estruturas sociais que geram problemas ambientais e sociais. Autores como Pierre Bourdieu evidenciam como desigualdades são reproduzidas, enquanto Jean Baudrillard analisa o consumo simbólico, diretamente relacionado ao ODS 12.


3 Metodologia

A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória, baseada em revisão bibliográfica. Foram analisadas obras clássicas da Sociologia e documentos oficiais dos ODS, buscando estabelecer relações teórico-práticas.


4 Resultados e Discussão

A análise demonstrou que os conceitos sociológicos permitem compreender e transformar práticas sociais relacionadas aos ODS.

Exemplo aplicado:

ODS 12 (Consumo Responsável)

Base teórica: consumo simbólico (Baudrillard)

Prática: compostagem e redução de resíduos

Impactos observados:

Mudança de comportamento coletivo

Redução do desperdício

Fortalecimento da consciência ambiental

Além disso, práticas comunitárias baseadas na teoria sociológica contribuem para a efetivação dos ODS em nível local.


5 Considerações Finais

Conclui-se que a Sociologia oferece instrumentos fundamentais para a compreensão e aplicação dos ODS. A articulação entre teoria e prática possibilita intervenções sociais mais eficazes e sustentáveis, promovendo transformação estrutural e melhoria da qualidade de vida.


Referências (ABNT 2023)

BOURDIEU, Pierre. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992.

BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2013.

WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 1999.

Organização das Nações Unidas. Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 2015.






AUTONOMIA, INTERCULTURALIDADE E ECODESENVOLVIMENTO: UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA E CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS DE OSNI VALFREDO WAGNER

A presente análise sobre a trajetória acadêmica, científica e pedagógica de Osni Valfredo Wagner, destacando suas contribuições para os campos da sociologia ambiental, educação crítica, ecodesenvolvimento e estudos decoloniais. A pesquisa fundamenta-se em abordagem qualitativa, com base documental em currículo acadêmico e produção bibliográfica do autor. Evidencia-se que sua obra articula categorias centrais como autonomia, desenvolvimento territorial, interculturalidade e antirracismo, propondo uma epistemologia interdisciplinar orientada pela pesquisa-ação participante. Conclui-se que suas contribuições são relevantes para a construção de práticas educativas críticas e sustentáveis, alinhadas às demandas contemporâneas da justiça socioambiental.

Palavras-chave: Autonomia; Ecodesenvolvimento; Interculturalidade; Sociologia Ambiental; Educação Crítica.


1. Introdução

As transformações socioambientais contemporâneas exigem novas abordagens teóricas e metodológicas capazes de integrar dimensões sociais, culturais, econômicas e ecológicas. 

Nesse contexto, destaca-se a produção científica de Osni Valfredo Wagner, cuja trajetória articula ensino, pesquisa e extensão no campo das ciências sociais aplicadas à educação e ao meio ambiente.

O objetivo é analisar criticamente suas contribuições teóricas e práticas, evidenciando sua relevância para a construção de uma perspectiva interdisciplinar e emancipatória do conhecimento.

Em anexos foto com Engenheiro Agrônomo Alexandre Felipe Cordeiro que explicou a compostagem orgânica modelo de Florianópolis como prática socioambiental articulada ao ecodesenvolvimento e à educação crítica. A partir de atividades de campo, observou-se a aplicação do método de leiras, amplamente difundido em experiências acadêmicas. O engenheiro agrônomo Alexandre destacou a importância da decomposição controlada de resíduos orgânicos na produção de adubo. Tal processo contribui significativamente para a redução de resíduos sólidos urbanos. Além disso, fortalece práticas sustentáveis em contextos educativos e comunitários. A interação entre conhecimento técnico e saberes locais evidencia a relevância da interdisciplinaridade. 

Nesse sentido, a pesquisa-ação participante se apresenta como metodologia fundamental. A prática analisada também dialoga com princípios da sustentabilidade e justiça socioambiental. 

Observa-se, ainda, seu potencial pedagógico na formação de sujeitos críticos. Assim, a compostagem configura-se como ferramenta estratégica para transformação social e ambiental.


2. Metodologia

A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, baseada em análise documental. Foram examinados dados do currículo acadêmico, produções bibliográficas e projetos de pesquisa desenvolvidos pelo autor �.osni_valfredo_wagner_biografia.docx

A abordagem teórica fundamenta-se na análise interpretativa das categorias centrais presentes em sua obra.


3. Trajetória Acadêmica e Intelectual

Osni Valfredo Wagner possui formação em Ciências Sociais, especialização em políticas agrárias e mestrado em Desenvolvimento Regional. Sua trajetória profissional inclui atuação como professor, pesquisador e coordenador de projetos interdisciplinares voltados à educação básica e ao desenvolvimento territorial �.osni_valfredo_wagner_biografia.docx

Sua produção científica evidencia forte articulação entre teoria e prática, característica marcante da pesquisa-ação participante.


