quinta-feira, 26 de março de 2026

DOCÊNCIA, FORMAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: UMA ANÁLISE DA OBRA “ENSINAMENTOS DA DODISCÊNCIA, V.1”

A presente arnálise sobre a obra Ensinamentos da dodiscência, v.1, destacando suas contribuições para a formação docente e para a compreensão das múltiplas dimensões da prática pedagógica. A coletânea reúne diferentes autores que abordam temas fundamentais da docência, como formação inicial, gestão escolar, avaliação, planejamento e questões étnico-raciais. A pesquisa é de natureza bibliográfica e fundamenta-se em referenciais teóricos como Paulo Freire, Maurice Tardif e Antônio Nóvoa. Conclui-se que a obra contribui significativamente para a construção de uma prática docente crítica, reflexiva e socialmente comprometida.

Palavras-chave: docência; formação de professores; práticas pedagógicas; educação crítica; ensino.


1. Introdução

A formação docente constitui um dos pilares fundamentais para a qualidade da educação. Nesse contexto, a obra Ensinamentos da dodiscência, v.1 apresenta-se como uma coletânea que articula teoria e prática, reunindo experiências e reflexões sobre o cotidiano escolar.

O conceito de “dodiscência” remete à indissociabilidade entre ensinar e aprender, perspectiva fortemente influenciada pelo pensamento de Paulo Freire, que compreende a educação como prática dialógica e emancipatória.


2. Formação inicial e identidade docente

Os capítulos iniciais da obra abordam a formação inicial de professores, destacando os desafios enfrentados por licenciandos e profissionais em início de carreira. Segundo Antônio Nóvoa, a identidade docente é construída ao longo da trajetória profissional, sendo marcada por experiências, saberes e práticas.

A coletânea evidencia que a formação docente vai além do domínio técnico, envolvendo dimensões éticas, políticas e sociais.


3. Saberes docentes e prática pedagógica

A diversidade de temas abordados — como planejamento, avaliação, gestão escolar e uso de materiais didáticos — revela a complexidade da prática docente. De acordo com Maurice Tardif, os saberes docentes são plurais e resultam da articulação entre conhecimentos acadêmicos, გამოცდილ experienciais e curriculares.

Nesse sentido, a obra contribui para a compreensão da docência como prática situada, dinâmica e em constante construção.


4. Dimensão política da docência

A presença de temas como posicionamento político, autoridade docente e questões de gênero evidencia o caráter político da educação. Para Paulo Freire, não existe neutralidade na prática educativa, sendo o ensino um ato político que pode tanto reproduzir quanto transformar a realidade social.

A obra reforça a necessidade de uma postura crítica por parte dos educadores, comprometida com a justiça social e a democratização do ensino.


5. Diversidade e educação inclusiva

Os capítulos que abordam questões étnico-raciais e de gênero destacam a importância de uma educação inclusiva e plural. Tais discussões estão alinhadas com as diretrizes educacionais brasileiras e com a necessidade de enfrentamento das desigualdades históricas presentes no sistema educacional.

A coletânea aponta caminhos para a construção de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e promovam a equidade.


6. Desafios do cotidiano escolar

Temas como indisciplina, sono em sala de aula, relação professor-aluno e organização das turmas refletem desafios concretos enfrentados pelos docentes. A obra demonstra que esses aspectos fazem parte da realidade escolar e exigem estratégias pedagógicas sensíveis e contextualizadas.

Assim, a prática docente é apresentada como um processo complexo que demanda მუდმ reflexão e adaptação.


7. Considerações finais

Conclui-se que Ensinamentos da dodiscência, v.1 constitui uma importante contribuição para o campo da educação, ao reunir diferentes perspectivas sobre a docência e promover uma reflexão crítica sobre o ensino.

A obra reafirma a importância de uma formação docente contínua, baseada na articulação entre teoria e prática, e comprometida com a transformação social.


Referências 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

NÓVOA, Antônio. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. [S.l.]: [s.n.], 2023.

