sábado, 24 de janeiro de 2026

Investigações da Polícia Federal e indícios de possíveis crimes relacionados ao Banco Master: uma análise crítica de vínculos político-partidários no cenário da Bahia

A presente análise das investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) sobre eventuais irregularidades financeiras no Banco Master. Busca-se mapear, com base em documentos, reportagens e dados oficiais, os indícios que conectam atores políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado da Bahia a práticas financeiras suspeitas envolvendo a instituição. Em vez de afirmar culpabilidade, o artigo discute a natureza dos vínculos políticos e financeiros, o papel das investigações e o impacto para o debate público e acadêmico.


1. Introdução

O colapso do Banco Master, em 2025, desencadeou uma série de investigações conduzidas pela Polícia Federal sob a operação denominada Compliance Zero, com base em indícios de emissão de títulos de crédito falsos, fraudes contra o sistema financeiro e operações de risco elevado. 

Essas investigações envolveram prisões de executivos do banco e apreensões de documentos e valores em espécie. Em meio ao contexto investigativo, surgiram reportagens mencionando possíveis vínculos entre o banco e agentes políticos ligados ao PT na Bahia, suscitando debates sobre relações entre política regional e práticas financeiras suspeitas. �


2. Revisão de Literatura

2.1 Investigação e fraude financeira no sistema bancário

Literatura acadêmica sobre fraude financeira e governança corporativa destaca que instituições financeiras corroem a confiança do sistema quando manipulam ativos, criam títulos falsos e violam normas contábeis. 

Estudos em criminologia econômica mostram que tais esquemas frequentemente envolvem redes complexas de agentes econômicos e políticos, especialmente quando há incentivos para expansão agressiva e ausência de controles robustos.

Referências teóricas importantes incluem:

Levi, M. (2009). Financial Crime and the Economic System.

Zdanovic, T. et al. (2018). Financial Fraud Detection: A Research Overview.


2.2 Relações entre Estado e instituições financeiras

Pesquisas em ciência política e economia política abordam a forma como relações entre agentes estatais e instituições privadas podem suscitar conflitos de interesse e vulnerabilidades éticas. 

Em contextos brasileiros, autores como Avritzer (2014) e Bresser-Pereira (2018) discutem como redes de influência podem moldar decisões econômicas e políticas públicas.


3. Metodologia

Trata-se de uma pesquisa documental e qualitativa, com coleta e análise de:

Documentos oficiais de investigação (ações de busca e apreensão, depoimentos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal) divulgados por órgãos públicos e reportagens jornalísticas;

Cobertura jornalística de veículos nacionais que mencionam aspetos das investigações e possíveis vínculos políticos;

Análise crítica de fontes secundárias que contextualizam a atuação do Banco Master no sistema financeiro e possíveis relações com agentes políticos da Bahia.

As fontes foram selecionadas pela sua relevância em fornecer informações primárias sobre a operação Compliance Zero e possíveis relações político-financeiras. 


4. Análise e discussão

4.1 Operação Compliance Zero e indícios de fraude

A Polícia Federal deflagrou, em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de executivos do Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, por suspeita de emissão de títulos de crédito falsos e esquema de fraude financeira. Foram apreendidos valores em espécie e documentos ligados às transações investigadas. 

O diretor-geral da PF relatou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que as irregularidades podem envolver movimentação de valores bilionários e franchir um complexo esquema de créditos inventados e negociação de ativos sem lastro econômico. 


4.2 Vínculo de atores baianos e partidos políticos nas investigações

Embora as investigações atinjam diretamente executivos e operações financeiras, algumas reportagens apontam que Augusto Ferreira Lima, ex-sócio baiano do Banco Master, teria atuado na origem de carteiras de empréstimos consignados e que estruturas de venda de créditos podem ter se iniciado na Bahia, com possíveis relações com agentes públicos. 

Além disso, colunas jornalísticas sugerem que essas investigações podem “impactar o PT da Bahia”, mencionando receio interno no partido sobre possíveis reflexos, ainda que essas ligações não tenham sido oficialmente comprovadas em juízo. 


4.3 Limites das evidências públicas

É essencial destacar que não existem, até o momento, sentenças ou indiciamentos públicos de governadores ou lideranças petistas da Bahia como responsáveis por crimes no caso Banco Master nos autos judiciais.

 Os indícios mencionados na mídia referem-se a relações pessoais ou políticas e não a provas legais de crimes cometidos por agentes públicos. O impacto sobre o debate político decorre mais de relações de contexto do que de judicialização com condenações. 


5. Conclusão

A análise das investigações da Polícia Federal evidencia um esquema financeiro complexo envolvendo o Banco Master, com indícios de fraudes sistêmicas e prisões de executivos.

 No entanto, a conexão direta entre essas investigações e acusações formais contra agentes políticos do PT na Bahia não encontra respaldo em decisões judiciais ou evidências publicadas nos autos, sendo até agora terreno de reportagens, especulações e debates públicos.

A contribuição do presente estudo é destacar a importância de separar indícios investigativos, relações políticas e responsabilização penal comprovada no debate científico e jornalístico sobre casos de grande repercussão.

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master revelam indícios de fraudes financeiras e possíveis esquemas de corrupção no sistema bancário brasileiro. Reportagens apontam vínculos políticos entre executivos do banco e agentes ligados ao PT da Bahia.

 Esses indícios, no entanto, ainda não configuram provas judiciais definitivas. O caso permanece em apuração pelos órgãos competentes. A análise crítica exige distinguir investigação, indício e condenação legal que prove fatos e não apenas indícios ou acusações infundadas.


Referências

(Apresentadas em estilo ABNT/APA conforme normas acadêmicas)

POLÍCIA FEDERAL realiza Operação Compliance Zero e apreende R$ 1,6 milhão na casa de diretor do Banco Master. Politiza Brasil (2025). 

Diretrizes do ministro Toffoli autorizam novas diligências e quebras de sigilo relacionadas ao Banco Master. Agência Brasil (2025). 

Investigações analisam possíveis comissões pagas pelo Banco Master para expandir carteiras de crédito consignado. Times Brasil (2025). 

Avanço das investigações pode impactar PT da Bahia, segundo colunas jornalísticas. Bnews (2026). 

Bibliografia teórica (ex.: Levi, M. (2009). Financial Crime and the Economic System; Zdanovic, T. et al. (2018). Financial Fraud Detection: A Research Overview).



Anexo




















sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Ideologia, Corrupção e Desempenho Político no Brasil: Uma Análise Crítica de Governos de Esquerda

A presente análise da relação entre ideologia política, corrupção e desempenho governamental no Brasil, com ênfase em governos de esquerda, especialmente do Partido dos Trabalhadores (PT). A partir de uma abordagem crítica e sociológica, discute-se a percepção popular de que a esquerda “promete muito, mas não entrega”, confrontando-a com dados empíricos de estados governados pelo PT. O estudo evidencia que corrupção e ineficiência são fenômenos estruturais do sistema político brasileiro, associados ao presidencialismo de coalizão, ao patrimonialismo histórico e à captura do Estado por elites políticas. Conclui-se que a alternância de partidos no poder, por si só, não resolve problemas institucionais, e que a narrativa crítica à esquerda muitas vezes ignora avanços concretos em algumas regiões.

