quinta-feira, 26 de março de 2026

IMPLICAÇÕES ECOLÓGICAS E RISCOS PARA POLINIZADORES

As abelhas desempenham papel essencial na manutenção da biodiversidade e na produção agrícola por meio da polinização. Entretanto, determinadas espécies vegetais produzem compostos secundários tóxicos presentes no néctar e no pólen, podendo causar efeitos letais ou subletais nesses insetos. Este artigo tem como objetivo analisar os principais mecanismos de toxicidade vegetal sobre abelhas, bem como discutir suas implicações ecológicas e produtivas. Trata-se de uma revisão bibliográfica baseada em estudos nacionais e internacionais. Os resultados indicam que substâncias como alcaloides, glicosídeos cardíacos e grayanotoxinas estão entre os principais agentes de intoxicação, afetando o comportamento, a sobrevivência e a dinâmica das colônias. Conclui-se que o conhecimento dessas interações é fundamental para a conservação dos polinizadores e o manejo sustentável dos ecossistemas.

Palavras-chave: Abelhas; toxicidade; néctar; pólen; plantas tóxicas; polinização.


1. Introdução

As abelhas são consideradas um dos principais grupos de polinizadores do planeta, sendo responsáveis por grande parte da reprodução de plantas silvestres e cultivadas. No entanto, diversos fatores têm contribuído para o declínio dessas populações, incluindo pesticidas, perda de habitat e a presença de plantas com compostos tóxicos.

Algumas espécies vegetais produzem metabólitos secundários que podem ser transferidos para o néctar e o pólen, afetando diretamente os polinizadores. Estudos demonstram que essas substâncias podem comprometer a fisiologia e o comportamento das abelhas, reduzindo sua eficiência ecológica .


2. Plantas tóxicas e seus compostos bioativos

Diversas plantas apresentam potencial tóxico para abelhas, principalmente devido à presença de compostos químicos específicos. Entre os principais destacam-se:

  • Grayanotoxinas: presentes em espécies como Rhododendron, afetam o sistema nervoso dos insetos;
  • Glicosídeos cardíacos: encontrados em plantas como Nerium oleander, interferem na função cardíaca;
  • Alcaloides tropânicos: comuns em espécies do gênero Brugmansia, causam alterações comportamentais;
  • Saponinas e flavonoides: identificados em espécies como Mimosa tenuiflora, com potencial tóxico comprovado experimentalmente .

Além disso, estudos indicam que plantas ornamentais exóticas podem representar risco significativo para abelhas nativas, como observado na espécie Spathodea campanulata, cujo néctar e pólen aumentaram a mortalidade de abelhas sem ferrão .


3. Efeitos da toxicidade sobre abelhas

Os efeitos das substâncias tóxicas podem ser classificados em:

3.1 Efeitos letais

  • Mortalidade direta após ingestão de néctar ou pólen contaminado
  • Redução da longevidade das operárias

3.2 Efeitos subletais

  • Desorientação e prejuízo na navegação
  • Redução da capacidade de forrageamento
  • Alterações no comportamento social

Pesquisas demonstram que a ingestão de substâncias tóxicas pode comprometer a sobrevivência das abelhas e afetar o equilíbrio das colônias, impactando diretamente a polinização .


4. Implicações ecológicas e agrícolas

A presença de plantas tóxicas em ambientes agrícolas e urbanos pode gerar impactos significativos:

  • Redução da população de polinizadores
  • Comprometimento da produção agrícola
  • Alterações nas redes ecológicas de polinização

Além disso, o acúmulo de toxinas pode afetar produtos derivados, como o mel, tornando-os impróprios para consumo em alguns casos.


5. Considerações finais

A interação entre plantas tóxicas e abelhas representa um campo relevante da ecologia química e da apicultura. Embora essas plantas façam parte dos ecossistemas naturais, sua presença em ambientes manejados deve ser avaliada com cautela. Estratégias de conservação devem priorizar espécies vegetais seguras para polinizadores, especialmente em contextos agrícolas e urbanos.


Referências 

CINTRA, P.; MALASPINA, O.; BUENO, O. C. Plantas tóxicas para abelhas. Arquivos do Instituto Biológico, v. 72, n. 4, p. 547-551, 2022. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/236925. Acesso em: 26 mar. 2026.