OLIVEIRA, Rafaela Reis A. de. Formação inicial docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

SANTOS, Marlon Alexandre dos. Concurso e contrato docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ARAÚJO, Victor Gabriel Santos de Matos. Sistema de ensino. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ROCHA, Lara Polisseni. Gestão escolar. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ESPERANÇA, Marcos Cesca. Conselho de classe. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

MACHADO, Pedro Henrique Reis. Enturmação. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

RAYMUNDO, Jonas Gleison Antunes. Posicionamento político docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

COSTA, Rafael Neves da. Autoridade docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

SILVA, Fernanda Gabriela Dias da. Relação professor-aluno. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

NETO, José Portes da Silva. Indisciplina escolar. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

RODRIGUES, Maria Fernanda da Silva. Licenciatura. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

CAMPOS, Fernanda de Almeida. Avaliação da aprendizagem. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

SANTOS, Izabella Azevedo dos. Planejamento pedagógico. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ASSIS, Lunária Ferreira de. Material didático. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

CRUZ, Marcela Santana Félix da. Questões de gênero. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

CAMPOS, Rafael de Medeiros. Aprofundamento teórico. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

PRIMO, Thiago Almeida Apolinário. Questões étnico-raciais. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.





EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NO BRASIL: LETRAMENTO RACIAL, ANCESTRALIDADE E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS TRANSFORMADORAS

A presente análise sobre  a centralidade da educação antirracista no contexto escolar brasileiro, a partir da obra coletiva desenvolvida no âmbito da Universidade Federal do Norte do Tocantins. O livro reúne três produções: Cartilha Afrocentrada: Letramento racial como estratégia de reexistência, Heranças Ancestrais: Livro Ilustrado e Cartilha Pedagógica Inclusiva e Antirracista. A pesquisa adota abordagem bibliográfica e qualitativa, fundamentando-se em autores como Kabengele Munanga, Nilma Lino Gomes e Paulo Freire. Argumenta-se que o letramento racial e a valorização da ancestralidade constituem estratégias fundamentais de enfrentamento ao racismo estrutural. Conclui-se que práticas pedagógicas antirracistas contribuem para a construção de uma educação emancipatória e socialmente comprometida.

Palavras-chave: educação antirracista; letramento racial; ancestralidade; inclusão; práticas pedagógicas.


1. Introdução

A educação brasileira tem sido historicamente marcada por desigualdades raciais que refletem a herança colonial e escravocrata. Nesse contexto, a implementação das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08 representa um avanço significativo ao tornar obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.

A obra analisada, produzida no âmbito da Universidade Federal do Norte do Tocantins, emerge como resposta a essa demanda, reunindo práticas pedagógicas, reflexões críticas e experiências educativas comprometidas com a transformação social.


2. Educação antirracista e letramento racial

A Cartilha Afrocentrada: Letramento racial como estratégia de reexistência, de Marina Resplandes da Costa, propõe o letramento racial como ferramenta de conscientização crítica e resistência. Tal perspectiva dialoga com Kabengele Munanga, que enfatiza a necessidade de desconstrução das ideologias racistas presentes na sociedade.

O letramento racial permite aos sujeitos compreenderem as dinâmicas do racismo estrutural, promovendo a valorização da identidade e da diversidade cultural.


3. Ancestralidade e tradição oral na educação

A obra Heranças Ancestrais, de Gabriel Cavalcante Júnior, destaca a importância da tradição oral como elemento formador da identidade cultural. A ancestralidade é compreendida como fundamento epistemológico e pedagógico, contribuindo para a construção de saberes plurais.

Essa abordagem dialoga com Nilma Lino Gomes, que defende a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas no currículo escolar como forma de resistência e reconhecimento histórico.


4. Práticas pedagógicas inclusivas e legislação educacional

A Cartilha Pedagógica Inclusiva e Antirracista, elaborada por Jemima Marinho Abreu e Jailma Ribeiro Marinho, apresenta estratégias concretas para a implementação das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08.

Essas práticas incluem a revisão crítica de livros didáticos, a inserção de conteúdos sobre povos originários e a valorização da história afro-brasileira. Tais propostas estão alinhadas com o pensamento de Paulo Freire, que compreende a educação como prática de liberdade e transformação social.


5. Educação como reexistência

A articulação entre as três produções evidencia que educar é também um ato de “reexistir”, ou seja, resistir e reconstruir identidades historicamente marginalizadas. A educação antirracista, nesse sentido, não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve a construção de novas práticas sociais e pedagógicas.

Essa perspectiva reforça o papel da escola como espaço de transformação, capaz de enfrentar o racismo e promover a equidade.


6. Considerações finais

Conclui-se que a obra analisada constitui uma contribuição relevante para o campo da educação, ao integrar teoria e prática na promoção de uma educação antirracista. O letramento racial, a valorização da ancestralidade e as práticas pedagógicas inclusivas configuram-se como elementos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

Dessa forma, reafirma-se a importância de políticas educacionais e práticas docentes comprometidas com a diversidade e a justiça social.


