O cristianismo começou com Jesus, que ensinou amor, perdão, justiça e paz. Depois dele surgiram muitas igrejas, cada uma com regras e doutrinas diferentes. Apesar disso, todas dizem seguir Cristo. O problema começa quando a igreja coloca a lei, o dinheiro ou o poder acima do amor. Jesus não pregou ódio, nem violência, nem exclusão. Ele ficou ao lado dos pobres, dos doentes e dos rejeitados. A Teologia da Libertação lembra isso: fé sem amor e sem justiça não é cristianismo verdadeiro. Não importa o nome da igreja, o que importa é seguir o exemplo de Jesus. Quem usa a Bíblia para atacar, excluir ou enriquecer distorce o Evangelho. O verdadeiro cristão vive o amor que Jesus ensinou. Apesar das diferenças históricas, institucionais e doutrinárias entre as diversas igrejas cristãs, há convergências fundamentais que definem o núcleo do cristianismo. Todas reconhecem Jesus Cristo como figura central da fé, confessam sua importância salvadora e se orientam, em maior ou menor grau, pelos Evangelhos. A crença em Deus único, a valorização do amor ao próximo, do perdão, da misericórdia e da justiça social constituem pontos comuns entre católicos, ortodoxos, protestantes e evangélicos. Também é convergente a noção de que a fé deve transformar a vida pessoal e a convivência social. A Teologia da Libertação afirma que o verdadeiro Cristo é aquele revelado nos Evangelhos, comprometido com os pobres, os oprimidos e a justiça social. Ela critica formas de cristianismo que se afastam do amor, da misericórdia e da transformação da realidade. Para essa teologia, a fé cristã deve ser vivida na prática histórica da libertação.
Palavras-chave: Cristianismo; Origem do Cristianismo; Igrejas Cristãs; Dogmas Cristãos; Catolicismo; Ortodoxia; Protestantismo; Igrejas Evangélicas; Teologia da Libertação; Jesus Cristo; Ética Cristã; Justiça Social; História das Religiões.
1. Origem do Cristianismo
O cristianismo surge no século I d.C., no contexto do judaísmo do Segundo Templo, dentro do Império Romano. Tem como figura central Jesus de Nazaré, judeu da Galileia, cujos ensinamentos enfatizavam o amor ao próximo, o perdão, a justiça e o Reino de Deus. Após sua crucificação, seus seguidores passaram a anunciar sua ressurreição, formando as primeiras comunidades cristãs.
Inicialmente, o cristianismo era um movimento interno ao judaísmo, mas, com a atuação de Paulo de Tarso, expandiu-se para o mundo greco-romano, rompendo gradualmente com a observância da Lei mosaica. No século IV, com o imperador Constantino, tornou-se religião tolerada e depois oficial do Império Romano, o que marcou profundamente sua institucionalização e seus dogmas.
2. Igrejas que surgem do Cristianismo
Ao longo da história, divergências teológicas, políticas e culturais deram origem a diferentes tradições cristãs:
2.1 Igreja Católica Apostólica Romana
Afirma sucessão apostólica a partir de Pedro, reconhece a autoridade do papa e desenvolveu sua teologia ao longo de concílios ecumênicos.
2.2 Igrejas Ortodoxas
Separadas formalmente de Roma no Cisma do Oriente (1054), enfatizam a tradição dos Padres da Igreja, a liturgia e a colegialidade episcopal, rejeitando a supremacia papal.
2.3 Igrejas Protestantes
Originadas na Reforma do século XVI, liderada por Lutero, Calvino e outros. Rompem com Roma criticando abusos e defendendo novas bases doutrinárias.
2.4 Igrejas Evangélicas e Pentecostais
Desenvolvem-se sobretudo a partir dos séculos XIX e XX, com ênfase na conversão pessoal, experiência espiritual direta e leitura literal da Bíblia.
3. Dogmas defendidos pelas principais Igrejas na atualidade
3.1 Igreja Católica
Trindade
Sete sacramentos
Autoridade do papa
Tradição e Escritura
Culto aos santos e à Virgem Maria
3.2 Igrejas Ortodoxas
Trindade
Sacramentos (mistérios)
Tradição apostólica
Rejeição do dogma da infalibilidade papal
3.3 Igrejas Protestantes Históricas
Sola Scriptura
Salvação pela fé
Dois sacramentos (batismo e ceia)
Rejeição do culto aos santo.
3.4 Igrejas Evangélicas e Pentecostais
Autoridade absoluta da Bíblia
Conversão pessoal
Ênfase no Espírito Santo
Alguns grupos defendem teologia da prosperidade (tema controverso)
4. Teologia da Libertação, religiões cristãs e o verdadeiro Cristo
A Teologia da Libertação entende que todas as religiões cristãs são chamadas a seguir o Cristo histórico, aquele que viveu entre os pobres e denunciou a opressão. Segundo essa perspectiva, dogmas, instituições e hierarquias só são legítimos quando servem à vida e à dignidade humana. Igrejas que justificam desigualdade, violência ou exclusão distorcem o Evangelho.
O verdadeiro Cristo não se alia ao poder econômico ou político opressor, mas se coloca ao lado dos marginalizados. A fé cristã, portanto, não pode ser apenas espiritual ou individual, mas deve ter compromisso social.
A leitura bíblica é feita a partir da realidade dos pobres, que se tornam sujeitos da fé. Assim, a unidade cristã se constrói mais pela prática do amor e da justiça do que pela uniformidade doutrinária. O critério central é: onde há vida, justiça e libertação, ali está o Cristo.
Conclusão
O cristianismo não é um bloco monolítico, mas uma tradição plural, moldada por contextos históricos, disputas de poder e interpretações teológicas distintas.
Embora todas as Igrejas cristãs reivindiquem Jesus Cristo como fundamento, seus dogmas refletem leituras divergentes da Bíblia e da tradição.
O desafio contemporâneo do cristianismo é resgatar o núcleo ético do Evangelho — amor, justiça e paz — diante de usos ideológicos e fundamentalistas da fé.
As divergências entre as igrejas cristãs dizem respeito principalmente a estrutura institucional, autoridade religiosa, sacramentos e interpretações teológicas, mas não anulam o núcleo ético e espiritual comum.
A convergência maior está na mensagem de Jesus, centrada no amor, na paz, na dignidade humana e na esperança.
Em um mundo marcado por conflitos e intolerâncias, essas convergências oferecem base sólida para o diálogo ecumênico, a cooperação entre igrejas e a defesa de valores universais. Assim, mais do que as diferenças dogmáticas, o que une o cristianismo é a busca comum por viver o Evangelho de forma concreta e humanizadora.
Para a Teologia da Libertação, o verdadeiro cristianismo não se define pela denominação, mas pela fidelidade ao projeto de Jesus. Igrejas que promovem amor, justiça e solidariedade aproximam-se do Cristo autêntico.
Já aquelas que legitimam opressão e ódio afastam-se do Evangelho. O Cristo verdadeiro se reconhece na defesa da vida e dos pobres.
5. Referências Bibliográficas
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