QUEIROZ, A. C. M. et al. The effect of toxic nectar and pollen from Spathodea campanulata on bee survival. Sociobiology, v. 61, n. 4, p. 536-540, 2014.

SILVA, C. V. M.; MARACAJÁ, L. X.; SOTO-BLANCO, B. Toxicidade do pólen de Mimosa tenuiflora para abelhas (Apis mellifera). Acta Scientiae Veterinariae, v. 38, n. 2, p. 161-163, 2010.

ADLER, L. S. The ecological significance of toxic nectar. Oikos, v. 91, p. 409-420, 2000.

BARKER, R. J. Poisoning by plants. Ithaca: Cornell University Press, 1990.




EDUCAÇÃO CRÍTICA E FORMAÇÃO DOCENTE NO BRASIL: ENTRE O LETRAMENTO SOCIOLÓGICO, O MARXISMO E AS PRÁTICAS ANTIRRACISTAS

A presente  análise sobre a articulação entre o letramento sociológico, o marxismo como teoria crítica, a educação antirracista e a formação docente no contexto do ensino médio brasileiro. A partir de uma abordagem bibliográfica, fundamentada em autores como Karl Marx, Paulo Freire, Cristiano Bodart e Nildo Viana, discute-se o papel da Sociologia escolar na formação crítica dos estudantes. Argumenta-se que a integração entre alfabetização e letramento sociológico, associada a práticas pedagógicas antirracistas e a uma concepção crítica da docência, contribui para a construção de uma educação emancipatória. Conclui-se que tais dimensões são fundamentais para o enfrentamento das desigualdades sociais e para a transformação da realidade educacional brasileira.

Palavras-chave: educação crítica; letramento sociológico; marxismo; educação antirracista; formação docente.


1. Introdução

A consolidação da Sociologia como disciplina obrigatória no ensino médio brasileiro ampliou o debate sobre a formação crítica dos estudantes e o papel da educação na transformação social. Nesse contexto, destacam-se contribuições teóricas que articulam o letramento sociológico, a crítica marxista e a educação antirracista como fundamentos de uma pedagogia emancipatória.

Autores como Cristiano Bodart e Nildo Viana oferecem subsídios importantes para a compreensão da educação como prática social crítica, enquanto Paulo Freire reforça o caráter político e transformador do ensino.


2. Alfabetização e letramento sociológico no ensino de Sociologia

A distinção entre alfabetização e letramento sociológico, proposta por Cristiano Bodart, constitui um avanço teórico no campo da Sociologia escolar. A alfabetização refere-se ao domínio dos conceitos e categorias sociológicas, enquanto o letramento envolve a capacidade de կիրառá-los na interpretação da realidade social.

Essa articulação permite a construção de um pensamento crítico, fundamentado na desnaturalização dos fenômenos sociais e na compreensão de sua historicidade.


3. O marxismo como teoria crítica da sociedade

O marxismo, conforme desenvolvido por Karl Marx e reinterpretado por Nildo Viana, constitui uma das principais bases teóricas para a análise crítica da sociedade capitalista. Ao compreender o marxismo como expressão histórica do proletariado, evidencia-se seu caráter emancipatório e sua relação com a luta de classes.

Essa perspectiva contribui para o ensino de Sociologia ao fornecer instrumentos analíticos para a compreensão das desigualdades sociais e das relações de poder.


4. Educação antirracista e letramento racial

A educação antirracista emerge como dimensão fundamental da prática pedagógica contemporânea. O letramento racial possibilita a compreensão das estruturas de discriminação e a valorização das identidades culturais historicamente marginalizadas.

Nesse sentido, a educação deve promover a inclusão e o reconhecimento da diversidade, conforme defendido por Paulo Freire e Kabengele Munanga, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa.


5. Formação docente e práticas pedagógicas críticas

A formação docente desempenha papel central na efetivação de uma educação crítica. A obra Ensinamentos da dodiscência, v.1 reforça a importância da articulação entre teoria e prática, destacando a docência como processo dialógico e reflexivo.

De acordo com Paulo Freire, ensinar implica aprender continuamente, sendo a prática pedagógica um espaço de construção coletiva do conhecimento.