Referências 

ABREU, Jemima Marinho; MARINHO, Jailma Ribeiro. Cartilha pedagógica inclusiva e antirracista: boas práticas para a implementação das leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08. Tocantins: UFNT, 2023.

COSTA, Marina Resplandes da. Cartilha afrocentrada: letramento racial como estratégia de reexistência. Tocantins: UFNT, 2023.

CAVALCANTE JÚNIOR, Gabriel. Heranças ancestrais: livro ilustrado. Tocantins: UFNT, 2023.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2004.

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008.



O MARXISMO COMO TEORIA CRÍTICA E EXPRESSÃO HISTÓRICA DO PROLETARIADO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE NILDO VIANA

A presente análise tem como objetivo analisar o conceito de marxismo a partir da obra O que é marxismo?, de Nildo Viana, destacando sua proposta de compreensão do marxismo como teoria crítica vinculada à luta histórica do proletariado. A pesquisa adota abordagem bibliográfica, fundamentando-se em autores clássicos como Karl Marx, Georg Lukács e Karl Korsch. Argumenta-se que o marxismo não deve ser reduzido a doutrina ou ideologia, mas compreendido em sua dimensão histórico-dialética e emancipatória. Conclui-se que a perspectiva de Viana contribui significativamente para a distinção entre teoria revolucionária e suas formas ideologizadas.

Palavras-chave: marxismo; teoria crítica; luta de classes; materialismo histórico; ideologia.


1. Introdução

O marxismo constitui uma das correntes teóricas mais influentes das Ciências Sociais e da Filosofia política. No entanto, sua interpretação tem sido frequentemente marcada por leituras simplificadoras, dogmáticas ou ideologizadas. Nesse contexto, a obra O que é marxismo?, de Nildo Viana, propõe uma revisão crítica desse campo, buscando apreender sua essência a partir de uma abordagem materialista histórico-dialética.

O objetivo deste artigo é analisar essa proposta teórica, evidenciando sua relevância para a compreensão do marxismo enquanto expressão histórica do proletariado e instrumento de transformação social.


2. O marxismo para além da vulgarização

Segundo Nildo Viana, o marxismo não pode ser reduzido a um sistema fechado de ideias ou a uma doutrina política rígida. Tal redução compromete sua natureza crítica e histórica. O autor destaca que muitas interpretações do marxismo resultaram em formas ideológicas que distorcem seu conteúdo original.

Essa crítica dialoga diretamente com o pensamento de Karl Marx, para quem a teoria deve estar vinculada à prática social e à transformação das condições materiais de existência. Assim, o marxismo deve ser compreendido como um processo dinâmico e não como um corpo dogmático.


3. Materialismo histórico-dialético e análise do marxismo

A principal contribuição de Nildo Viana reside na aplicação do método materialista histórico-dialético ao próprio marxismo. Isso implica compreender o marxismo como produto histórico, condicionado pelas relações sociais e pelas lutas de classes.

Essa perspectiva encontra respaldo em Georg Lukács, que enfatiza a centralidade da totalidade e da consciência de classe, e em Karl Korsch, que defende a inseparabilidade entre teoria e prática revolucionária.


4. Marxismo como expressão do proletariado

Um dos pontos centrais da obra analisada é a definição do marxismo como expressão teórica do proletariado em sua luta contra o capitalismo. Essa concepção rompe com a ideia de neutralidade científica, reafirmando o caráter político e histórico da teoria.

Para Karl Marx, a luta de classes constitui o motor da história. Nesse sentido, o marxismo emerge como instrumento de compreensão e transformação da realidade social, articulando teoria e prática revolucionária.


5. A crítica aos “marxismos”

A partir dessa definição, Nildo Viana critica a proliferação de diferentes “marxismos”, que muitas vezes se afastam de seu núcleo teórico original. Entre eles, destacam-se as interpretações social-democratas e bolcheviques, que, segundo o autor, tendem a institucionalizar e neutralizar o potencial revolucionário da teoria.

Essa análise permite distinguir entre o marxismo como teoria crítica e suas formas ideológicas, que frequentemente servem à manutenção da ordem social.


6. Atualidade do marxismo

Apesar das transformações históricas do capitalismo, o marxismo permanece atual como ferramenta de análise crítica. A obra de Nildo Viana reafirma essa актуalidade ao demonstrar que as contradições fundamentais do capitalismo — exploração, desigualdade e alienação — continuam presentes.

Assim, o marxismo mantém sua relevância tanto no campo acadêmico quanto nas lutas sociais contemporâneas.


