terça-feira, 17 de março de 2026

Uso de Indicador Natural de pH a partir do Repolho Roxo (Brassica oleracea) na Análise Qualitativa do Solo em Contexto Educacional

A análise do pH do solo é fundamental para compreender sua fertilidade e adequação ao cultivo agrícola. Métodos laboratoriais, embora precisos, muitas vezes são inacessíveis em contextos escolares. Este estudo apresenta uma alternativa didática e de baixo custo utilizando o extrato de repolho roxo (Brassica oleracea) como indicador natural de pH, baseado na presença de antocianinas. A metodologia consistiu na extração do pigmento vegetal e sua aplicação em amostras de solo previamente diluídas em água. Os resultados demonstraram variação cromática eficiente na identificação qualitativa de solos ácidos, neutros e alcalinos. Conclui-se que o método é adequado para fins pedagógicos, promovendo a aprendizagem significativa em ciências e educação ambiental, especialmente em projetos de hortas escolares.

Palavras-chave: pH do solo; antocianinas; ensino de ciências; agroecologia; indicador natural.


1. Introdução

O pH do solo é um dos principais fatores que influenciam a disponibilidade de nutrientes para as plantas e a atividade microbiológica. Solos com pH inadequado podem limitar o desenvolvimento vegetal, afetando diretamente a produtividade agrícola (MALAVOLTA, 2006).

Em ambientes escolares, especialmente em projetos de hortas pedagógicas, a análise do solo torna-se uma ferramenta essencial para o ensino interdisciplinar. No entanto, a limitação de recursos laboratoriais demanda metodologias alternativas acessíveis. Nesse contexto, o uso de indicadores naturais, como o repolho roxo, destaca-se por sua viabilidade e eficiência didática.

As antocianinas presentes no repolho roxo são pigmentos sensíveis ao pH, alterando sua coloração conforme o meio ácido ou básico (TAIZ et al., 2017). Assim, este estudo tem como objetivo apresentar e sistematizar o uso desse recurso na análise qualitativa do pH do solo em contexto educacional.


2. Fundamentação Teórica

O potencial hidrogeniônico (pH) é uma medida que indica a acidez ou alcalinidade de uma solução, variando de 0 a 14. Solos com pH inferior a 7 são considerados ácidos, enquanto valores superiores indicam alcalinidade (EMBRAPA, 2018).

As antocianinas são compostos fenólicos responsáveis por colorações que variam do vermelho ao azul, dependendo do pH do meio. Em soluções ácidas, apresentam tonalidade avermelhada; em meio neutro, roxa; e em meio alcalino, azul-esverdeada (RAVEN; EVERT; EICHHORN, 2014).

A utilização de indicadores naturais no ensino de ciências favorece a experimentação, a construção do conhecimento e a contextualização com práticas sustentáveis e agroecológicas.


3. Metodologia

A pesquisa caracteriza-se como experimental de abordagem qualitativa, com foco na aplicação pedagógica.

3.1 Materiais

  • Folhas de repolho roxo

  • Água

  • Fonte de calor ou liquidificador

  • Recipientes transparentes

  • Amostras de solo

  • Peneira ou filtro

3.2 Procedimentos

O extrato indicador foi obtido por meio da fervura das folhas de repolho roxo em água por aproximadamente 15 minutos, seguido de filtração. O líquido resultante apresentou coloração roxa intensa.

As amostras de solo foram misturadas com água e deixadas em repouso. Posteriormente, adicionou-se o indicador natural, observando-se a mudança de cor.

3.3 Análise dos dados

A interpretação foi baseada na variação cromática:

  • Vermelho/rosa: solo ácido

  • Roxo: solo neutro

  • Verde/azulado: solo alcalino


4. Resultados e Discussão

Os resultados demonstraram que o extrato de repolho roxo é eficaz na identificação qualitativa do pH do solo. A mudança de cor ocorreu de forma visível e rápida, permitindo fácil interpretação por estudantes.