6. Integração entre teoria crítica e prática educativa

A articulação entre letramento sociológico, marxismo, educação antirracista e formação docente evidencia a necessidade de uma abordagem integrada no ensino de Sociologia. Essa integração permite:

  • A construção de uma consciência crítica;
  • A compreensão das desigualdades sociais;
  • O enfrentamento do racismo estrutural;
  • A formação de sujeitos autônomos e reflexivos.

Tal perspectiva reforça o papel da escola como espaço de transformação social.


7. Desafios contemporâneos

Apesar dos avanços teóricos e metodológicos, o ensino de Sociologia enfrenta desafios, como:

  • A precarização da formação docente;
  • A escassez de materiais didáticos críticos;
  • A resistência institucional à abordagem de temas sociais;
  • A desvalorização das Ciências Humanas.

Esses desafios exigem políticas públicas e investimentos na formação continuada de professores.


8. Considerações finais

Conclui-se que a integração entre letramento sociológico, teoria marxista, educação antirracista e formação docente constitui um caminho promissor para a construção de uma educação crítica no Brasil. As contribuições de Cristiano Bodart e Nildo Viana reforçam a importância de uma abordagem teórica rigorosa e comprometida com a transformação social.

Assim, a educação deve ser compreendida como prática emancipatória, capaz de formar sujeitos críticos e conscientes de seu papel na sociedade.


Referências 

BODART, Cristiano. Da alfabetização sociológica ao letramento sociológico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2013.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2004.

VIANA, Nildo. O que é marxismo? Goiânia: Edições Germinal, 2023.

SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. [S.l.]: [s.n.], 2023.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 2004.

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DOCÊNCIA, FORMAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: UMA ANÁLISE DA OBRA “ENSINAMENTOS DA DODISCÊNCIA, V.1”

A presente arnálise sobre a obra Ensinamentos da dodiscência, v.1, destacando suas contribuições para a formação docente e para a compreensão das múltiplas dimensões da prática pedagógica. A coletânea reúne diferentes autores que abordam temas fundamentais da docência, como formação inicial, gestão escolar, avaliação, planejamento e questões étnico-raciais. A pesquisa é de natureza bibliográfica e fundamenta-se em referenciais teóricos como Paulo Freire, Maurice Tardif e Antônio Nóvoa. Conclui-se que a obra contribui significativamente para a construção de uma prática docente crítica, reflexiva e socialmente comprometida.

Palavras-chave: docência; formação de professores; práticas pedagógicas; educação crítica; ensino.


1. Introdução

A formação docente constitui um dos pilares fundamentais para a qualidade da educação. Nesse contexto, a obra Ensinamentos da dodiscência, v.1 apresenta-se como uma coletânea que articula teoria e prática, reunindo experiências e reflexões sobre o cotidiano escolar.

O conceito de “dodiscência” remete à indissociabilidade entre ensinar e aprender, perspectiva fortemente influenciada pelo pensamento de Paulo Freire, que compreende a educação como prática dialógica e emancipatória.


2. Formação inicial e identidade docente

Os capítulos iniciais da obra abordam a formação inicial de professores, destacando os desafios enfrentados por licenciandos e profissionais em início de carreira. Segundo Antônio Nóvoa, a identidade docente é construída ao longo da trajetória profissional, sendo marcada por experiências, saberes e práticas.

A coletânea evidencia que a formação docente vai além do domínio técnico, envolvendo dimensões éticas, políticas e sociais.


3. Saberes docentes e prática pedagógica

A diversidade de temas abordados — como planejamento, avaliação, gestão escolar e uso de materiais didáticos — revela a complexidade da prática docente. De acordo com Maurice Tardif, os saberes docentes são plurais e resultam da articulação entre conhecimentos acadêmicos, გამოცდილ experienciais e curriculares.

Nesse sentido, a obra contribui para a compreensão da docência como prática situada, dinâmica e em constante construção.


4. Dimensão política da docência

A presença de temas como posicionamento político, autoridade docente e questões de gênero evidencia o caráter político da educação. Para Paulo Freire, não existe neutralidade na prática educativa, sendo o ensino um ato político que pode tanto reproduzir quanto transformar a realidade social.

A obra reforça a necessidade de uma postura crítica por parte dos educadores, comprometida com a justiça social e a democratização do ensino.


