Este análise apresenta a evolução do conhecimento sobre a forma da Terra, desde os primeiros filósofos da Grécia Antiga até as comprovações científicas modernas. Explora as evidências empíricas iniciais, os cálculos de Eratóstenes, as observações do século XVIII e os avanços tecnológicos do século XX e XXI que consolidaram a noção de que a Terra é esférica. O estudo evidencia como a ciência transformou hipóteses filosóficas em conhecimento sólido.
Introdução
A compreensão da forma da Terra sempre despertou interesse humano. Inicialmente, a ideia de que a Terra poderia ser redonda surgiu na filosofia grega, baseada em raciocínios lógicos e observações do céu. Ao longo do tempo, evidências empíricas, cálculos matemáticos e fotografias obtidas do espaço confirmaram que a Terra é, de fato, esférica. Este artigo tem como objetivo apresentar a trajetória histórica dessa descoberta, destacando os principais contribuintes e métodos científicos que consolidaram esse conhecimento.
Origens do Conceito de Terra Redonda
A primeira hipótese sobre a Terra como esfera surgiu entre filósofos da Grécia Antiga. Pitágoras sugeriu a esfericidade da Terra com base em argumentos filosóficos e matemáticos, enquanto Aristóteles apresentou evidências observacionais, como a sombra curva da Terra projetada sobre a Lua durante eclipses e a mudança das constelações visíveis ao viajar para diferentes latitudes (ARISTÓTELES, 1984).
Primeiras Evidências Científicas
O matemático Eratóstenes realizou o primeiro cálculo conhecido da circunferência da Terra, comparando a sombra do Sol em duas cidades diferentes e aplicando geometria simples (BOWEN, 2009). Essa experiência combinou observação empírica e raciocínio matemático, mostrando que a Terra não era plana, mas sim esférica.
Consolidação no Século XVIII
No século XVIII, expedições científicas e medições geodésicas comprovaram a esfericidade do planeta. Cientistas como Pierre Bouguer e Charles Marie de La Condamine participaram de medições precisas que consolidaram mapas e melhoraram a compreensão da Terra (KENNEDY, 2018). Essas observações confirmaram a validade das ideias antigas com métodos científicos rigorosos.
Séculos XX e XXI: Provas Modernas
O avanço tecnológico permitiu comprovar a forma da Terra de maneira irrefutável:
Fotografias do espaço: missões Apollo e satélites capturaram imagens que mostram claramente a Terra esférica (NASA, 2026).
Satélites de comunicação e GPS: sistemas de navegação dependem de cálculos baseados na Terra como esfera.
Observações astronômicas e físicas: fenômenos gravitacionais e órbitas planetárias reforçam a forma esférica do planeta.
Onde está na Bíblia que a Terra é plana?
A Bíblia não afirma explicitamente que a Terra é plana. O que existem são versículos de caráter poético, simbólico ou cultural, que algumas pessoas interpretam de forma literal, fora do contexto histórico e literário.
Textos mais citados por defensores da Terra plana
Isaías 40:22
“Ele é o que está assentado sobre o círculo da Terra…”
👉 A palavra hebraica chûg significa círculo, arco ou esfera, não “disco plano”.
Apocalipse 7:1
“Quatro anjos… nos quatro cantos da Terra”
👉 Expressão figurada, assim como ainda se usa “quatro cantos do mundo”, sem sentido literal.
Salmos 104:5
“Fundaste a Terra… para que não vacile”
👉 Linguagem poética, não uma descrição científica da forma do planeta.
Daniel 4:10–11
“Uma árvore… visível até os confins da Terra”
👉 Trata-se de uma visão simbólica, não de geografia física.
A Bíblia não ensina que a Terra é plana. Ela não foi escrita como um livro de ciência, mas utiliza linguagem simbólica, cultural e poética. A ideia de Terra plana surge de uma leitura literal de metáforas, e não do conteúdo bíblico em si.
A Bíblia e a Interpretação da Forma da Terra
A Bíblia é frequentemente citada em debates contemporâneos sobre a forma da Terra, especialmente por interpretações que defendem a ideia de um planeta plano. Entretanto, uma análise hermenêutica e contextual dos textos bíblicos demonstra que não há, nas Escrituras, qualquer afirmação explícita de que a Terra seja plana.
Os trechos utilizados nesse tipo de argumentação pertencem, em sua maioria, a gêneros literários poéticos, proféticos ou apocalípticos, nos quais o uso de metáforas, símbolos e figuras de linguagem é predominante.
Passagens como Isaías 40:22, que menciona o “círculo da Terra”, utilizam o termo hebraico chûg, cujo significado está associado a curvatura, abrangência ou forma circular, não a uma descrição geométrica literal de um disco plano.
De modo semelhante, a expressão “quatro cantos da Terra”, presente em Apocalipse 7:1, constitui uma construção idiomática comum em diversas culturas antigas, indicando totalidade ou extensão global, e não uma concepção física do planeta.
Outros textos frequentemente citados, como Salmos 104:5, empregam linguagem poética para exaltar a estabilidade da criação, sem qualquer intenção de definir cientificamente a forma da Terra.
Da mesma forma, as visões descritas em Daniel 4 possuem caráter simbólico e alegórico, típico da literatura profética, não devendo ser interpretadas como descrições geográficas ou cosmológicas.
Dessa forma, a leitura literal desses trechos, desconsiderando o contexto histórico, cultural e literário, conduz a interpretações equivocadas.
A Bíblia, enquanto texto religioso, não se propõe a fornecer explicações científicas, mas transmitir ensinamentos teológicos, morais e espirituais. Assim, a associação entre o texto bíblico e a ideia de uma Terra plana não encontra sustentação textual nem hermenêutica adequada, resultando de uma interpretação inadequada de metáforas e símbolos presentes nas Escrituras.
Conclusão
Ao longo da história, a compreensão da Terra evoluiu de uma hipótese filosófica para uma certeza científica.
As contribuições de filósofos, matemáticos e cientistas ao longo dos séculos mostraram que o conhecimento científico é construído gradualmente, através de observações, experimentos e cálculos.
Hoje, graças à tecnologia espacial, a esfericidade da Terra é comprovada de maneira indiscutível, consolidando um conhecimento que conecta filosofia, matemática e ciência moderna.
Referências Bibliográficas
ARISTÓTELES. Sobre o Céu. Tradução de Mário da Gama Kury. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
BOWEN, A. Eratosthenes and the Size of the Earth. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.
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Anexo
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