Embora não substitua análises laboratoriais quantitativas, o método mostrou-se adequado para fins educativos, contribuindo para a compreensão de conceitos químicos e ecológicos.

Além disso, a atividade promove a integração entre teoria e prática, incentivando a investigação científica e a consciência ambiental. Em hortas escolares, essa prática auxilia na escolha de culturas adequadas ao tipo de solo.


5. Conclusão

O uso do repolho roxo como indicador natural de pH é uma estratégia eficiente, acessível e pedagógica para o ensino de ciências. A metodologia permite a compreensão prática de conceitos abstratos, como acidez e alcalinidade, além de fortalecer práticas agroecológicas.

Recomenda-se sua aplicação em contextos escolares, especialmente em projetos interdisciplinares e hortas educativas, contribuindo para a formação científica e ambiental dos estudantes.


Referências (ABNT NBR 6023:2023)

EMBRAPA. Manual de métodos de análise de solo. 3. ed. Brasília: Embrapa, 2018.

MALAVOLTA, Eurípedes. Manual de nutrição mineral de plantas. São Paulo: Agronômica Ceres, 2006.

RAVEN, Peter H.; EVERT, Ray F.; EICHHORN, Susan E. Biologia vegetal. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

TAIZ, Lincoln et al. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.








segunda-feira, 16 de março de 2026

Educação Ambiental e Gestão do Consumo de Água na Escola e na Horta Agroecológica: Proposta Interdisciplinar de Ensino para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio alinhada à BNCC e ao Currículo Base do Território Catarinense

A gestão sustentável da água constitui um dos principais desafios socioambientais contemporâneos, exigindo ações educativas capazes de promover o uso racional dos recursos naturais. Este trabalho apresenta uma proposta de sequência didática interdisciplinar voltada ao estudo do consumo de água no ambiente escolar e na horta agroecológica, destinada aos estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio. A proposta fundamenta-se nos princípios da educação ambiental, da agroecologia e da aprendizagem baseada em investigação científica, articulando conteúdos das áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens, conforme orientações da Base Nacional Comum Curricular e do Currículo Base do Território Catarinense.

A sequência didática contempla atividades de diagnóstico do consumo hídrico da escola, análise de contas de água, experimentos sobre infiltração e retenção hídrica do solo, estudo do pH do solo, práticas de compostagem e avaliação de sistemas de irrigação sustentáveis aplicados à horta escolar. Além disso, propõe a elaboração de registros científicos, gráficos estatísticos e materiais de divulgação ambiental produzidos pelos estudantes. Espera-se que a proposta contribua para o desenvolvimento do pensamento científico, da consciência ambiental e da gestão sustentável dos recursos hídricos no contexto escolar, promovendo a integração entre conhecimento científico, práticas agroecológicas e formação cidadã.

Palavras-chave: educação ambiental; consumo de água; horta escolar; agroecologia; sustentabilidade; ensino interdisciplinar.



Para organizar 66 canteiros de 3,00 m × 0,80 m dentro do espaço de 3,60 m × 40 m, podemos fazer um planejamento técnico de horta agroecológica 🌱.


1. Dimensão do espaço

Comprimento: 40 m

Largura: 3,60 m

Área total: 144 m²


2. Dimensão de cada canteiro

Comprimento: 3,00 m

Largura: 0,80 m

Área por canteiro: 2,4 m²


3. Organização em fileiras

Na largura de 3,60 m é possível colocar:

3 fileiras de canteiros de 0,80 m

corredores de 0,50 m

Exemplo de distribuição da largura:

Canteiro – 0,80 m

Caminho – 0,50 m

Canteiro – 0,80 m

Caminho – 0,50 m

Canteiro – 0,80 m

Total: 3,40 m (restando 0,20 m de borda)


4. Organização no comprimento

No comprimento de 40 m:

Cada canteiro: 3 m

Caminho entre canteiros: 0,60 m

Módulo total = 3,60 m

Assim cabem aproximadamente 22 canteiros por linha.