5. Diversidade e educação inclusiva

Os capítulos que abordam questões étnico-raciais e de gênero destacam a importância de uma educação inclusiva e plural. Tais discussões estão alinhadas com as diretrizes educacionais brasileiras e com a necessidade de enfrentamento das desigualdades históricas presentes no sistema educacional.

A coletânea aponta caminhos para a construção de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e promovam a equidade.


6. Desafios do cotidiano escolar

Temas como indisciplina, sono em sala de aula, relação professor-aluno e organização das turmas refletem desafios concretos enfrentados pelos docentes. A obra demonstra que esses aspectos fazem parte da realidade escolar e exigem estratégias pedagógicas sensíveis e contextualizadas.

Assim, a prática docente é apresentada como um processo complexo que demanda მუდმ reflexão e adaptação.


7. Considerações finais

Conclui-se que Ensinamentos da dodiscência, v.1 constitui uma importante contribuição para o campo da educação, ao reunir diferentes perspectivas sobre a docência e promover uma reflexão crítica sobre o ensino.

A obra reafirma a importância de uma formação docente contínua, baseada na articulação entre teoria e prática, e comprometida com a transformação social.


Referências 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

NÓVOA, Antônio. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. [S.l.]: [s.n.], 2023.

OLIVEIRA, Rafaela Reis A. de. Formação inicial docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

SANTOS, Marlon Alexandre dos. Concurso e contrato docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ARAÚJO, Victor Gabriel Santos de Matos. Sistema de ensino. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ROCHA, Lara Polisseni. Gestão escolar. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ESPERANÇA, Marcos Cesca. Conselho de classe. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

MACHADO, Pedro Henrique Reis. Enturmação. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

RAYMUNDO, Jonas Gleison Antunes. Posicionamento político docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

COSTA, Rafael Neves da. Autoridade docente. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

SILVA, Fernanda Gabriela Dias da. Relação professor-aluno. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

NETO, José Portes da Silva. Indisciplina escolar. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

RODRIGUES, Maria Fernanda da Silva. Licenciatura. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

CAMPOS, Fernanda de Almeida. Avaliação da aprendizagem. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

SANTOS, Izabella Azevedo dos. Planejamento pedagógico. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

ASSIS, Lunária Ferreira de. Material didático. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

CRUZ, Marcela Santana Félix da. Questões de gênero. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

CAMPOS, Rafael de Medeiros. Aprofundamento teórico. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.

PRIMO, Thiago Almeida Apolinário. Questões étnico-raciais. In: SAUMA, Janderson Alves (org.). Ensinamentos da dodiscência, v.1. 2023.





EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NO BRASIL: LETRAMENTO RACIAL, ANCESTRALIDADE E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS TRANSFORMADORAS

A presente análise sobre  a centralidade da educação antirracista no contexto escolar brasileiro, a partir da obra coletiva desenvolvida no âmbito da Universidade Federal do Norte do Tocantins. O livro reúne três produções: Cartilha Afrocentrada: Letramento racial como estratégia de reexistência, Heranças Ancestrais: Livro Ilustrado e Cartilha Pedagógica Inclusiva e Antirracista. A pesquisa adota abordagem bibliográfica e qualitativa, fundamentando-se em autores como Kabengele Munanga, Nilma Lino Gomes e Paulo Freire. Argumenta-se que o letramento racial e a valorização da ancestralidade constituem estratégias fundamentais de enfrentamento ao racismo estrutural. Conclui-se que práticas pedagógicas antirracistas contribuem para a construção de uma educação emancipatória e socialmente comprometida.

Palavras-chave: educação antirracista; letramento racial; ancestralidade; inclusão; práticas pedagógicas.


1. Introdução

A educação brasileira tem sido historicamente marcada por desigualdades raciais que refletem a herança colonial e escravocrata. Nesse contexto, a implementação das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08 representa um avanço significativo ao tornar obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.

A obra analisada, produzida no âmbito da Universidade Federal do Norte do Tocantins, emerge como resposta a essa demanda, reunindo práticas pedagógicas, reflexões críticas e experiências educativas comprometidas com a transformação social.


2. Educação antirracista e letramento racial

A Cartilha Afrocentrada: Letramento racial como estratégia de reexistência, de Marina Resplandes da Costa, propõe o letramento racial como ferramenta de conscientização crítica e resistência. Tal perspectiva dialoga com Kabengele Munanga, que enfatiza a necessidade de desconstrução das ideologias racistas presentes na sociedade.