Palavras-chave: Ideologia política. Corrupção. Gestão pública. PT. Sistema político brasileiro.


1. Introdução

O debate político brasileiro é marcado por forte polarização ideológica. A esquerda, especialmente o PT, é frequentemente acusada de ser incapaz de governar, enquanto a direita seria supostamente mais eficiente. Essa narrativa, difundida em redes sociais e discursos populares, sugere que governos de esquerda prometem muito e entregam pouco, sendo caracterizados por corrupção generalizada (VIANA, 2012).

No entanto, tal percepção simplifica problemas complexos da administração pública, desconsiderando fatores estruturais, como histórico patrimonialista, fragilidade institucional, desigualdades regionais e presidencialismo de coalizão (ABRANCHES, 1988; FAORO, 2001). O presente artigo busca analisar, de forma crítica e fundamentada, até que ponto essa narrativa corresponde à realidade.


2. Ideologia e Governabilidade

A distinção entre esquerda e direita é, sobretudo, normativa e moral, não técnica ou gerencial (BOBBIO, 1995). A capacidade de governar está mais associada à qualidade das instituições, estabilidade fiscal e profissionalização da burocracia do que à ideologia do partido no poder.

O discurso de que a esquerda é incapaz de administrar ignora que governos de diferentes espectros ideológicos enfrentam os mesmos entraves estruturais: coalizões frágeis, burocracia limitada e elites políticas patrimonialistas (ŽIŽEK, 2011).


3. Corrupção Estrutural no Brasil

A corrupção é endêmica e não exclusiva da esquerda. Grandes escândalos envolveram praticamente todos os partidos: Mensalão e Lava Jato (PT), Alstom e metrô (PSDB), JBS e emendas parlamentares (MDB) (FILGUEIRAS, 2008).

A diferença é que o PT foi mais investigado devido ao fortalecimento de órgãos de controle, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Controladoria-Geral da União. Dessa forma, a narrativa de que “só a esquerda rouba” é simplista e ideologicamente carregada (FAORO, 2001).


4. Desempenho de Estados Governados pelo PT

A crítica popular sugere que, “quando a esquerda governa, tudo dá errado”. Entretanto, exemplos empíricos mostram realidade mais complexa:

Ceará: avanços significativos na educação básica, infraestrutura portuária e energias renováveis.

Bahia: crescimento econômico consistente e investimentos em saúde e educação.

Piauí: expansão em energia solar e eólica e melhora nos indicadores sociais.

Esses casos indicam que a relação entre ideologia e desempenho não é determinista, e que a narrativa crítica à esquerda muitas vezes ignora resultados concretos (FILGUEIRAS, 2008; VIANA, 2012).


5. Presidencialismo de Coalizão e Fragilidade Institucional

O presidencialismo de coalizão brasileiro obriga o Executivo a negociar com múltiplos partidos e interesses, criando incentivos à troca de favores e corrupção (ABRANCHES, 1988). Esse arranjo estrutural impacta governos de todos os espectros ideológicos, tornando difícil distinguir falhas gerenciais ideológicas de falhas institucionais.


6. Crítica Satírica e Discurso Popular

O senso comum satírico resume a percepção da esquerda como “especialista em falar e iludir o povo com promessas”, enquanto a realidade administrativa seria marcada pela confusão, corrupção e ineficiência. Curiosamente, quando governos de direita fracassam, culpa-se a herança do governo anterior, enquanto a esquerda carrega a culpa moral de todos os problemas (ŽIŽEK, 2011).

Essa crítica irônica evidencia que a percepção popular nem sempre reflete a realidade empírica, mas reforça narrativas ideológicas e simbólicas.


7. Investimentos Públicos e Dignidade Social: Comparação entre Governos Reformistas e Fisiológicos

A análise comparativa entre governos de estado reformistas, como aqueles comandados pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e governos fisiológicos, frequentemente associados ao Partido Liberal (PL), evidencia diferenças significativas na priorização de políticas públicas que impactam diretamente a dignidade da população. 

Governos reformistas tendem a direcionar recursos para educação, saúde, segurança pública e programas de valorização salarial, refletindo uma concepção de gestão voltada à redução das desigualdades sociais e à promoção de direitos básicos (VIANA, 2012; FILGUEIRAS, 2008).

Em contrapartida, governos fisiológicos frequentemente priorizam interesses políticos e empresariais, realizando investimentos que reforçam redes de clientelismo e manutenção do poder, enquanto a população enfrenta serviços públicos deficitários, baixos salários e infraestrutura limitada. 

Estudos sobre políticas estaduais mostram que estados administrados pelo PT registraram avanços em indicadores sociais, como aumento do acesso à educação básica, ampliação de programas de saúde e melhoria na segurança, em comparação a estados governados por partidos fisiológicos, onde esses indicadores permanecem estagnados (ABRANCHES, 1988; FAORO, 2001).

Essa diferenciação evidencia que o investimento em políticas públicas estratégicas impacta diretamente a dignidade das pessoas, medida pela qualidade de vida, oportunidades de desenvolvimento e proteção social. 

Além disso, a gestão reformista tende a implementar mecanismos de transparência e controle, reduzindo desvios de recursos e melhorando a eficiência da aplicação de verbas públicas.

Por outro lado, a persistência de práticas fisiológicas reforça a concentração de poder e favorece a manutenção de estruturas políticas que priorizam interesses partidários e empresariais em detrimento do bem-estar social. 

A análise evidencia que o tipo de gestão e a orientação ideológica têm efeitos concretos sobre o desenvolvimento humano e social, mostrando a importância de políticas públicas estratégicas e planejamento de longo prazo para efetivamente promover dignidade e justiça social (ŽIŽEK, 2011; FAORO, 2001).



Conclusão

A análise evidencia que a crise de governabilidade no Brasil não decorre exclusivamente da ideologia dos partidos no poder. Corrupção, ineficiência administrativa e serviços públicos deficientes são problemas estruturais, associados ao patrimonialismo histórico, ao presidencialismo de coalizão e à fragilidade institucional.

Estados governados pelo PT, como Ceará, Bahia e Piauí, demonstram que avanços concretos são possíveis mesmo sob governos acusados de “incapazes”. Assim, a alternância de partidos não resolve problemas estruturais. Para mudanças reais, são necessárias reformas institucionais profundas, não apenas críticas ideológicas ou troca de gestões.

Ah, os governos reformistas do PT investem em educação, saúde e salários… claro, mas sempre sobra tempo para discursos bonitos e selfies em escolas recém-inauguradas. Já os fisiológicos do PL são mestres em manter a máquina do poder funcionando, mesmo que a população só veja buracos nas ruas e hospitais lotados. 

Enquanto uns tentam “dignificar” a vida do povo, outros aperfeiçoam a arte de transformar verba pública em elogios partidários. A diferença? Uma melhora sutil nos índices sociais versus um show contínuo de clientelismo e fotos oficiais. No fim, ambos prometem mundos, mas só alguns realmente ganham algo além de propaganda.


Referências 

ABRANCHES, Sérgio Henrique. Presidencialismo de coalizão: o dilema institucional brasileiro. Dados, Rio de Janeiro, v. 31, n. 1, p. 5-34, 1988.

BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: UNESP, 1995.

FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 3. ed. São Paulo: Globo, 2001.

FILGUEIRAS, Fernando. A corrupção na política: perspectivas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 23, n. 67, 2008.