Resultado

3 linhas × 22 canteiros = 66 canteiros


5. Área cultivada

66 × 2,4 m² = 158,4 m² de cultivo intensivo

Esse modelo é muito usado em hortas agroecológicas intensivas.

6. Sugestão de divisão dos 66 canteiros

Folhosas (20 canteiros)

alface

rúcula

chicória

espinafre

Raízes (12 canteiros)

cenoura

beterraba

rabanete

nabo

Legumes (14 canteiros)

pepino

abobrinha

feijão

quiabo

Temperos (10 canteiros)

salsinha

cebolinha

coentro

manjericão

Plantas medicinais e flores (10 canteiros)

calêndula

capuchinha

erva-cidreira

hortelã

Essas flores ajudam na atração de polinizadores como as abelhas do grupo científico

Meliponini 🐝.


A seguir está um plano de aula sequencial científico especializado sobre consumo de água na escola e na horta escolar, integrando todas as áreas do conhecimento para 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e 1º ao 3º ano do Ensino Médio, alinhado à Base Nacional Comum Curricular e ao Currículo Base do Território Catarinense.

O tema é relevante porque a escola é um espaço importante para formar consciência ambiental e gestão sustentável da água. Estudos em escolas brasileiras indicam consumo médio de cerca de 7,58 litros de água por aluno por dia, mostrando a importância de monitoramento e educação ambiental para reduzir desperdícios.

Além disso, projetos educativos sobre água ajudam a desenvolver responsabilidade ambiental e gestão sustentável dos recursos naturais entre estudantes.


PROJETO INTERDISCIPLINAR

Consumo de água na escola e na horta escolar

Duração: 12 aulas sequenciais
Público:

  • 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental

  • 1º ao 3º ano do Ensino Médio

Áreas integradas:

  • Ciências da Natureza

  • Matemática

  • Ciências Humanas

  • Linguagens

Metodologia:

  • aprendizagem baseada em projetos

  • investigação científica

  • estudo de campo

  • educação ambiental


AULA 1 – Água como recurso essencial

Objetivo
Compreender a importância da água para a vida e para os ecossistemas.

Conteúdos

  • ciclo hidrológico

  • distribuição da água no planeta

  • uso da água na sociedade

Atividade
Debate sobre o uso da água no cotidiano.

Áreas
Ciências, Geografia.


AULA 2 – Uso da água na escola

Objetivo
Identificar onde a água é utilizada na escola.

Conteúdos

  • consumo hídrico

  • infraestrutura escolar

Atividade
Mapeamento dos pontos de uso de água:

  • banheiro

  • cozinha

  • limpeza

  • horta escolar

Áreas
Ciências, Geografia.


AULA 3 – Consumo de água na horta

Objetivo
Compreender a importância da água para as plantas.

Conteúdos

  • fisiologia vegetal

  • transpiração

  • irrigação

Atividade
Observação das plantas da horta.

Áreas
Biologia.


AULA 4 – Quantificação do consumo de água

Objetivo
Calcular o consumo de água da escola.

Conteúdos

  • volume

  • unidades de medida

  • litros

Atividade
Análise da conta de água da escola.

Áreas
Matemática.


AULA 5 – Experimento sobre infiltração da água

Objetivo
Compreender a relação entre solo e água.

Conteúdos

  • permeabilidade

  • infiltração

  • retenção de água

Atividade
Experimento com diferentes tipos de solo.

Áreas
Ciências.


AULA 6 – Irrigação sustentável na horta

Objetivo
Analisar métodos de irrigação.

Conteúdos

  • irrigação por gotejamento

  • irrigação manual

  • economia de água

Atividade
Comparação entre sistemas de irrigação.

Áreas
Ciências, tecnologia.


AULA 7 – Água e sociedade

Objetivo
Discutir a importância social da água.

Conteúdos

  • escassez hídrica

  • desigualdade no acesso

Atividade
Análise de reportagens e dados ambientais.

Áreas
Geografia, Sociologia.


AULA 8 – Poluição da água

Objetivo
Compreender causas da poluição hídrica.