O letramento racial permite aos sujeitos compreenderem as dinâmicas do racismo estrutural, promovendo a valorização da identidade e da diversidade cultural.


3. Ancestralidade e tradição oral na educação

A obra Heranças Ancestrais, de Gabriel Cavalcante Júnior, destaca a importância da tradição oral como elemento formador da identidade cultural. A ancestralidade é compreendida como fundamento epistemológico e pedagógico, contribuindo para a construção de saberes plurais.

Essa abordagem dialoga com Nilma Lino Gomes, que defende a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas no currículo escolar como forma de resistência e reconhecimento histórico.


4. Práticas pedagógicas inclusivas e legislação educacional

A Cartilha Pedagógica Inclusiva e Antirracista, elaborada por Jemima Marinho Abreu e Jailma Ribeiro Marinho, apresenta estratégias concretas para a implementação das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08.

Essas práticas incluem a revisão crítica de livros didáticos, a inserção de conteúdos sobre povos originários e a valorização da história afro-brasileira. Tais propostas estão alinhadas com o pensamento de Paulo Freire, que compreende a educação como prática de liberdade e transformação social.


5. Educação como reexistência

A articulação entre as três produções evidencia que educar é também um ato de “reexistir”, ou seja, resistir e reconstruir identidades historicamente marginalizadas. A educação antirracista, nesse sentido, não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve a construção de novas práticas sociais e pedagógicas.

Essa perspectiva reforça o papel da escola como espaço de transformação, capaz de enfrentar o racismo e promover a equidade.


6. Considerações finais

Conclui-se que a obra analisada constitui uma contribuição relevante para o campo da educação, ao integrar teoria e prática na promoção de uma educação antirracista. O letramento racial, a valorização da ancestralidade e as práticas pedagógicas inclusivas configuram-se como elementos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

Dessa forma, reafirma-se a importância de políticas educacionais e práticas docentes comprometidas com a diversidade e a justiça social.


Referências 

ABREU, Jemima Marinho; MARINHO, Jailma Ribeiro. Cartilha pedagógica inclusiva e antirracista: boas práticas para a implementação das leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08. Tocantins: UFNT, 2023.

COSTA, Marina Resplandes da. Cartilha afrocentrada: letramento racial como estratégia de reexistência. Tocantins: UFNT, 2023.

CAVALCANTE JÚNIOR, Gabriel. Heranças ancestrais: livro ilustrado. Tocantins: UFNT, 2023.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2004.

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008.



O MARXISMO COMO TEORIA CRÍTICA E EXPRESSÃO HISTÓRICA DO PROLETARIADO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE NILDO VIANA

A presente análise tem como objetivo analisar o conceito de marxismo a partir da obra O que é marxismo?, de Nildo Viana, destacando sua proposta de compreensão do marxismo como teoria crítica vinculada à luta histórica do proletariado. A pesquisa adota abordagem bibliográfica, fundamentando-se em autores clássicos como Karl Marx, Georg Lukács e Karl Korsch. Argumenta-se que o marxismo não deve ser reduzido a doutrina ou ideologia, mas compreendido em sua dimensão histórico-dialética e emancipatória. Conclui-se que a perspectiva de Viana contribui significativamente para a distinção entre teoria revolucionária e suas formas ideologizadas.

Palavras-chave: marxismo; teoria crítica; luta de classes; materialismo histórico; ideologia.


1. Introdução

O marxismo constitui uma das correntes teóricas mais influentes das Ciências Sociais e da Filosofia política. No entanto, sua interpretação tem sido frequentemente marcada por leituras simplificadoras, dogmáticas ou ideologizadas. Nesse contexto, a obra O que é marxismo?, de Nildo Viana, propõe uma revisão crítica desse campo, buscando apreender sua essência a partir de uma abordagem materialista histórico-dialética.

O objetivo deste artigo é analisar essa proposta teórica, evidenciando sua relevância para a compreensão do marxismo enquanto expressão histórica do proletariado e instrumento de transformação social.


2. O marxismo para além da vulgarização

Segundo Nildo Viana, o marxismo não pode ser reduzido a um sistema fechado de ideias ou a uma doutrina política rígida. Tal redução compromete sua natureza crítica e histórica. O autor destaca que muitas interpretações do marxismo resultaram em formas ideológicas que distorcem seu conteúdo original.