ISTOÉ. SC chega a 22 prefeitos presos por suspeita de corrupção; veja quem são. Disponível em: https://istoe.com.br/sc-chega-a-22-prefeitos-presos-por-suspeita-de-corrupcao-veja-quem-sao. Acesso em: 23 jan. 2026.

SBTNEWS. Santa Catarina chega a 18 prefeitos presos por corrupção em um ano e dois meses. Disponível em: https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/santa-catarina-chega-a-18-prefeitos-presos-por-corrupcao-em-um-ano-e-dois-meses. Acesso em: 23 jan. 2026.

VIANA, Nildo. O Estado moderno: análise sociológica. Rio de Janeiro: Achiamé, 2012.

ŽIŽEK, Slavoj. Em defesa das causas perdidas. São Paulo: Boitempo, 2011.


Anexo

















quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Frentes amplas, federações e coligações na eleição presidencial brasileira de 2026: um estudo institucional e político

O sistema político brasileiro caracteriza‑se por um multipartidarismo intenso, no qual alianças eleitorais são mecanismos centrais para a agregação de forças políticas em torno de candidaturas presidenciais. As eleições de 2026 apresentam um ambiente de articulação entre partidos de diferentes espectros ideológicos para formar frentes amplas, federações partidárias e coligações eleitorais. Este artigo utiliza o arcabouço jurídico‑institucional brasileiro e referências da ciência política para discutir as possíveis configurações desses pactos eleitorais e suas implicações para a governabilidade e a representação.


1. Introdução: multipartidarismo e alianças no Brasil

O presidencialismo de coalizão brasileiro emerge historicamente da necessidade de partidos agregarem apoio legislativo consistente para governabilidade em contextos de fragmentação partidária. 

Pesquisas em ciência política destacam a complexidade das redes partidárias e as alianças como elementos estruturantes do regime representativo brasileiro, influenciando desde a formação de governos até o comportamento legislativo dos parlamentares (Brito et al., 2019). 

A legislação eleitoral brasileira passou por reformas recentes que trouxeram novos instrumentos de aliança, como as federações partidárias, além das tradicionais coligações eleitorais.

O cenário político brasileiro de 2026 apresenta uma complexidade multipartidária significativa, na qual diferentes pré-candidatos à Presidência da República articulam suas bases eleitorais por meio de partidos, federações e coligações, buscando consolidar influência em nível nacional, estadual e municipal. Os partidos de esquerda radical, como o Partido da Causa Operária (PCO – 29), o Partido Comunista Brasileiro (PCB – 21), a Unidade Popular (UP – 80) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU – 16), optam por candidaturas próprias e independentes, mantendo postura crítica em relação a alianças amplas, com foco na defesa de políticas anti-capitalistas, nacionalização de setores estratégicos, reforma agrária e ampliação dos direitos trabalhistas. 

Já o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL – 50), embora mantenha candidaturas próprias, atua de forma estratégica em apoio parcial a frentes de esquerda, especialmente em regiões metropolitanas, defendendo justiça social, direitos humanos e sustentabilidade ambiental.

A Frente Lula, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT – 13), articula uma ampla coalizão conhecida como Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB (65), PSB (40), PV (43), Rede Sustentabilidade (18), PSOL (50) de forma parcial e estratégica, e Cidadania (23), buscando reduzir desigualdades sociais, ampliar programas públicos de transferência de renda, fortalecer sindicatos e garantir políticas de educação e saúde. 

Essa frente ampla permite o controle estratégico de governos estaduais e prefeituras, além de fortalecer a presença territorial do partido. Em paralelo, a candidatura de Ciro Gomes (PDT – 12) representa a centro-esquerda alternativa, com apoio do PDT, PSB, PV, Rede e PSOL parcial, defendendo políticas econômicas moderadas, desenvolvimento industrial, geração de empregos e equilíbrio entre Estado e mercado, mantendo coligações regionais pragmáticas em eleições estaduais e municipais.

No campo do centro-liberal e direita moderada, Romeu Zema (NOVO – 30) articula alianças com PSDB (45), Cidadania (23), PSD (55), PP (11), Podemos (20) e partidos menores como Patriota (51), Avante (70) e PMN (33), priorizando liberalismo econômico, redução do tamanho do Estado, incentivo à iniciativa privada e desburocratização. 

Ratinho Júnior (PSD – 55) segue estratégia similar, consolidando alianças com PP, PL (22), Cidadania e Podemos, buscando governabilidade e presença eleitoral regional.

 A direita conservadora, representada por Tarcísio de Freitas (Republicanos – 10), concentra esforços em segurança pública, defesa de valores tradicionais e coligações com PL, PP e PSD, incluindo partidos menores, buscando hegemonia regional e fortalecimento legislativo local.

 Já a ultra-direita, liderada por Flávio Bolsonaro (PL – 22), articula apoio de PL, PP, Republicanos, PSD de forma estratégica, PTB (28) e partidos menores, defendendo conservadorismo social, nacionalismo econômico moderado e segurança, com forte base evangélica e controle de prefeituras e assembleias.

As divergências entre esquerda e direita em 2026 se concentram principalmente na intervenção do Estado na economia, políticas sociais, segurança, meio ambiente e valores culturais. 

Enquanto a esquerda prioriza a ampliação do papel do Estado, redistribuição de renda, programas sociais universais, direitos trabalhistas e políticas de inclusão social, a direita valoriza liberalismo econômico, menor intervenção estatal, meritocracia, valores tradicionais e segurança pública reforçada. 

As convergências se dão em contextos estratégicos, como a formação de frentes amplas, alianças regionais e pragmatismo eleitoral para fortalecimento legislativo e governabilidade, demonstrando a flexibilidade do sistema multipartidário brasileiro. 

As federações partidárias garantem unidade legislativa por quatro anos, enquanto as coligações oferecem flexibilidade em nível estadual e municipal, permitindo que partidos de ideologias distintas atuem conjuntamente em regiões estratégicas.

A análise das bandeiras de luta evidencia que a esquerda radical busca transformação social profunda, a social-democracia alternativa prioriza justiça social e sustentabilidade, a esquerda liberal centra-se em redução de desigualdades por meio de políticas públicas, a centro-esquerda alternativa equilibra crescimento econômico e políticas progressistas, o centro-liberal promove liberalismo econômico e eficiência estatal, a direita conservadora foca em valores tradicionais e segurança, e a ultra-direita enfatiza nacionalismo, conservadorismo social e defesa de bases eleitorais estratégicas. 

Nesse contexto, os partidos políticos brasileiros, apesar das divergências ideológicas, estabelecem convergências pragmáticas em prol de alianças eleitorais que definem não apenas a eleição presidencial, mas também a ocupação de governos estaduais, prefeituras e assembleias legislativas, refletindo a complexidade do sistema político nacional em 2026.


2. Direito eleitoral comparado: federações partidárias versus coligações

2.1 Federações partidárias

As federações partidárias foram introduzidas pela Lei nº 14.208/2021 e regulamentadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Diferentemente das coligações, as federações exigem que dois ou mais partidos atuem como um só bloco por, no mínimo, quatro anos, inclusive após o pleito — ou seja, durante todo o mandato eletivo. Operam, na prática, como uma única legenda perante o sistema eleitoral, inclusive nas eleições proporcionais. 