7. Considerações finais

Conclui-se que a obra O que é marxismo? oferece uma contribuição significativa para o debate teórico contemporâneo ao propor uma definição rigorosa e não dogmática do marxismo. Ao compreendê-lo como expressão histórica do proletariado, Nildo Viana resgata seu caráter crítico e emancipatório.

Dessa forma, o marxismo é reafirmado não como doutrina estática, mas como teoria viva, inseparável da prática social e das lutas históricas por transformação.


Referências 

VIANA, Nildo. O que é marxismo? Goiânia: Edições Germinal, 2023.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.

LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

KORSCH, Karl. Marxismo e filosofia. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

BODART, Cristiano. Produção sociológica contemporânea e ensino de sociologia no Brasil. Maceió: EDUFAL, 2020.




Da alfabetização ao letramento sociológico: fundamentos, práticas e desafios no ensino de Sociologia no ensino médio brasileiro

a presente análise sobre os fundamentos teóricos e metodológicos da alfabetização e do letramento sociológico no ensino médio, a partir das contribuições de Cristiano Bodart. Discute-se a consolidação da Sociologia escolar no Brasil nas últimas décadas e o papel da produção didática na qualificação do ensino. A pesquisa, de natureza bibliográfica, enfatiza a importância da desnaturalização, da construção de códigos sociológicos e da formação crítica dos estudantes. Conclui-se que a articulação entre alfabetização e letramento sociológico constitui elemento central para o desenvolvimento de uma pedagogia crítica e reflexiva no ensino de Sociologia.

Palavras-chave: Sociologia escolar; alfabetização sociológica; letramento sociológico; ensino médio; pedagogia crítica.


1. Introdução

A inserção da Sociologia como disciplina obrigatória no ensino médio brasileiro impulsionou a produção de materiais didáticos e reflexões pedagógicas voltadas à sua prática docente. Nesse contexto, destaca-se a contribuição de Cristiano Bodart, cuja obra sistematiza conceitos fundamentais para o ensino da Sociologia escolar.

A proposta de distinguir e articular alfabetização e letramento sociológico emerge como resposta às demandas contemporâneas de formação crítica, superando práticas meramente conteudistas e promovendo a autonomia intelectual dos estudantes.


2. Fundamentos da alfabetização sociológica

A alfabetização sociológica refere-se ao domínio inicial dos códigos linguísticos próprios da Sociologia, permitindo ao estudante compreender conceitos, categorias e teorias fundamentais da área.

Esse processo envolve:

  • A apropriação do vocabulário sociológico;
  • A compreensão da arbitrariedade dos conceitos;
  • O desenvolvimento da capacidade de desnaturalização da realidade social.

A desnaturalização constitui um dos pilares da Sociologia, possibilitando ao estudante questionar aquilo que se apresenta como dado ou “natural”, reconhecendo sua construção histórica e social.


3. Letramento sociológico e formação crítica

O letramento sociológico amplia o processo de alfabetização ao incorporar a capacidade de aplicar os conhecimentos sociológicos na interpretação da realidade social.

Nesse sentido, o estudante passa a mobilizar diferentes perspectivas teóricas, tais como:

  • Materialismo histórico-dialético;
  • Sociologia compreensiva;
  • Funcionalismo;
  • Abordagens praxiológicas e estruturais.

O letramento sociológico promove a formação de um sujeito crítico, capaz de interpretar fenômenos sociais de forma complexa e fundamentada.


4. Articulação entre alfabetização e letramento sociológico

A relação entre alfabetização e letramento sociológico é dialética e complementar. Enquanto a alfabetização fornece os instrumentos conceituais básicos, o letramento permite sua aplicação prática e reflexiva.

Essa articulação se concretiza por meio:

  • Da progressividade no ensino;
  • Da contextualização dos conteúdos;
  • Da integração entre teoria e prática;
  • Da construção de esquemas sociológicos.

Tal perspectiva contribui para um ensino mais significativo e alinhado às necessidades formativas dos estudantes.


5. Práticas pedagógicas no ensino de Sociologia

A aplicação da alfabetização e do letramento sociológico em sala de aula requer metodologias ativas e reflexivas, tais como:

  • Análise de situações cotidianas;
  • Debates e problematizações;
  • Estudos de caso;
  • Produção de textos críticos.

O papel do docente é central nesse processo, atuando como mediador do conhecimento e incentivador do pensamento crítico.