Conteúdos

  • resíduos sólidos

  • esgoto

  • contaminação ambiental

Atividade
Estudo de caso.

Áreas
Ciências, Geografia.


AULA 9 – Compostagem e água

Objetivo
Relacionar compostagem com retenção de água no solo.

Conteúdos

  • matéria orgânica

  • fertilidade do solo

  • conservação da água

Atividade
Aplicação de composto na horta.

Áreas
Ciências.


AULA 10 – Estatística do consumo de água

Objetivo
Analisar dados coletados na escola.

Conteúdos

  • gráficos

  • tabelas

  • interpretação de dados

Atividade
Produção de gráficos do consumo de água.

Áreas
Matemática.


AULA 11 – Comunicação científica

Objetivo
Produzir materiais educativos.

Conteúdos

  • linguagem científica

  • divulgação científica

Atividade
Produção de cartazes sobre economia de água.

Áreas
Linguagens.


AULA 12 – Apresentação do projeto

Objetivo
Socializar os resultados da pesquisa.

Conteúdos

  • comunicação científica

  • educação ambiental

Atividade
Apresentação do projeto para a comunidade escolar.

Áreas
Interdisciplinar.


Avaliação

Critérios:

  • participação nas atividades

  • produção de relatórios

  • análise de dados

  • apresentação final


Competências da BNCC

Competências desenvolvidas:

  • pensamento científico

  • responsabilidade socioambiental

  • análise crítica de dados

  • resolução de problemas


Resultados educacionais esperados

Os estudantes irão:

  • compreender o ciclo da água

  • analisar o consumo de água da escola

  • desenvolver estratégias de economia de água

  • aplicar conhecimento científico na horta escolar


Bibliografia científica (ABNT 2023)

ALTIERI, Miguel. Agroecologia: bases científicas da agricultura sustentável. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

GLIESSMAN, Stephen. Agroecology: the ecology of sustainable food systems. Boca Raton: CRC Press, 2015.

PRIMAVESI, Ana. Manejo ecológico do solo. São Paulo: Nobel, 2016.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

SANTA CATARINA. Currículo Base do Território Catarinense. Florianópolis: Secretaria de Estado da Educação, 2020.

ROCCO, Marcia Cristina. Gestão e consumo consciente de água: abordagens educativas no ambiente escolar. 2024.

SILVA, Alisson Barbosa da; RODRIGUES, Gerlane Pereira de Albuquerque. Ações educacionais no consumo da água. Revista Brasileira de Educação Ambiental, 2023. 


A seguir está um modelo científico de sequência didática com 12 planos de aula para cada itinerário, integrando horta escolar, pH do solo, compostagem, hortaliças, árvores da Mata Atlântica e sistemas agroflorestais, alinhado à BNCC e ao currículo do estado de Santa Catarina.

O currículo do Ensino Médio catarinense organiza-se em Formação Geral Básica e Itinerários Formativos, estruturados por áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas), além de trilhas de aprofundamento e componentes eletivos.

Os itinerários formativos fazem parte da parte flexível do currículo, permitindo aprofundamento em áreas de interesse dos estudantes e integração interdisciplinar.


Projeto interdisciplinar

Agroecologia, Horta Escolar e Agrofloresta na Mata Atlântica

Bioma estudado:
Mata Atlântica

Duração: 12 aulas por itinerário
Público:

  • 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental

  • 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio

Metodologia:

  • aprendizagem baseada em projetos

  • investigação científica

  • educação ambiental

  • interdisciplinaridade


ITINERÁRIO 1

Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Aula 1 – Agroecologia e sustentabilidade

Objetivo: compreender os princípios da agroecologia.
Conteúdos: agroecossistemas, biodiversidade, sustentabilidade.
Atividade: análise de sistemas agrícolas.

Aula 2 – Solo e formação

Conteúdos:

  • intemperismo

  • matéria orgânica

  • minerais

Atividade: observação de perfis de solo.


Aula 3 – pH do solo

Conteúdos:

  • acidez

  • alcalinidade

  • disponibilidade de nutrientes

Experimento: teste com indicador natural.