O TSE registra federações como a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), a Federação PSDB Cidadania e a Federação PSOL REDE (PSOL e Rede), todas com validade até 2026. Essas federações são blocos institucionais que transcendem as eleições majoritárias para abarcar disputas proporcionais (deputados e vereadores), promovendo coesão interna e centralização de comando unificado. 


2.2 Coligações eleitorais

As coligações eleitorais são pactos temporários entre partidos para apoiar candidaturas em eleições majoritárias (Presidente, Governador, Senador, Prefeito). Desde 2017, coligações não são mais permitidas nas eleições proporcionais, mas continuam válidas para eleições majoritárias. Diferem das federações por sua natureza exclusivamente eleitoral — extinguem‑se automaticamente ao final do pleito. 


3. Estrutura de alianças para as eleições presidenciais de 2026

3.1 Frente ampla de esquerda: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

A base principal da frente de esquerda é a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV), bloco com orientação social‑democrata e ambientalista, consolidado para atuar tanto em eleições majoritárias quanto proporcionais. 

A frente ampla de Lula pode expandir‑se por meio de coligações eleitorais com outros partidos de centro‑esquerda, como PSB e, potencialmente, partidos ambientalistas ou de esquerda moderada. Essas alianças não obrigam a integração a federações formais, mas ampliam a base de apoio para a disputa presidencial.


3.2 Variações de frentes no espectro político

Em contrapartida, atores do campo centro‑direita e de direita podem compor alianças por meio de coligações presidenciais envolvendo partidos como PL, PP, Republicanos, PSD e outras legendas menores. Essas frentes tendem a ser construídas de forma pragmática e eleitoralmente orientada.

Ao contrário das federações da esquerda, estas coligações não implicariam em compromisso institucional duradouro além do pleito de 2026, mas podem formar blocos relevantes para maximização de tempo de propaganda, acesso a fundos de campanha e capilaridade eleitoral.


4. Implicações institucionais e estratégicas

4.1 Governabilidade e representação

A manutenção de federações partidárias representa uma tendência ao reforço de blocos ideológicos mais coesos e estáveis ao longo do tempo, reduzindo a volatilidade de alianças pós‑eleitorais. Este fenômeno pode favorecer maior previsibilidade no comportamento legislativo e, em tese, maior coerência programática entre os partidos federados.


4.2 Estratégias eleitorais

Partidos que formam federações podem optar por coligar‑se com outras legendas para disputar a Presidência, ampliando politicamente uma frente sem romper a federação. 

Esse duplo mecanismo (federação + coligação) permite combinações estratégicas de longo prazo (para legislativo) e de curto prazo (para executivos), ampliando a flexibilidade tática durante o ciclo eleitoral.


5. Partidos e apoios aos pré-candidatos à Presidência em 2026

O cenário eleitoral brasileiro para 2026 apresenta uma configuração multipartidária complexa, na qual diferentes partidos articulam apoio a pré-candidatos à Presidência por meio de frentes amplas, federações partidárias e coligações eleitorais. No campo da esquerda e centro-esquerda, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva é sustentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que constitui o núcleo central da frente ampla. Esta frente é formalizada na Federação Brasil da Esperança, composta pelo PT, PCdoB e PV, bloco que atua como unidade eleitoral e legislativa para eleições proporcionais e majoritárias. 

A frente de Lula pode ser ampliada com a formação de coligações estratégicas envolvendo PSOL, Rede Sustentabilidade, PSB e, eventualmente, partidos de centro como o Cidadania, além de apoios simbólicos de pequenos partidos regionais e de esquerda mais radical, como PCO e Unidade Popular (UP). Essa articulação tem como objetivo consolidar uma base ampla, capaz de maximizar votos em âmbito nacional e regional, garantindo coesão ideológica e vantagem competitiva frente aos candidatos de direita.

No espectro da direita e conservadorismo, Flávio Bolsonaro, pelo Partido Liberal (PL), articula sua frente em torno de partidos alinhados ideologicamente, como PP e Republicanos, além de possíveis apoios do PSD, PTB e legendas menores como Patriota, Avante e PMN. Essa frente tem caráter majoritariamente eleitoral, com foco na construção de coligações estratégicas para ampliar tempo de propaganda, capilaridade regional e presença em estados estratégicos, sem necessariamente consolidar federações de longo prazo.

Romeu Zema, do Partido Novo (NOVO), representa o campo centro-liberal, priorizando alianças com partidos de perfil liberal e de centro, como PSDB, Cidadania, PSD, PP e, em menor grau, Podemos e partidos menores. A frente de Zema tem caráter pragmático e busca consolidar a identidade liberal, mantendo a independência política do NOVO, ao mesmo tempo em que amplia sua base eleitoral por meio de coligações e apoios estratégicos regionais.

Outros pré-candidatos, como Renan Santos (Partido da Missão – MIS), focam em alianças de base conservadora e religiosa, com possíveis apoios do Republicanos, PL, PTB e partidos menores, compondo uma frente restrita e estratégica. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Júnior (PSD) articulam alianças pragmáticas de centro-direita, envolvendo PL, PP e partidos menores para consolidar base eleitoral e ampliar presença regional. Já Ciro Gomes (PDT) representa uma frente de centro-esquerda alternativa, buscando o apoio de PSB, Rede, PV e eventualmente PSOL, formando um bloco plural de esquerda moderada para maximizar alcance eleitoral.

Dessa forma, o sistema eleitoral de 2026 evidencia a importância de federações e coligações como instrumentos estratégicos para a agregação de forças políticas em torno de candidaturas presidenciais. 

Enquanto as federações garantem unidade legislativa e estabilidade de blocos partidários por quatro anos, as coligações permitem flexibilidade eleitoral, reunindo partidos de diferentes espectros ideológicos em torno de um mesmo candidato. 

O estudo dessas articulações revela não apenas a dinâmica do multipartidarismo brasileiro, mas também as estratégias de construção de frentes amplas capazes de equilibrar coesão ideológica e viabilidade eleitoral.


5.1 Pré-candidatos à Presidência 2026 e seus apoios partidários

5.1.1 Esquerda Radical

Candidatos:

PCO – Partido da Causa Operária (29) – Apoio próprio

PCB – Partido Comunista Brasileiro (21) – Apoio próprio

UP – Unidade Popular (80) – Apoio próprio

PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (16) – Apoio próprio


2. Social Democrático / Esquerda Alternativa flexibilidade com esquerda liberal

PSOL – Partido Socialismo e Liberdade (50) – Apoio próprio, também pode apoiar frentes de esquerda em alianças estratégicas


5.1.3 . Esquerda Liberal / Frente Lula

Luiz Inácio Lula da Silva – PT (13) – Apoio de:

PT (13)

PCdoB (65)

PSB (40)

PV (43)

Rede Sustentabilidade (18)

PSOL (50) – Apoio parcial estratégico

Cidadania (23) – Apoio em coligação


5.1.4. Centro-Esquerda Alternativo flexibilidade com direita

Ciro Gomes – PDT (12) – Apoio de:

PDT (12)

PSB (40)

PV (43)

Rede (18)

PSOL (50) – Apoio parcial estratégico


5..1.5 Centro-Liberal / Direita Moderada

Romeu Zema – NOVO (30) – Apoio de:

NOVO (30)

PSDB (45)

Cidadania (23)

PSD (55)

PP (11)

Podemos (20)

Partidos menores: Patriota (51), Avante (70), PMN (33)


Ratinho Júnior – PSD (55) – Apoio de:

PSD (55)

PP (11)

PL (22)

Cidadania (23)

Podemos (20)


6. Direita Conservadora

Tarcísio de Freitas – Republicanos (10) – Apoio de:

Republicanos (10)

PL (22)

PSD (55)

PP (11)

Partidos menores: Patriota (51), Avante (70), PMN (33)


7. Ultra-Direita fundamentalista

Flávio Bolsonaro – PL (22) – Apoio de:

PL (22)

PP (11)

Republicanos (10)

PSD (55) – Apoio estratégico

PTB (28)

Partidos menores: Patriota (51), Avante (70), PMN (33).