Essa crítica dialoga diretamente com o pensamento de Karl Marx, para quem a teoria deve estar vinculada à prática social e à transformação das condições materiais de existência. Assim, o marxismo deve ser compreendido como um processo dinâmico e não como um corpo dogmático.


3. Materialismo histórico-dialético e análise do marxismo

A principal contribuição de Nildo Viana reside na aplicação do método materialista histórico-dialético ao próprio marxismo. Isso implica compreender o marxismo como produto histórico, condicionado pelas relações sociais e pelas lutas de classes.

Essa perspectiva encontra respaldo em Georg Lukács, que enfatiza a centralidade da totalidade e da consciência de classe, e em Karl Korsch, que defende a inseparabilidade entre teoria e prática revolucionária.


4. Marxismo como expressão do proletariado

Um dos pontos centrais da obra analisada é a definição do marxismo como expressão teórica do proletariado em sua luta contra o capitalismo. Essa concepção rompe com a ideia de neutralidade científica, reafirmando o caráter político e histórico da teoria.

Para Karl Marx, a luta de classes constitui o motor da história. Nesse sentido, o marxismo emerge como instrumento de compreensão e transformação da realidade social, articulando teoria e prática revolucionária.


5. A crítica aos “marxismos”

A partir dessa definição, Nildo Viana critica a proliferação de diferentes “marxismos”, que muitas vezes se afastam de seu núcleo teórico original. Entre eles, destacam-se as interpretações social-democratas e bolcheviques, que, segundo o autor, tendem a institucionalizar e neutralizar o potencial revolucionário da teoria.

Essa análise permite distinguir entre o marxismo como teoria crítica e suas formas ideológicas, que frequentemente servem à manutenção da ordem social.


6. Atualidade do marxismo

Apesar das transformações históricas do capitalismo, o marxismo permanece atual como ferramenta de análise crítica. A obra de Nildo Viana reafirma essa актуalidade ao demonstrar que as contradições fundamentais do capitalismo — exploração, desigualdade e alienação — continuam presentes.

Assim, o marxismo mantém sua relevância tanto no campo acadêmico quanto nas lutas sociais contemporâneas.


7. Considerações finais

Conclui-se que a obra O que é marxismo? oferece uma contribuição significativa para o debate teórico contemporâneo ao propor uma definição rigorosa e não dogmática do marxismo. Ao compreendê-lo como expressão histórica do proletariado, Nildo Viana resgata seu caráter crítico e emancipatório.

Dessa forma, o marxismo é reafirmado não como doutrina estática, mas como teoria viva, inseparável da prática social e das lutas históricas por transformação.


Referências 

VIANA, Nildo. O que é marxismo? Goiânia: Edições Germinal, 2023.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.

LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

KORSCH, Karl. Marxismo e filosofia. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

BODART, Cristiano. Produção sociológica contemporânea e ensino de sociologia no Brasil. Maceió: EDUFAL, 2020.




Da alfabetização ao letramento sociológico: fundamentos, práticas e desafios no ensino de Sociologia no ensino médio brasileiro

a presente análise sobre os fundamentos teóricos e metodológicos da alfabetização e do letramento sociológico no ensino médio, a partir das contribuições de Cristiano Bodart. Discute-se a consolidação da Sociologia escolar no Brasil nas últimas décadas e o papel da produção didática na qualificação do ensino. A pesquisa, de natureza bibliográfica, enfatiza a importância da desnaturalização, da construção de códigos sociológicos e da formação crítica dos estudantes. Conclui-se que a articulação entre alfabetização e letramento sociológico constitui elemento central para o desenvolvimento de uma pedagogia crítica e reflexiva no ensino de Sociologia.

Palavras-chave: Sociologia escolar; alfabetização sociológica; letramento sociológico; ensino médio; pedagogia crítica.


1. Introdução

A inserção da Sociologia como disciplina obrigatória no ensino médio brasileiro impulsionou a produção de materiais didáticos e reflexões pedagógicas voltadas à sua prática docente. Nesse contexto, destaca-se a contribuição de Cristiano Bodart, cuja obra sistematiza conceitos fundamentais para o ensino da Sociologia escolar.