Aula 4 – Microorganismos do solo

Conteúdos:

  • bactérias

  • fungos

  • decomposição

Atividade: microscopia ou observação do solo.


Aula 5 – Compostagem

Conteúdos:

  • decomposição

  • ciclo do carbono

  • húmus

Atividade prática: construção de composteira.


Aula 6 – Tipos de hortaliças

Classificação:

  • folhas

  • frutos

  • raízes

  • tubérculos

Atividade: identificação botânica.


Aula 7 – Polinizadores

Insetos estudados:

Meliponini

Conteúdos:

  • polinização

  • produção de alimentos


Aula 8 – Árvores da Mata Atlântica

Espécies estudadas:

  • ipê

  • pitanga

  • jabuticaba

  • ingá

  • araçá


Aula 9 – Agrofloresta

Conteúdos:

  • sucessão ecológica

  • estratificação vegetal

  • consórcios de culturas


Aula 10 – Ciclos biogeoquímicos

Ciclos:

  • carbono

  • nitrogênio

  • água


Aula 11 – Produção de alimentos

Conteúdos:

  • segurança alimentar

  • agricultura familiar


Aula 12 – Apresentação científica

Produção:

  • relatório científico

  • apresentação oral


ITINERÁRIO 2

Matemática e suas Tecnologias

Aula 1

Medidas e área da horta.

Aula 2

Cálculo de área dos canteiros.

Aula 3

Geometria aplicada ao plantio.

Aula 4

Estatística de produção agrícola.

Aula 5

Modelagem matemática do crescimento das plantas.

Aula 6

Análise de produtividade.

Aula 7

Proporção e densidade de plantio.

Aula 8

Planejamento de irrigação.

Aula 9

Gráficos de produção.

Aula 10

Modelos de sustentabilidade.

Aula 11

Análise de dados ambientais.

Aula 12

Relatório estatístico da horta.


ITINERÁRIO 3

Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

Aula 1

História da agricultura.

Aula 2

Agricultura indígena.

Aula 3

Colonização e agricultura no Brasil.

Aula 4

Transformações agrícolas.

Aula 5

Agricultura familiar.

Aula 6

Questões ambientais.

Aula 7

Políticas públicas ambientais.

Aula 8

Desenvolvimento sustentável.

Aula 9

Território e paisagem.

Aula 10

Economia solidária.

Aula 11

Soberania alimentar.

Aula 12

Debate socioambiental.


ITINERÁRIO 4

Linguagens e suas Tecnologias

Aula 1

Leitura científica sobre agroecologia.

Aula 2

Produção textual científica.

Aula 3

Relatos de observação.

Aula 4

Produção de relatório.

Aula 5

Educação ambiental e comunicação.

Aula 6

Poemas sobre natureza.

Aula 7

Cartazes educativos.

Aula 8

Produção audiovisual.

Aula 9

Divulgação científica.

Aula 10

Podcast ambiental.

Aula 11

Apresentação oral.

Aula 12

Seminário final.


Resultados educacionais esperados

  • compreensão científica da produção de alimentos

  • conhecimento sobre biodiversidade

  • desenvolvimento da educação ambiental

  • integração entre ciência, sociedade e natureza


Bibliografia científica (ABNT 2023)

ALTIERI, Miguel. Agroecologia: bases científicas da agricultura sustentável. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

GLIESSMAN, Stephen. Agroecology: the ecology of sustainable food systems. Boca Raton: CRC Press, 2015.

PRIMAVESI, Ana. Manejo ecológico do solo. São Paulo: Nobel, 2016.

ODUM, Eugene. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

SANTA CATARINA. Currículo Base do Ensino Médio do Território Catarinense. Florianópolis: SED-SC, 2020.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.






