6. Desafios e limites

Apesar dos avanços, o ensino de Sociologia enfrenta desafios significativos, incluindo:

  • Falta de formação continuada de professores;
  • Escassez de materiais didáticos adequados;
  • Pressões curriculares e institucionais;
  • Desvalorização da disciplina no contexto escolar.

Tais obstáculos demandam políticas públicas e iniciativas acadêmicas que fortaleçam a área.


7. Considerações finais

A alfabetização e o letramento sociológico constituem pilares fundamentais para o ensino de Sociologia no ensino médio. A proposta teórica analisada evidencia a necessidade de uma pedagogia crítica, que vá além da transmissão de conteúdos e promova a formação de sujeitos reflexivos e conscientes.

Nesse sentido, a obra de Cristiano Bodart representa uma contribuição relevante para a consolidação da Sociologia escolar no Brasil, oferecendo subsídios teóricos e práticos para a atuação docente.


Referências 

BODART, Cristiano. Da alfabetização sociológica ao letramento sociológico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 2004.

TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2010.





quarta-feira, 25 de março de 2026

Saúde mental, crise ambiental e necropolítica na contemporaneidade: uma análise crítica a partir de Byung-Chul Han, Ailton Krenak, Achille Mbembe e Jean Baudrillard em diálogo com os ODS

A presente análise das inter-relações entre saúde mental, exploração ambiental e estruturas de poder na contemporaneidade, a partir dos aportes teóricos de Byung-Chul Han, Ailton Krenak, Achille Mbembe e Jean Baudrillard. Discute-se como a lógica neoliberal intensifica processos de adoecimento psíquico, como depressão, ansiedade e burnout, ao mesmo tempo em que legitima práticas de exploração ambiental e gestão da vida e da morte. A pesquisa articula tais reflexões com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), evidenciando tensões entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e dignidade humana. Conclui-se que a crise contemporânea é simultaneamente subjetiva, política e ecológica.

Palavras-chave: saúde mental; necropolítica; sustentabilidade; ODS; sociedade contemporânea.


1. Introdução

A contemporaneidade é marcada por múltiplas crises interligadas: psicológicas, ambientais e políticas. O aumento de transtornos como depressão e burnout reflete transformações profundas na organização do trabalho e da vida social. Paralelamente, a intensificação da exploração ambiental e a desigualdade global revelam dinâmicas de poder que determinam quem pode viver e quem pode morrer.

Nesse contexto, os ODS propõem um modelo de desenvolvimento sustentável, porém tensionado pelas contradições do capitalismo contemporâneo.


2. Sociedade do cansaço e adoecimento psíquico

Segundo Byung-Chul Han, vivemos em uma “sociedade do desempenho”, na qual o sujeito se autoexplora em nome da produtividade e do sucesso. Essa lógica substitui a coerção externa por uma pressão interna contínua.

O resultado é o aumento de doenças como depressão, ansiedade e burnout, entendidas como manifestações de uma “violência neuronal” causada pelo excesso de positividade e cobrança por desempenho .

Diferentemente das sociedades disciplinares, o indivíduo contemporâneo é simultaneamente explorador e explorado, o que intensifica o sofrimento psíquico.


3. Crítica à exploração ambiental

Ailton Krenak critica o paradigma ocidental de progresso, denunciando a separação entre humanidade e natureza. Para o autor, a crise ambiental resulta de uma visão que transforma a Terra em recurso.

Krenak propõe uma reconfiguração ontológica: reconhecer a interdependência entre seres humanos e natureza. Essa perspectiva dialoga diretamente com os ODS, especialmente:

  • ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima)
  • ODS 15 (Vida terrestre)

Entretanto, o modelo econômico vigente dificulta a implementação efetiva dessas metas.


4. Necropolítica e a gestão da morte

O conceito de necropolítica, desenvolvido por Achille Mbembe, refere-se ao poder de decidir quem deve viver e quem pode morrer.

Na contemporaneidade, esse poder se manifesta:

  • na desigualdade de acesso à saúde
  • na violência estrutural
  • na marginalização de populações vulneráveis

A necropolítica evidencia que o desenvolvimento não é neutro: ele seleciona vidas descartáveis dentro do sistema global .

Esse conceito dialoga com:

  • ODS 3 (Saúde e bem-estar)
  • ODS 10 (Redução das desigualdades)


5. Simulacro e a “morte do real”

Para Jean Baudrillard, vivemos em uma era de simulacros, na qual a realidade é substituída por representações e imagens.