4. Fundamentos Teóricos da Obra

4.1 Autonomia e Emancipação

A autonomia constitui categoria central em sua produção, sendo compreendida como condição fundamental para a emancipação humana. Inspirado por correntes do pensamento crítico, o autor relaciona autonomia à liberdade política e à construção coletiva do conhecimento.


4.2 Desenvolvimento Territorial e Ecodesenvolvimento

O conceito de desenvolvimento territorial aparece como eixo estruturante, sendo articulado ao ecodesenvolvimento, que integra dimensões econômicas, sociais e ambientais. Essa perspectiva supera visões reducionistas de crescimento econômico, propondo sustentabilidade integrada.


4.3 Sociologia Ambiental

A sociologia ambiental desenvolvida pelo autor analisa a relação entre sociedade e natureza, enfatizando impactos socioambientais, vulnerabilidade e gestão de recursos naturais. Tal abordagem contribui para diagnósticos territoriais críticos.


4.4 Interdisciplinaridade e Pesquisa-Ação

A interdisciplinaridade é tratada como exigência epistemológica. A pesquisa-ação participante destaca-se como metodologia central, permitindo a construção coletiva do conhecimento e a intervenção social.


4.5 Interculturalidade e Descolonialidade

Em sua produção mais recente, o autor incorpora perspectivas decoloniais, enfatizando o diálogo entre saberes científicos e saberes originários. A interculturalidade é compreendida como estratégia de enfrentamento das desigualdades estruturais e do racismo.


5. Educação, Sustentabilidade e Transformação Social

A contribuição de Wagner para a educação está centrada na construção de práticas pedagógicas críticas e contextualizadas. Seus projetos abordam temas como:

culturas alimentares juvenis

educação ambiental

saberes tradicionais

justiça socioambiental

Essas iniciativas reforçam a importância da escola como espaço de transformação social e produção de conhecimento.


6. Discussão

A análise evidencia que a obra de Wagner se insere no campo das epistemologias críticas latino-americanas. Sua abordagem dialoga com:

ecodesenvolvimento

educação popular

pensamento decolonial

Sua principal contribuição reside na integração entre teoria e prática, promovendo uma ciência comprometida com a transformação social.


7. Considerações Finais

Conclui-se que Osni Valfredo Wagner apresenta uma produção científica relevante e consistente, marcada pela interdisciplinaridade e pelo compromisso com a justiça social e ambiental.

Sua obra contribui significativamente para:

o fortalecimento da educação crítica

a construção de práticas sustentáveis

o avanço das epistemologias decoloniais

Recomenda-se a ampliação de estudos sobre sua produção, especialmente no contexto das políticas públicas educacionais e ambientais.


Referências (ABNT– 2023)

WAGNER, O. V. Mobilização para o desenvolvimento territorial: construção de pacto territorial a partir de projetos de ação coletiva. 2013. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional) — Fundação Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, 2013.

WAGNER, O. V. Cooperativas na agricultura familiar: um estudo de caso do Vale do Itajaí. 2004. Monografia (Especialização) — Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2004.

WAGNER, O. V.; SILVA, M. A. Multiculturalismo. Indaial: UNIASSELVI, 2010.

NONNA, S.; WAGNER, O. V. La transición del Estado a sociedad ambiental. In: SICDES, 2016.

WAGNER, O. V. A educação integral, saberes originários e científicos. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL, 2016.

SOUZA, C. M. M. et al. Processo de desenvolvimento territorial a partir dos modos de vida no campo. In: BIENAL, 2012.

SANTOS, D.; SOUZA, C. M. de M. Educação para o ecodesenvolvimento no ensino básico. Revista da FAEEBA, 2018.

WAGNER, O. V. Currículo Lattes. CNPq, 2025. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2353762318605812⁠ �. Acesso em: 15 abr. 2026.

Anexo A




Professor Osni Wagner com Engenheiro Agrônomo Alexandre EEB Professora Claurinice Vieira Caldeira, São Francisco do Sul 13/04/26.


Atividade in loco

A prática da compostagem em leiras, conforme apresentada na atividade de campo, evidencia a articulação entre conhecimento científico e práticas sustentáveis, alinhando-se às perspectivas do ecodesenvolvimento e da educação ambiental crítica. Alexandre Felipe Cordeiro explicou sobre a leira de compostagem orgânica que surgiu da UFSC.


Leira de compostagem 


WAGNER, O. V. Leira de compostagem: fundamentos. 2026. Disponível em: https://dialogossobrelibertacao.blogspot.com/2026/04/leira-de-compostagem-fundamentos.html⁠�. Acesso em: 15 abr. 2026.