6 Bandeiras de luta e ideologias dos pré-candidatos à Presidência 2026


1. Esquerda Radical

Partidos: PCO, PCB, UP, PSTU

Ideologia: Marxismo, socialismo revolucionário, anti-capitalismo

Bandeiras de luta:

Nacionalização de setores estratégicos da economia

Reforma agrária ampla e redistribuição de renda

Fim da política neoliberal e privatizações

Ampliação de direitos trabalhistas e sociais

Combate à exploração econômica e social

Eleição estadual e municipal:

Apoio a candidaturas locais alinhadas à esquerda radical

Manutenção da independência de frentes amplas, foco em mobilização social


2. Social Democrático / Esquerda Alternativa

Partido: PSOL

Ideologia: Socialismo democrático, progressismo, justiça social

Bandeiras de luta:

Direitos humanos e igualdade social

Justiça ambiental e sustentabilidade

Reforma política e combate à corrupção

Expansão de políticas públicas progressistas

Eleição estadual e municipal:

Coligações estratégicas com partidos de esquerda moderada

Expansão em grandes centros urbanos e capitais


3. Esquerda Liberal / Frente Lula

Candidato: Luiz Inácio Lula da Silva – PT

Partidos aliados: PT, PCdoB, PSB, PV, Rede, PSOL (parcial), Cidadania

Ideologia: Social-democracia, centro-esquerda liberal

Bandeiras de luta:

Redução da desigualdade social e combate à pobreza

Expansão de programas sociais (Bolsa Família, educação, saúde)

Desenvolvimento econômico com justiça social

Direitos trabalhistas e fortalecimento de sindicatos

Eleição estadual e municipal:

Amplas coligações de centro-esquerda

Controle de prefeituras estratégicas e governos estaduais aliados

Presença territorial organizada e integração de políticas públicas


4. Centro-Esquerda Alternativo

Candidato: Ciro Gomes – PDT

Ideologia: Centro-esquerda moderada, social-democracia alternativa

Bandeiras de luta:

Reforma tributária e desenvolvimento econômico sustentável

Fortalecimento da indústria nacional e empregos

Políticas progressistas em educação e saúde

Equilíbrio entre mercado e Estado

Eleição estadual e municipal:

Coligações regionais pragmáticas

Expansão do PDT em capitais e grandes centros urbanos


5. Centro-Liberal / Direita Moderada

Candidato: Romeu Zema – NOVO

Ideologia: Liberalismo econômico, centro-liberal

Bandeiras de luta:

Privatizações e desburocratização

Redução do tamanho do Estado e carga tributária

Incentivo à iniciativa privada e empreendedorismo

Políticas públicas eficientes e meritocráticas

Candidato: Ratinho Júnior – PSD

Ideologia: Centro-direita pragmática

Bandeiras de luta:

Governabilidade e desenvolvimento regional

Segurança pública e infraestrutura

Apoio a políticas econômicas liberais moderadas

Eleição estadual e municipal:

Coligações pragmáticas, foco em governabilidade e influência local


6. Direita Conservadora

Candidato: Tarcísio de Freitas – Republicanos

Ideologia: Conservadorismo social, centro-direita

Bandeiras de luta:

Segurança pública e combate à criminalidade

Valorização de família e educação tradicional

Infraestrutura e desenvolvimento regional

Apoio a setores econômicos estratégicos

Eleição estadual e municipal:

Coligações conservadoras e pragmáticas para governabilidade local

Controle estratégico de prefeituras e assembleias


7. Ultra-Direita fundamentalista 

Candidato: Flávio Bolsonaro – PL

Ideologia: Conservadorismo radical, liberalismo econômico seletivo

Bandeiras de luta:

Segurança e lei e ordem

Defesa de valores tradicionais e família

Redução do Estado e incentivo à iniciativa privada

Nacionalismo econômico moderado

Eleição estadual e municipal:

Base de apoio evangélica e conservadora

Coligações pragmáticas para consolidar prefeituras e legislativos.


7 Principais divergências entre esquerda e direita – Eleições 2026


1. Ideologia Econômica

Esquerda:

Defende maior intervenção do Estado na economia, políticas de redistribuição de renda e ampliação de programas sociais.

Incentivo a políticas públicas para reduzir desigualdades regionais e sociais.

Controle ou regulação mais forte de setores estratégicos (energia, bancos, infraestrutura).

Direita:

Valoriza liberalismo econômico e livre mercado, redução da carga tributária e incentivo à iniciativa privada.

Privatizações e desburocratização como ferramentas de crescimento econômico.

Menor intervenção estatal na economia, foco em eficiência e competitividade.


2. Política Social

Esquerda:

Ampliação de direitos trabalhistas, sociais e civis.

Políticas de inclusão social, como educação, saúde pública, habitação e programas de transferência de renda.

Defesa de pautas progressistas (igualdade de gênero, diversidade, minorias étnicas).

Direita:

Ênfase em valores tradicionais, família e segurança.

Programas sociais mais seletivos, ligados a meritocracia ou vinculação a emprego.

Resistência a mudanças rápidas em políticas culturais ou sociais progressistas.


3. Segurança e Justiça

Esquerda:

Foco em políticas preventivas, direitos humanos e reforma policial.

Criminalidade abordada com políticas sociais complementares e combate à desigualdade.

Direita:

Ênfase em lei e ordem, endurecimento penal e reforço da polícia.

Segurança pública é prioridade, com investimento em vigilância, armas e legislação mais rigorosa.


4. Meio Ambiente e Sustentabilidade

Esquerda:

Prioridade em sustentabilidade, proteção ambiental e políticas climáticas.

Incentivo a energias renováveis e preservação de florestas, mesmo com impacto econômico.

Direita:

Sustentabilidade é importante, mas muitas vezes subordinada a desenvolvimento econômico e exploração de recursos naturais.

Maior flexibilidade para mineração, agronegócio e infraestrutura, com foco em crescimento.


5. Estrutura do Estado e Políticas Públicas

Esquerda:

Defende um Estado forte e atuante, capaz de regular, distribuir recursos e garantir direitos universais.

Ampliação de programas federais e políticas nacionais unificadas.

Direita:

Defende um Estado enxuto, com foco em eficiência e descentralização.

Prefere políticas públicas orientadas pelo mercado e gestão privada de serviços.

6. Alianças e Estratégias Eleitorais

Esquerda:

Tendência a formar frentes amplas, envolvendo diferentes correntes progressistas e centro-esquerda.

Maior tolerância a coligações ideológicas amplas.