A “morte do real” implica:

  • hiper-realidade mediada por tecnologia
  • perda de referenciais concretos
  • alienação social

Esse fenômeno intensifica:

  • o adoecimento psíquico (desconexão com o real)
  • a apatia política
  • a dificuldade de enfrentar crises ambientais reais


6. Articulação com os ODS

A análise integrada dos autores revela contradições estruturais nos ODS:

DimensãoProblema identificadoODS relacionados
Saúde mentalSociedade do desempenho e burnoutODS 3
Meio ambienteExploração da naturezaODS 13, 15
PolíticaNecropolítica e desigualdadeODS 10
CulturaSimulação da realidadeODS 4 (educação crítica)

Embora os ODS proponham soluções globais, sua efetividade depende da transformação das estruturas econômicas e culturais.


7. Conclusão

A contemporaneidade configura uma crise multidimensional: psíquica, ambiental e política. A sociedade do desempenho adoece indivíduos, a exploração ambiental ameaça a vida no planeta, e a necropolítica revela a seletividade da vida no capitalismo global.

A contribuição dos autores analisados evidencia que os ODS, embora necessários, são insuficientes sem uma mudança estrutural profunda. É preciso repensar o próprio conceito de desenvolvimento, incorporando dimensões éticas, ecológicas e existenciais.


Referências 

BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio D’Água, 1991.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: n-1 edições, 2018.

PRADO, Kelvin Oliveira do. Biopolítica, necropolítica e psicopolítica: uma interlocução entre conceitos. Faces de Clio, 2023.

SOUZA NETO, José Marreiros de. Entre o excesso e o esgotamento: uma leitura crítica de Byung-Chul Han. Revista IEMA, 2023.


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SOCIEDADE DO DESEMPENHO E CRISE CIVILIZATÓRIA: UMA ANÁLISE ENTRE BYUNG-CHUL HAN E AILTON KRENAK

A presente análise crítica da sociedade contemporânea a partir das contribuições de Byung-Chul Han e Ailton Krenak, enfatizando os conceitos de excesso de desempenho, autoexploração e crise ambiental. A pesquisa, de natureza bibliográfica, fundamenta-se em obras dos autores e em referenciais sociológicos contemporâneos. Argumenta-se que o modelo capitalista atual produz simultaneamente esgotamento psíquico e degradação ambiental, evidenciando uma crise civilizatória. Conclui-se que as reflexões desses autores contribuem para a construção de alternativas baseadas na sustentabilidade, na coletividade e na redefinição das relações entre sociedade e natureza.

Palavras-chave: Sociedade do desempenho; Capitalismo; Crise ambiental; Sustentabilidade; Sociologia.


 1. Introdução

A intensificação das dinâmicas capitalistas no século XXI tem gerado impactos significativos tanto na subjetividade humana quanto no meio ambiente. Nesse contexto, a Sociologia e a Filosofia contemporânea oferecem importantes instrumentos de análise crítica. Este estudo propõe discutir as contribuições de Byung-Chul Han e Ailton Krenak, articulando seus pensamentos na compreensão da crise contemporânea.

A sociedade contemporânea, analisada por Byung-Chul Han, é marcada pelo excesso de desempenho e pela autoexploração, gerando cansaço e adoecimento psíquico. 

Paralelamente, Ailton Krenak critica o modelo de desenvolvimento capitalista, responsável pela degradação ambiental e pela separação entre ser humano e natureza.

 Ambos os autores evidenciam uma crise estrutural da modernidade. Suas reflexões apontam para a necessidade de repensar os modos de vida e os valores sociais. Assim, propõem alternativas baseadas no equilíbrio, na sustentabilidade e na coletividade.


2. A sociedade do desempenho em Byung-Chul Han

Segundo Han, a sociedade atual caracteriza-se pela substituição do modelo disciplinar por um modelo de desempenho. Nesse cenário, o indivíduo torna-se empreendedor de si mesmo, internalizando as exigências de produtividade e eficiência. O excesso de positividade e a busca incessante por resultados geram um quadro de autoexploração, no qual o sujeito acumula funções e responsabilidades sem limites claros (HAN, 2015).

Essa lógica resulta em patologias sociais como depressão, ansiedade e síndrome de burnout, configurando uma nova forma de controle social, denominada psicopolítica (HAN, 2018). O indivíduo, ao acreditar ser livre, intensifica sua própria exploração, revelando o caráter paradoxal da liberdade no capitalismo contemporâneo.