Estrutura de classes sociais e distribuição de renda no Brasil: análise socioeconômica

A estrutura de classes sociais no Brasil é tradicionalmente representada por categorias socioeconômicas que procuram sintetizar padrões de renda, consumo e acesso a bens e serviços. Instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Banco Mundial utilizam indicadores de renda domiciliar per capita ou renda familiar total para compreender a estratificação social. Em análises sociológicas ampliadas, alguns autores subdividem a pirâmide social brasileira em múltiplos estratos (A, B, C, D, E, F, G e H), buscando representar com maior precisão as desigualdades econômicas existentes.

Nesse modelo analítico, a classe A corresponde ao grupo de maior renda, geralmente com renda familiar mensal superior a R$ 25.000, representando aproximadamente 1% da população brasileira. Trata-se de um estrato caracterizado por elevado capital econômico e educacional, forte acesso a bens de alto valor agregado e maior participação em ativos financeiros e patrimoniais. A classe B, com renda entre aproximadamente R$ 10.000 e R$ 25.000 mensais, representa cerca de 9% da população e corresponde à chamada classe média alta, com elevado nível de escolaridade e maior estabilidade ocupacional.

A classe C, frequentemente definida como a classe média brasileira, apresenta renda familiar entre cerca de R$ 4.000 e R$ 10.000 mensais, concentrando aproximadamente 25% da população. Este grupo apresenta forte inserção no mercado de trabalho formal e ampliou significativamente sua participação no consumo de bens duráveis nas últimas décadas. Já a classe D, com renda entre R$ 2.500 e R$ 4.000 mensais, representa cerca de 20% da população e caracteriza-se por maior vulnerabilidade econômica, embora ainda mantenha acesso a alguns serviços básicos e bens de consumo.

Os estratos inferiores da pirâmide social incluem as classes E, F, G e H, que concentram a maior parte da população de baixa renda. A classe E, com renda familiar entre R$ 1.500 e R$ 2.500 mensais, corresponde a aproximadamente 18% da população. A classe F, com renda entre R$ 900 e R$ 1.500, representa cerca de 15% dos brasileiros, enquanto a classe G, com renda entre R$ 500 e R$ 900 mensais, corresponde a aproximadamente 8%. Por fim, a classe H, caracterizada por renda familiar inferior a R$ 500 mensais, representa cerca de 4% da população e situa-se na base da pirâmide socioeconômica, frequentemente associada a situações de pobreza extrema e exclusão social.

Essa estrutura evidencia a forte desigualdade na distribuição de renda no Brasil, um fenômeno historicamente consolidado. Estudos indicam que a concentração de renda permanece elevada, com significativa distância entre os estratos superiores e inferiores da sociedade. A análise da pirâmide social revela que mais da metade da população brasileira encontra-se nas classes de baixa renda, enquanto uma pequena parcela concentra a maior parte da riqueza nacional.

Além da renda monetária, a estratificação social envolve outros fatores estruturais, como escolaridade, ocupação, acesso à infraestrutura urbana e oportunidades econômicas. Nesse contexto, políticas públicas voltadas para educação, inclusão produtiva e redução das desigualdades regionais são consideradas fundamentais para promover mobilidade social e reduzir as disparidades socioeconômicas no país.


Referências 

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
IBGE. Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

Fundação Getulio Vargas.
NERI, Marcelo Côrtes. A nova classe média: o lado brilhante da base da pirâmide. Rio de Janeiro: FGV/IBRE, 2018.

Banco Mundial.
WORLD BANK. Poverty and Equity Brief: Brazil. Washington, DC: World Bank, 2023.

POCHMANN, Marcio. Desigualdade econômica no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2021.

SOUZA, Jessé. A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2019.











domingo, 15 de março de 2026

Abelha nativa e controle biológico do mosquito da dengue: potencial larvicida da geoprópolis de Melipona quadrifasciata

A dengue é uma das principais arboviroses que afetam regiões tropicais e subtropicais, sendo transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. O controle das larvas desse vetor é uma estratégia essencial para reduzir a disseminação da doença. Estudos recentes demonstraram que a geoprópolis produzida pela abelha sem ferrão Melipona quadrifasciata apresenta atividade larvicida significativa contra o mosquito. A ação está associada a compostos diterpenos derivados da resina de Pinus, processados pelas abelhas durante a produção da geoprópolis. Este artigo revisa as evidências científicas recentes sobre o potencial da geoprópolis como fonte de compostos bioativos para o controle biológico de vetores de arboviroses.