Direita:

Alianças frequentemente centradas no conservadorismo social e pragmatismo eleitoral, incluindo partidos de centro e ultra-direita.

Flexibilidade estratégica, mas com ênfase em valores tradicionais e segurança.

A principal divergência entre esquerda e direita no Brasil em 2026 está na intervenção do Estado na economia, políticas sociais, segurança, meio ambiente e valores culturais. 

Enquanto a esquerda prioriza igualdade social, direitos e regulação, a direita prioriza liberdade econômica, segurança e valores tradicionais.


8 Pragmatismo, Fisiologismo e Orçamento Público no Brasil (1985–2026)

O sistema político brasileiro historicamente apresenta um padrão de pragmatismo e fisiologismo, no qual governos utilizam o orçamento público como instrumento para consolidar apoio político e garantir governabilidade (SCALCO, 2024; PEREIRA, 2023). Desde o governo de José Sarney (1985–1990), observa-se a negociação de cargos, emendas parlamentares e concessões orçamentárias com parlamentares como forma de articular alianças políticas, garantindo apoio no Congresso Nacional (CAVALCANTI, 2025). Essa prática se manteve nos governos de Fernando Collor e Itamar Franco, sobretudo em contextos de instabilidade econômica, quando ajustes fiscais pontuais e incentivos estratégicos foram utilizados para assegurar a aprovação de reformas e projetos prioritários (CAVALCANTI, 2025).

Durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002), o pragmatismo legislativo combinou negociações orçamentárias com medidas de estabilização econômica, incluindo reformas do Estado e do sistema tributário (BRASIL, 2025). Já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010), a articulação entre políticas sociais amplas, como o Bolsa Família.

No governo de Dilma Rousseff (2011–2016), o fisiologismo se intensificou diante da polarização política e da crise econômica, com a execução orçamentária buscando equilibrar programas sociais, investimentos estratégicos e a manutenção de coligações parlamentares (CAVALCANTI, 2025). Com Michel Temer (2016–2018), as negociações orçamentárias e a alocação de recursos tiveram foco em reformas estruturais, como a trabalhista, consolidando alianças partidárias por meio de concessões financeiras e ajustes fiscais (SCALCO, 2024).

O governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) destacou-se pelo uso explícito do orçamento secreto, combinado com medidas de incentivo econômico e programas de transferência de renda, incluindo a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até cinco mil reais, visando manter apoio político e equilíbrio eleitoral (FREITAS, 2022; AP NEWS, 2025).

Principais Valores do Orçamento Secreto no Brasil Totais pagos por emendas de relator (RP9):

2020: cerca de R$ 19,74 bilhões empenhados em emendas de relator, segundo dados da Câmara dos Deputados.

2021: cerca de R$ 16,72 bilhões empenhados em emendas de relator. 

Até 24/08/2022: cerca de R$ 8,25 bilhões empenhados em emendas de relator.

 Somando esses três anos, o total empenhado chega a aproximadamente R$ 44,7 bilhões em emendas de relator até agosto de 2022.

 No período de pagamento efetivo, foram desembolsados cerca de R$ 28,08 bilhões em valores pagos dessas emendas entre 2020 e 2022. 

 Esse modelo demonstrou a centralidade do pragmatismo e do fisiologismo como estratégias políticas, independentemente de diferenças ideológicas, consolidando apoio parlamentar e influenciando decisões sobre políticas econômicas e sociais.

No terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026), observa-se a continuidade do pragmatismo político, com articulação de frentes amplas, manutenção de emendas estratégicas e gerenciamento do orçamento público para conciliar programas sociais, estabilidade fiscal e apoio legislativo (REUTERS, 2025; LE MONDE, 2025). A análise histórica evidencia que, desde Sarney até Lula 3, o interesse político e econômico sempre moldou a execução orçamentária no Brasil, reforçando a importância do pragmatismo e do fisiologismo como elementos centrais na dinâmica do Executivo, Congresso e gestão de políticas públicas (BRASIL, 2025; SCALCO, 2024; PEREIRA, 2023.




Conclusão

O sistema de alianças eleitorais brasileiro, articulado por meio de federações e coligações, é uma expressão institucional do multipartidarismo e da necessidade de agregação política em torno de candidaturas presidenciais. 

As eleições de 2026 oferecem um campo fértil para observar como esses arranjos legais influenciam a formação de frentes amplas, refletindo tanto a centralização de blocos ideológicos como a pragmática construção de alianças eleitorais.


Referências bibliográficas


AP NEWS. Bolsonaro’s eldest son says he’ll run for Brazil presidency in 2026. AP News, 05 dez. 2025. Disponível em: https://apnews.com/article/4e2023374e4f4c186477562d6e6d6bfc. Acesso em: 21 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Economia. Orçamento da União: execução e relatórios 1985–2025. Brasília, DF, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/orcamento. Acesso em: 21 jan. 2026.

CAVALCANTI, Luiz. História política e econômica do Brasil: de Sarney a Lula 3. Rio de Janeiro: Elsevier, 2025.

FREITAS, Ana Paula. Isenção de Imposto de Renda e políticas sociais no governo Bolsonaro. São Paulo: FGV, 2022.

LE MONDE. Brazil: Jair Bolsonaro names his eldest son as successor. Le Monde, 09 dez. 2025. Disponível em: https://www.lemonde.fr/en/international/article/2025/12/09/brazil-jair-bolsonaro-names-his-eldest-son-as-successor_6748292_4.html. Acesso em: 21 jan. 2026.

PEREIRA, Marcelo. Orçamento secreto e alianças políticas: um estudo das relações Executivo-Congresso no Brasil. Brasília: IPEA, 2023.

REUTERS. Brazil’s Lula says he will seek re-election in 2026. Reuters, 23 out. 2025. Disponível em: https://www.reuters.com/world/americas/brazils-lula-says-he-will-seek-re-election-2026-2025-10-23/. Acesso em: 21 jan. 2026.

SCALCO, Renato. Fisiologismo, pragmatismo e orçamento público no Brasil contemporâneo. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 12, n. 3, p. 45–68, 2024.

ABNT — ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023:2025 — Informação e documentação — Referências — Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2025.

ABNT — ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520:2023 — Informação e documentação — Citações em documentos — Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.

Tribunal Superior Eleitoral. Saiba o que é uma federação partidária (2025). 

Tribunal Superior Eleitoral. Diferença entre coligações e federações partidárias (2025). 

Tribunal Superior Eleitoral. Eleições 2024: diferenças entre coligação e federação (2024). 

BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Partidos políticos registrados no TSE. Brasília, DF, 2025. Disponível em: https://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos. Acesso em: 20 jan. 2026. 

CNN BRASIL. Brasil tem 30 partidos registrados no TSE e outros 23 em formação. CNN Brasil, 16 jan. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/brasil-tem-30-partidos-registrados-no-tse-e-outros-23-em-formacao/. Acesso em: 20 jan. 2026. 

FURQUIM, Thiago; CIRIACO, Douglas (ed.). Como citar e referenciar um site — normas ABNT. Canaltech, 08 maio 2023. Disponível em: https://canaltech.com.br/educacao/como-citar-e-referenciar-um-site-normas-abnt/. Acesso em: 20 jan. 2026. 

ABNT — ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023:2025 — Informação e documentação — Referências — Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2025 (base para formato de referências bibliográficas). 