3. A crítica civilizatória de Ailton Krenak

Ailton Krenak desenvolve uma crítica profunda ao modelo de desenvolvimento ocidental, questionando a ideia de progresso ilimitado. Para o autor, a separação entre ser humano e natureza constitui uma das principais causas da crise ambiental. Em sua obra, propõe a valorização de saberes tradicionais e a construção de uma relação mais equilibrada com o meio ambiente (KRENAK, 2019).

Krenak argumenta que a humanidade moderna vive uma ilusão de superioridade, desconsiderando a interdependência entre os seres vivos. A expressão “adiar o fim do mundo” simboliza a necessidade de transformação dos modos de vida, interrompendo práticas destrutivas e promovendo alternativas sustentáveis.


4. Convergências teóricas: crise social e ambiental

Apesar de partirem de contextos distintos, Han e Krenak convergem ao identificar uma crise estrutural no modelo capitalista. Enquanto Han enfatiza o esgotamento psíquico decorrente da autoexploração, Krenak destaca a degradação ambiental resultante da exploração da natureza.

Ambos apontam para a necessidade de repensar os fundamentos da sociedade contemporânea, questionando valores como produtividade ilimitada, consumo excessivo e crescimento econômico a qualquer custo. Dessa forma, suas reflexões contribuem para uma crítica abrangente que integra dimensões sociais, culturais e ambientais.


 5. Implicações para a Sociologia e a educação

No contexto educacional, especialmente no Ensino Médio conforme a BNCC, essas perspectivas são fundamentais para o desenvolvimento do pensamento crítico. A análise das obras de Han e Krenak permite compreender a complexidade dos problemas contemporâneos, incentivando a formação de sujeitos conscientes e capazes de intervir na realidade social.

Além disso, tais abordagens dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ao promover reflexões sobre consumo responsável, saúde mental, justiça social e preservação ambiental.


 6. Considerações finais

Conclui-se que as contribuições de Byung-Chul Han e Ailton Krenak são fundamentais para a compreensão da crise civilizatória contemporânea. A articulação entre excesso de desempenho e degradação ambiental evidencia os limites do modelo capitalista, apontando para a necessidade de construção de alternativas baseadas na sustentabilidade, na coletividade e no equilíbrio entre sociedade e natureza.


 REFERÊNCIAS 

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Belo Horizonte: Âyiné, 2018.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2014.


Anexo

Aqui estão 7 slides prontos integrando Byung-Chul Han e Ailton Krenak, com abordagem crítica e adequada ao Ensino Médio: clicar e abrir link download slades 

🎓 SLIDE 1 — TÍTULO

Sociedade do Cansaço × Adiar o Fim do Mundo

Byung-Chul Han e Ailton Krenak

Sociologia contemporânea

Crítica ao modelo de sociedade atual

🧾 SLIDE 2 — AUTORES

Byung-Chul Han

Sociedade do desempenho

Excesso de produtividade

Autoexploração

Ailton Krenak

Crítica ao desenvolvimento

Relação com a natureza

Saberes indígenas

⚙️ SLIDE 3 — SOCIEDADE DO CANSAÇO (HAN)

Pressão por produtividade

Liberdade aparente

Autoexploração

👉 Resultado:

ansiedade

depressão

burnout

🌱 SLIDE 4 — CRÍTICA DE KRENAK

Desenvolvimento destrutivo

Natureza como recurso

Crise ambiental

👉 Propõe:

equilíbrio

respeito à natureza

diversidade cultural

⚖️ SLIDE 5 — COMPARAÇÃO

Han

Krenak

Sociedade cansada

Sociedade desequilibrada

Excesso de trabalho

Exploração da natureza

Crise mental

Crise ambiental

🌍 SLIDE 6 — REFLEXÃO

👉 Problema comum:

modelo capitalista

👉 Consequências:

esgotamento humano

destruição ambiental

👉 Caminho:

repensar o modo de vida

📚 SLIDE 7 — REFERÊNCIAS (ABNT)

HAN, Byung-Chul.

Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

KRENAK, Ailton.

Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

KRENAK, Ailton.

A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.









A IMPLEMENTAÇÃO DO ODS 11 NO CONTEXTO ESCOLAR: PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL NO NORTE DE SANTA CATARINA

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11), proposto pela Organização das Nações Unidas, visa tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Este estudo tem como objetivo analisar a aplicação de práticas pedagógicas voltadas à sustentabilidade no contexto do 9º ano do Ensino Fundamental, com foco em escolas do Norte de Santa Catarina. A metodologia adotada consiste em revisão bibliográfica e análise qualitativa de propostas educativas, como hortas agroecológicas, mobilidade sustentável, gestão de resíduos e preservação ambiental. Os resultados indicam que a inserção dessas práticas contribui significativamente para a formação de cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com o desenvolvimento sustentável local. Conclui-se que a escola desempenha papel estratégico na territorialização dos ODS, especialmente por meio da educação ambiental.