A proposta de distinguir e articular alfabetização e letramento sociológico emerge como resposta às demandas contemporâneas de formação crítica, superando práticas meramente conteudistas e promovendo a autonomia intelectual dos estudantes.


2. Fundamentos da alfabetização sociológica

A alfabetização sociológica refere-se ao domínio inicial dos códigos linguísticos próprios da Sociologia, permitindo ao estudante compreender conceitos, categorias e teorias fundamentais da área.

Esse processo envolve:

  • A apropriação do vocabulário sociológico;
  • A compreensão da arbitrariedade dos conceitos;
  • O desenvolvimento da capacidade de desnaturalização da realidade social.

A desnaturalização constitui um dos pilares da Sociologia, possibilitando ao estudante questionar aquilo que se apresenta como dado ou “natural”, reconhecendo sua construção histórica e social.


3. Letramento sociológico e formação crítica

O letramento sociológico amplia o processo de alfabetização ao incorporar a capacidade de aplicar os conhecimentos sociológicos na interpretação da realidade social.

Nesse sentido, o estudante passa a mobilizar diferentes perspectivas teóricas, tais como:

  • Materialismo histórico-dialético;
  • Sociologia compreensiva;
  • Funcionalismo;
  • Abordagens praxiológicas e estruturais.

O letramento sociológico promove a formação de um sujeito crítico, capaz de interpretar fenômenos sociais de forma complexa e fundamentada.


4. Articulação entre alfabetização e letramento sociológico

A relação entre alfabetização e letramento sociológico é dialética e complementar. Enquanto a alfabetização fornece os instrumentos conceituais básicos, o letramento permite sua aplicação prática e reflexiva.

Essa articulação se concretiza por meio:

  • Da progressividade no ensino;
  • Da contextualização dos conteúdos;
  • Da integração entre teoria e prática;
  • Da construção de esquemas sociológicos.

Tal perspectiva contribui para um ensino mais significativo e alinhado às necessidades formativas dos estudantes.


5. Práticas pedagógicas no ensino de Sociologia

A aplicação da alfabetização e do letramento sociológico em sala de aula requer metodologias ativas e reflexivas, tais como:

  • Análise de situações cotidianas;
  • Debates e problematizações;
  • Estudos de caso;
  • Produção de textos críticos.

O papel do docente é central nesse processo, atuando como mediador do conhecimento e incentivador do pensamento crítico.


6. Desafios e limites

Apesar dos avanços, o ensino de Sociologia enfrenta desafios significativos, incluindo:

  • Falta de formação continuada de professores;
  • Escassez de materiais didáticos adequados;
  • Pressões curriculares e institucionais;
  • Desvalorização da disciplina no contexto escolar.

Tais obstáculos demandam políticas públicas e iniciativas acadêmicas que fortaleçam a área.


7. Considerações finais

A alfabetização e o letramento sociológico constituem pilares fundamentais para o ensino de Sociologia no ensino médio. A proposta teórica analisada evidencia a necessidade de uma pedagogia crítica, que vá além da transmissão de conteúdos e promova a formação de sujeitos reflexivos e conscientes.

Nesse sentido, a obra de Cristiano Bodart representa uma contribuição relevante para a consolidação da Sociologia escolar no Brasil, oferecendo subsídios teóricos e práticos para a atuação docente.


Referências 

BODART, Cristiano. Da alfabetização sociológica ao letramento sociológico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 2004.

TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2010.





quarta-feira, 25 de março de 2026

Saúde mental, crise ambiental e necropolítica na contemporaneidade: uma análise crítica a partir de Byung-Chul Han, Ailton Krenak, Achille Mbembe e Jean Baudrillard em diálogo com os ODS

A presente análise das inter-relações entre saúde mental, exploração ambiental e estruturas de poder na contemporaneidade, a partir dos aportes teóricos de Byung-Chul Han, Ailton Krenak, Achille Mbembe e Jean Baudrillard. Discute-se como a lógica neoliberal intensifica processos de adoecimento psíquico, como depressão, ansiedade e burnout, ao mesmo tempo em que legitima práticas de exploração ambiental e gestão da vida e da morte. A pesquisa articula tais reflexões com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), evidenciando tensões entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e dignidade humana. Conclui-se que a crise contemporânea é simultaneamente subjetiva, política e ecológica.