ABNT — ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520:2023 — Informação e documentação — Citações em documentos — Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023 (padroniza citações no texto). 

REUTERS. Brazil’s Lula says he will seek re-election in 2026. Reuters, 23 out. 2025. Disponível em: https://www.reuters.com/world/americas/brazils-lula-says-he-will-seek-re-election-2026-2025-10-23/. Acesso em: 20 jan. 2026. 

THE GUARDIAN. Brazilian president will seek fourth term at age 80. The Guardian, 23 out. 2025. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2025/oct/23/brazil-lula-president-fourth-term. Acesso em: 20 jan. 2026. 

AP NEWS. Bolsonaro’s eldest son says he’ll run for Brazil presidency in 2026. AP News, 05 dez. 2025. Disponível em: https://apnews.com/article/4e2023374e4f4c186477562d6e6d6bfc. Acesso em: 20 jan. 2026.

LE MONDE. Brazil: Jair Bolsonaro names his eldest son as successor. Le Monde, 09 dez. 2025. Disponível em: https://www.lemonde.fr/en/international/article/2025/12/09/brazil-jair-bolsonaro-names-his-eldest-son-as-successor_6748292_4.html. Acesso em: 20 jan. 2026. 


Anexo A


Partidos, sigla, número e principal ideologia dos 30 partidos políticos no Brasil 

MDB — Movimento Democrático Brasileiro número: 15

Ideologia: Centro / centro‑direita pragmática, tradicional partido de “centrão” com foco em coalizões e governabilidade. 

PDT — Partido Democrático Trabalhista número: 12

Ideologia: Centro‑esquerda, trabalhismo e social‑democracia. 

PT — Partido dos Trabalhadores número: 13

Ideologia: Esquerda, social‑democracia e trabalhismo. 

PCdoB — Partido Comunista do Brasil número: 65

Ideologia: Esquerda, comunismo democrático e socialismo. 

PSB — Partido Socialista Brasileiro número: 40

Ideologia: Centro‑esquerda, social‑democracia e progressismo. 

PSDB — Partido da Social Democracia Brasileira número: 45

Ideologia: Centro a centro‑direita moderada, social‑democracia e liberalismo social. 

AGIR — Agir número: 36

Ideologia: Geralmente classificado como centro‑direita ou pragmático, foco em desenvolvimento.

MOBILIZA — Mobilização Nacional número: 33

Ideologia: Partido menor, sem alinhamento ideológico dominante claro. 

CIDADANIA — Cidadania número: 23

Ideologia: Centro, liberalismo moderado e social‑democracia moderada. 

PV — Partido Verde número: 43

Ideologia: Ambientalismo, centro‑esquerda e sustentabilidade política. 

AVANTE — Avante número: 70

Ideologia: Centro, trabalhismo moderado e solidarismo cristão. 

PP — Progressistas número: 11

Ideologia: Centro‑direita, conservadorismo moderado e pragmatismo parlamentar. 

PSTU — Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado número: 16

Ideologia: Esquerda radical e socialismo revolucionário. 

PCB — Partido Comunista Brasileiro Número: 21

Ideologia: Esquerda comunista tradicional. 

PRTB — Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (ainda registrado em contexto de número) número: 28

Ideologia: Direita conservadora / nacionalista (tradicional). 

DC — Democracia Cristã número: 27

Ideologia: Centro‑direita, conservadorismo social e valores cristãos. 

PCO — Partido da Causa Operária número: 29

Ideologia: Esquerda radical, marxismo militante. 

PODE — Podemos Número: 20

Ideologia: Centro‑direita pragmático, foco em cidadania e combate à corrupção. 

REPUBLICANOS — Republicanos número: 10

Ideologia: Direita moderada com base evangélica e social conservador. 

PSOL — Partido Socialismo e Liberdade número: 50

Ideologia: Esquerda, socialismo democrático e progressismo. 

PL — Partido Liberal número: 22

Ideologia: Direita / liberalismo conservador e conservadorismo social. 

PSD — Partido Social Democrático número: 55

Ideologia: Centro e centrista pragmático, associação ao “centrão”. 

SOLIDARIEDADE — Solidariedade Número: 77

Ideologia: Centro‑direita moderada e trabalhista. 

NOVO — Partido Novo número: 30

Ideologia: Liberalismo clássico e economia de livre mercado. 

REDE — Rede Sustentabilidade número: 18

Ideologia: Centro‑esquerda, ambientalismo e participação cidadã. 

PMB — Partido da Mulher Brasileira número: 35

Ideologia: Conservadorismo social (enfoca pautas familiares). 

UP — Unidade Popular Número: 80

Ideologia: Esquerda radical anti‑capitalista. 

UNIÃO — União Brasil Número: 44

Ideologia: Centro‑direita, fusão de PSL/DEM com agenda pragmática. 

PRD — Partido Renovação Democrática Número: 25

Ideologia: Direita nacionalista e conservadora (resultado de fusão).

AGIR / MOBILIZA / outros menores — alguns partidos listados pelo TSE podem sofrer variações, mas a lista acima contempla os principais com representação nacional e números oficiais de legenda.





Anexo B imagem


















UNIDADE DA ESQUERDA E FRENTE AMPLA NO BRASIL: UM ESTUDO COMPARADO ENTRE PCB, PSOL, PSTU, PCO, UP E PCBR

Este estudo analisa comparativamente as posições políticas de partidos da esquerda brasileira — PCB, PSOL, PSTU, PCO, UP e PCBR — acerca da unificação da esquerda e do apoio (ou rejeição) às chamadas frentes amplas eleitorais. O estudo demonstra que, embora todos reivindiquem a transformação social, há divergências estruturais quanto à estratégia eleitoral, à relação com a democracia liberal e à conciliação de classes, revelando um campo da esquerda profundamente fragmentado em termos programáticos e táticos.

Palavras-chave: esquerda brasileira; frente ampla; unidade da esquerda; partidos políticos; estratégia eleitoral.


1. Introdução

A noção de “frente ampla” tornou-se central no debate político brasileiro recente, especialmente a partir das eleições de 2022, quando setores da esquerda, centro-esquerda e até do centro político articularam uma coalizão em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. 

Tal estratégia reabriu um debate clássico na teoria política marxista e socialista: a tensão entre unidade tática e autonomia programática.

No campo da esquerda, particularmente entre os partidos situados à esquerda do PT, observa-se uma disputa permanente entre dois polos: (a) a defesa da independência de classe e da ruptura com o sistema político liberal; e (b) a aceitação de alianças amplas como instrumento defensivo contra a extrema direita. Este estudo investiga como essa disputa se manifesta nas posições de PCB, PSOL, PSTU, PCO, UP, PCBR e Movimentos Sociais.


2. Metodologia

O trabalho baseia-se em análise qualitativa de documentos partidários, entrevistas públicas, resoluções políticas e literatura secundária. Utiliza-se como método a análise comparada de posicionamentos estratégicos, com enfoque na relação entre teoria política e prática eleitoral.