Palavras-chave: ODS 11; educação ambiental; sustentabilidade; ensino fundamental; cidades sustentáveis.


1 INTRODUÇÃO

A intensificação do processo de urbanização tem gerado desafios significativos relacionados à sustentabilidade ambiental, social e econômica. Nesse contexto, o ODS 11 busca promover cidades mais inclusivas e resilientes, com acesso à moradia, transporte e serviços básicos . No Brasil, tais desafios são evidentes, sobretudo em regiões urbanizadas que apresentam desigualdades socioambientais.

A escola, enquanto espaço formativo, assume papel fundamental na promoção da educação para o desenvolvimento sustentável. A inserção de práticas pedagógicas voltadas ao ODS 11 permite aproximar os estudantes das problemáticas locais, promovendo uma aprendizagem significativa e contextualizada.


2 REFERENCIAL TEÓRICO

O ODS 11 integra a Agenda 2030 e apresenta metas relacionadas à habitação, mobilidade urbana, planejamento sustentável e preservação ambiental . Tais metas refletem a necessidade de integração entre políticas públicas, educação e participação social.

Segundo estudos recentes, a educação ambiental constitui ferramenta essencial para a construção de cidades sustentáveis, pois contribui para a mudança de comportamento e para o desenvolvimento de práticas responsáveis no uso dos recursos naturais . Além disso, a territorialização dos ODS, ou seja, sua adaptação ao contexto local, é fundamental para sua efetividade .


3 METODOLOGIA

A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória, baseada em revisão bibliográfica de artigos científicos, documentos institucionais e relatórios da Agenda 2030. Foram analisadas práticas pedagógicas aplicáveis ao Ensino Fundamental, com foco em escolas públicas do Norte de Santa Catarina.


4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados indicam que a aplicação do ODS 11 no ambiente escolar pode ocorrer por meio de práticas interdisciplinares, tais como:

4.1 Hortas agroecológicas escolares

A implementação de hortas promove educação alimentar, sustentabilidade e consciência ecológica, além de integrar conteúdos de ciências e geografia.

4.2 Mobilidade sustentável

Projetos que incentivam o uso de bicicletas e transporte coletivo contribuem para a redução de impactos ambientais e para a conscientização sobre mobilidade urbana.

4.3 Gestão de resíduos sólidos

A prática da reciclagem e compostagem reduz a produção de resíduos e promove o reaproveitamento de matéria orgânica, alinhando-se às diretrizes de sustentabilidade urbana.

4.4 Preservação ambiental

A proteção de áreas verdes e nascentes, especialmente no bioma Mata Atlântica, é essencial para a manutenção da biodiversidade e dos recursos hídricos.

4.5 Educação ambiental comunitária

A escola atua como agente multiplicador, envolvendo a comunidade em ações sustentáveis e fortalecendo a cidadania.

Essas práticas demonstram que a escola pode atuar como espaço de transformação social, contribuindo diretamente para o alcance das metas do ODS 11.


5 CONCLUSÃO

Conclui-se que a implementação de ações educativas alinhadas ao ODS 11 no Ensino Fundamental é fundamental para a formação de sujeitos críticos e conscientes. No contexto do Norte de Santa Catarina, essas práticas ganham relevância devido às características ambientais e sociais da região. A educação ambiental, quando integrada ao currículo escolar, torna-se um instrumento eficaz para promover cidades mais sustentáveis e inclusivas.


REFERÊNCIAS (ABNT 2023)

BRASIL. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/ods/ods11.html. Acesso em: 25 mar. 2026.

NAÇÕES UNIDAS. Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/11. Acesso em: 25 mar. 2026.

MARTINS, Tahinah Albuquerque; BORGES, Elaine Gomes; ZANETI, Izabel Cristina Bruno Bacellar. Cidades sustentáveis: ODS 11 e políticas públicas para uso do plástico. Revista Tecnologia e Sociedade, 2025. Disponível em: https://periodicos.utfpr.edu.br. Acesso em: 25 mar. 2026.

SANTOS, et al. Indicadores de cidades sustentáveis: o ODS 11. 2023. Disponível em: https://www.sustentarewipis.com.br. Acesso em: 25 mar. 2026.

GOMES, et al. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e ações locais. Revista Desafios, 2019. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br. Acesso em: 25 mar. 2026.