Palavras-chave: saúde mental; necropolítica; sustentabilidade; ODS; sociedade contemporânea.


1. Introdução

A contemporaneidade é marcada por múltiplas crises interligadas: psicológicas, ambientais e políticas. O aumento de transtornos como depressão e burnout reflete transformações profundas na organização do trabalho e da vida social. Paralelamente, a intensificação da exploração ambiental e a desigualdade global revelam dinâmicas de poder que determinam quem pode viver e quem pode morrer.

Nesse contexto, os ODS propõem um modelo de desenvolvimento sustentável, porém tensionado pelas contradições do capitalismo contemporâneo.


2. Sociedade do cansaço e adoecimento psíquico

Segundo Byung-Chul Han, vivemos em uma “sociedade do desempenho”, na qual o sujeito se autoexplora em nome da produtividade e do sucesso. Essa lógica substitui a coerção externa por uma pressão interna contínua.

O resultado é o aumento de doenças como depressão, ansiedade e burnout, entendidas como manifestações de uma “violência neuronal” causada pelo excesso de positividade e cobrança por desempenho .

Diferentemente das sociedades disciplinares, o indivíduo contemporâneo é simultaneamente explorador e explorado, o que intensifica o sofrimento psíquico.


3. Crítica à exploração ambiental

Ailton Krenak critica o paradigma ocidental de progresso, denunciando a separação entre humanidade e natureza. Para o autor, a crise ambiental resulta de uma visão que transforma a Terra em recurso.

Krenak propõe uma reconfiguração ontológica: reconhecer a interdependência entre seres humanos e natureza. Essa perspectiva dialoga diretamente com os ODS, especialmente:

  • ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima)
  • ODS 15 (Vida terrestre)

Entretanto, o modelo econômico vigente dificulta a implementação efetiva dessas metas.


4. Necropolítica e a gestão da morte

O conceito de necropolítica, desenvolvido por Achille Mbembe, refere-se ao poder de decidir quem deve viver e quem pode morrer.

Na contemporaneidade, esse poder se manifesta:

  • na desigualdade de acesso à saúde
  • na violência estrutural
  • na marginalização de populações vulneráveis

A necropolítica evidencia que o desenvolvimento não é neutro: ele seleciona vidas descartáveis dentro do sistema global .

Esse conceito dialoga com:

  • ODS 3 (Saúde e bem-estar)
  • ODS 10 (Redução das desigualdades)


5. Simulacro e a “morte do real”

Para Jean Baudrillard, vivemos em uma era de simulacros, na qual a realidade é substituída por representações e imagens.

A “morte do real” implica:

  • hiper-realidade mediada por tecnologia
  • perda de referenciais concretos
  • alienação social

Esse fenômeno intensifica:

  • o adoecimento psíquico (desconexão com o real)
  • a apatia política
  • a dificuldade de enfrentar crises ambientais reais


6. Articulação com os ODS

A análise integrada dos autores revela contradições estruturais nos ODS:

DimensãoProblema identificadoODS relacionados
Saúde mentalSociedade do desempenho e burnoutODS 3
Meio ambienteExploração da naturezaODS 13, 15
PolíticaNecropolítica e desigualdadeODS 10
CulturaSimulação da realidadeODS 4 (educação crítica)

Embora os ODS proponham soluções globais, sua efetividade depende da transformação das estruturas econômicas e culturais.


7. Conclusão

A contemporaneidade configura uma crise multidimensional: psíquica, ambiental e política. A sociedade do desempenho adoece indivíduos, a exploração ambiental ameaça a vida no planeta, e a necropolítica revela a seletividade da vida no capitalismo global.

A contribuição dos autores analisados evidencia que os ODS, embora necessários, são insuficientes sem uma mudança estrutural profunda. É preciso repensar o próprio conceito de desenvolvimento, incorporando dimensões éticas, ecológicas e existenciais.


Referências 

BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio D’Água, 1991.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: n-1 edições, 2018.

PRADO, Kelvin Oliveira do. Biopolítica, necropolítica e psicopolítica: uma interlocução entre conceitos. Faces de Clio, 2023.

SOUZA NETO, José Marreiros de. Entre o excesso e o esgotamento: uma leitura crítica de Byung-Chul Han. Revista IEMA, 2023.


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