Palavras-chave: meliponicultura; geoprópolis; dengue; controle biológico; larvicida natural.


1 Introdução

A dengue representa um grave problema de saúde pública em diversos países tropicais, incluindo o Brasil. A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti, responsável também pela disseminação de outras arboviroses como zika e chikungunya. O controle populacional desse vetor ainda depende majoritariamente do uso de inseticidas químicos, que podem gerar resistência e impactos ambientais.

Nesse contexto, compostos naturais provenientes de organismos vegetais ou animais têm sido investigados como alternativas sustentáveis para o controle de mosquitos vetores. Entre essas fontes, destacam-se produtos derivados de abelhas sem ferrão, especialmente a geoprópolis produzida por Melipona quadrifasciata, espécie nativa amplamente distribuída no Brasil.


2 Geoprópolis de abelhas sem ferrão

A geoprópolis é um material biológico composto por resinas vegetais, cera, secreções das abelhas e partículas minerais do solo. Diferentemente da própolis produzida por abelhas do gênero Apis, a geoprópolis apresenta composição química mais complexa, resultante da interação entre as abelhas e o ambiente.

As abelhas sem ferrão utilizam esse material na construção e proteção do ninho, atuando como barreira contra microrganismos e predadores. A composição química da geoprópolis varia conforme as plantas visitadas e a disponibilidade de resinas no ambiente, o que influencia diretamente suas propriedades biológicas. � Agência SP · 1


3 Descoberta de atividade larvicida

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília identificaram um composto bioativo na geoprópolis de Melipona quadrifasciata capaz de matar entre 90% e 100% das larvas de Aedes aegypti em testes laboratoriais. � Agência SP · 1

O estudo demonstrou que a substância responsável pela atividade larvicida é um diterpeno presente na resina de pinus, incorporado à geoprópolis durante o processamento realizado pelas abelhas. �Agência Fapesp · 1

Segundo o pesquisador Luís Guilherme Pereira Feitosa, a ação larvicida está associada ao processamento biológico da resina pelas abelhas:

“A resina do pinus, processada pela saliva das mandaçaias, é que proporciona a ação larvicida.” � Agência Fapesp

Esse processo sugere uma transformação bioquímica natural que potencializa a atividade do composto presente na resina vegetal.


4 Origem química do composto ativo

As abelhas mandaçaias frequentemente coletam resinas de árvores do gênero Pinus, especialmente em áreas de reflorestamento. Essas resinas contêm ácidos diterpênicos que podem sofrer modificações químicas durante o processamento pelas abelhas.

A análise química da geoprópolis por técnicas de espectrometria de massas permitiu identificar essas moléculas bioativas, associadas diretamente à mortalidade das larvas do mosquito. � Candeias Mix

Os resultados indicam que a interação entre planta e inseto gera compostos com propriedades biológicas que não são observadas isoladamente em outras espécies de abelhas ou própolis tradicionais.


5 Potencial para desenvolvimento de bioinseticidas

Embora a geoprópolis produzida pelas mandaçaias possua grande potencial larvicida, a quantidade produzida pelas colônias é relativamente pequena para uso direto em larga escala. � FAPESP ODS

Por esse motivo, os pesquisadores propõem a reprodução do processo em laboratório, utilizando resina de pinus e técnicas de biotecnologia para produzir compostos semelhantes em biorreatores industriais. � UOL Notícias

Essa estratégia poderia resultar em novos bioinseticidas mais sustentáveis e menos tóxicos ao ambiente, contribuindo para programas de controle integrado de mosquitos vetores.


6 Implicações para a meliponicultura e conservação

A descoberta também destaca a importância ecológica e econômica das abelhas nativas brasileiras. Além da produção de mel, essas espécies podem fornecer compostos bioativos com aplicações farmacêuticas e sanitárias.

Para a meliponicultura, a valorização de produtos como a geoprópolis pode ampliar o interesse pela criação de abelhas sem ferrão e estimular a conservação de habitats naturais e recursos florísticos essenciais para essas espécies.


7 Conclusão

A geoprópolis da abelha Melipona quadrifasciata apresenta forte potencial larvicida contra o mosquito Aedes aegypti, devido à presença de compostos derivados da resina de Pinus processados pelas abelhas.

Os resultados indicam que produtos naturais derivados da interação entre plantas e insetos podem constituir novas ferramentas no controle de arboviroses. No entanto, estudos adicionais são necessários para avaliar a toxicidade ambiental, a viabilidade econômica e a produção em escala industrial desses compostos.


Referências 

AGÊNCIA FAPESP. Estudo aponta molécula capaz de matar larvas do mosquito da dengue em própolis de abelha sem ferrão. São Paulo, 2025. Disponível em: https://agencia.fapesp.br⁠�. �Agência Fapesp

AGÊNCIA SP. Molécula capaz de matar larvas do mosquito da dengue é encontrada em própolis de abelha sem ferrão. São Paulo, 2025. �Agência SP

JULIÃO, A. Estudio identifica una molécula capaz de matar larvas del mosquito del dengue en la própolis de una abeja sin aguijón. Agência FAPESP, 2025. �Agência Fapesp

UOL NOTÍCIAS. Nova arma contra a dengue pode estar em uma abelha brasileira. 2025. �UOL Notícias

IDEAL ODONTO. Geoprópolis da abelha mandaçaia elimina até 90% das larvas do mosquito da dengue. 2025. �Ideal Odonto
























🍂 Poesias – Folhas que Decoram o Jardim 🍃O Ipê que Cresce em Silêncio e Guardiões da Terra


No silêncio suave do jardim,

as folhas secas caem devagar,

como cartas antigas da árvore

que o vento vem espalhar.

Sobre a grama verde descansam,

pintando o chão de marrom e vinho,

lembrando que a vida se transforma

em cada ciclo do caminho.

Não são restos do tempo que passa,

são memórias da estação,

que alimentam a terra em silêncio

e renovam a criação.

Assim, no simples cair das folhas,

o jardim aprende a ensinar:

que até aquilo que parece fim

é apenas a vida a recomeçar. 





🍂🌱 Poesia – O Ipê que Cresce em Silêncio

Entre folhas secas repousa a terra,

guardando um sonho pequeno a brotar.

Um jovem Ipê nasce em silêncio,

aprendendo devagar a respirar.

As folhas caídas viram abrigo,

protegem a raiz do sol e do chão,

mostrando que a natureza ensina

o ciclo simples da transformação.

Hoje é só muda pequena e frágil,

quase escondida no jardim a crescer,

mas amanhã abrirá flores amarelas

para o mundo inteiro ver.

Assim a vida segue seu caminho:

da folha seca nasce proteção,

e no cuidado de quem planta árvores

floresce também o coração. 🌳✨









Guardiões da Terra 🌎🌱

No silêncio da mata que respira, 

na água clara que insiste em correr,

a Terra chama nossos passos

para aprender e também proteger.

Não é só a escola que ensina,

nem só o livro a explicar,

é o vento, o solo e a semente

que nos convidam a cuidar.

Cada árvore guarda histórias,

cada rio quer continuar,

e o futuro pede coragem

para o presente transformar.

Se a consciência nasce pequena,

como semente no chão,

um gesto vira floresta

quando brota do coração.

Não salvamos o mundo sozinhos,

isso ninguém pode fazer,

mas cada cuidado com a Terra

é um novo planeta a nascer. 🌍🌿

Referências bibliográficas
BOFF, Leonardo Boff. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
FREIRE, Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GADOTTI, Moacir Gadotti. Pedagogia da Terra. São Paulo: Peirópolis, 2000.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília: Presidência da República, 1999.