3. A Frente Ampla no Brasil Contemporâneo

A chamada frente ampla não constitui uma organização formal, mas um arranjo político-eleitoral que agrega partidos de diferentes espectros ideológicos. Em 2022, a frente ampla que elegeu Lula reuniu:

PT (Partido dos Trabalhadores)

PCdoB (Partido Comunista do Brasil)

PV (Partido Verde)

PSB (Partido Socialista Brasileiro)

PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)

Rede Sustentabilidade

Solidariedade

Setores do MDB, PSD, Avante e Agir

Trata-se, portanto, de uma coalizão que extrapola a esquerda e incorpora partidos de centro e centro-direita, configurando uma aliança interclassista, justificada politicamente como necessária para derrotar a extrema direita.


4. Posições dos Partidos da Esquerda Radical

4.1 Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O PCB sustenta uma posição histórica de independência de classe, rejeitando alianças estratégicas com partidos considerados burgueses ou reformistas. 

Embora possa realizar frentes táticas locais, o partido se opõe estruturalmente à frente ampla nacional, por considerá-la uma forma de conciliação de classes que bloqueia a construção de um projeto comunista.

Para o PCB, a frente ampla subordina a esquerda ao Estado burguês e reduz a política ao gerenciamento do capitalismo.


4.2 Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

O PSOL apresenta uma posição ambígua e internamente fragmentada. Setores do partido defendem a independência de classe e criticam alianças com partidos de centro; outros defendem a participação em frentes amplas como estratégia defensiva contra o autoritarismo.

Na prática, o PSOL integrou a frente ampla em 2022, apoiando Lula, ao mesmo tempo em que mantém um discurso de autonomia programática. Assim, o partido oscila entre uma estratégia socialista e uma estratégia social-democrata.


4.3 Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU)

O PSTU rejeita de forma categórica qualquer frente ampla com partidos reformistas. Defende que a unidade deve ocorrer nas lutas sociais, e não no plano eleitoral institucional.

Para o PSTU, frentes amplas diluem o programa revolucionário e produzem ilusão democrática, reforçando a legitimidade do Estado capitalista.


4.4 Partido da Causa Operária (PCO)

O PCO adota uma postura ainda mais radical de rejeição às frentes amplas. O partido sustenta que qualquer aliança com partidos institucionais representa traição ao proletariado.

Sua estratégia eleitoral é instrumental: candidaturas próprias servem para propaganda política, não para integração ao sistema.


4.5 Unidade Popular (UP)

A UP se define como partido socialista revolucionário e mantém candidaturas próprias. Em geral, rejeita frentes amplas com partidos de centro, mas admite alianças táticas com outros partidos de esquerda.

Sua posição é próxima à do PCB, combinando independência estratégica com alguma flexibilidade tática.


5. Jones Manoel e o PCBR

O PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), liderado por Jones Manoel, surge como dissidência do PCB e propõe uma nova estratégia: unificação da esquerda radical em torno de um bloco eleitoral comum.

Jones Manoel defende que a fragmentação da esquerda inviabiliza qualquer polarização real com a direita. Para ele, é necessário construir uma frente programática entre PCB, PSOL, UP, PSTU e outros setores, sem subordinação ao lulismo.

Ao mesmo tempo, o PCBR admite táticas eleitorais como a “filiação democrática” a partidos legalizados, especialmente o PSOL, o que revela uma postura mais pragmática do que a do PCB e do PSTU.

O PCBR se posiciona como crítico tanto da frente ampla quanto do isolamento sectário, propondo uma terceira via: unidade da esquerda radical sem conciliação com o centro.


6. Síntese Comparativa

A análise comparativa das posições de PCB, PSOL, PSTU, PCO, UP e PCBR revela que, apesar de todos se situarem no campo da esquerda, suas estratégias políticas divergem de forma significativa no que diz respeito à relação com a institucionalidade e às alianças eleitorais. 

Observa-se que há um consenso negativo entre quase todos os partidos analisados quanto à participação em frentes amplas com partidos de centro, consideradas expressões de conciliação de classes e de subordinação ao regime democrático-liberal.

O PCB, o PSTU, o PCO, a UP e o PCBR rejeitam a frente ampla como estratégia estrutural, argumentando que esse tipo de coalizão dilui o programa socialista e converte a esquerda em gestora do capitalismo. 

Esses partidos sustentam que a participação em alianças interclassistas compromete a autonomia política do proletariado e reforça a legitimidade do Estado burguês, transformando a ação política em mera disputa institucional.

O PSOL, por sua vez, ocupa uma posição intermediária e contraditória. Embora parte significativa de sua militância e de suas resoluções internas reivindique a independência de classe, o partido tem adotado, na prática, uma estratégia de apoio parcial a frentes amplas em conjunturas específicas, especialmente em nome do combate à extrema direita. Tal postura evidencia uma ambiguidade estrutural entre uma identidade socialista e uma prática social-democrata.

No que se refere à unidade da esquerda radical, todos os partidos analisados afirmam, ao menos no plano discursivo, a necessidade de articulação entre organizações socialistas e revolucionárias. No entanto, essa unidade assume formas distintas.

 O PCO defende uma unidade de caráter sectário e autocentrado, subordinada à sua própria linha política. O PSTU e o PCB defendem uma unidade baseada em princípios programáticos rígidos e na recusa de mediações institucionais. A UP propõe uma unidade com maior flexibilidade tática, sem abrir mão da independência estratégica.

O PCBR, sob a liderança de Jones Manoel, introduz uma formulação distinta ao propor explicitamente a construção de um bloco eleitoral unificado da esquerda radical, como alternativa tanto à fragmentação quanto à frente ampla. 

Sua estratégia busca combinar radicalidade programática com pragmatismo tático, aceitando instrumentos institucionais sem subordinação ao centro político.

Em síntese, a comparação evidencia que a principal clivagem da esquerda brasileira contemporânea não se dá entre esquerda e direita, mas entre dois projetos de esquerda: um orientado pela lógica da governabilidade e da conciliação institucional, e outro orientado pela lógica da ruptura, da independência de classe e da crítica estrutural ao Estado capitalista. 

Essa clivagem explica tanto a dificuldade de construção de frentes unitárias quanto a persistente fragmentação do campo socialista no Brasil.


7. Conclusão

A análise evidencia que a esquerda brasileira não está dividida apenas por diferenças táticas, mas por concepções antagônicas de política. 

A frente ampla expressa uma estratégia de adaptação ao regime democrático liberal, enquanto os partidos da esquerda radical defendem, em diferentes graus, a ruptura com esse regime.

O conflito central não é meramente eleitoral, mas teórico: trata-se da oposição entre uma política de gestão do capitalismo e uma política de superação do capitalismo. 

Nesse sentido, a fragmentação da esquerda reflete não apenas disputas organizativas, mas projetos históricos incompatíveis.


Referências 

PCB. Resoluções políticas e eleitorais. Rio de Janeiro: Partido Comunista Brasileiro, 2022.

PSOL. Estatuto e resoluções do Congresso Nacional. São Paulo: PSOL, 2021.

PSTU. Por que não é possível uma frente eleitoral com o PCB. São Paulo: PSTU, 2020.

PCO. Programa socialista e estratégia revolucionária. São Paulo: Partido da Causa Operária, 2019.

UP. Programa da Unidade Popular pelo Socialismo. São Paulo: UP, 2019.

MANOEL, Jones. A esquerda precisa de uma nova estratégia. São Paulo: Boitempo, 2023.

VIANA, Nildo. O que são partidos políticos. Goiânia: Edições Redelp, 2014.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O manifesto do partido comunista. São Paulo: Boitempo, 2010.


















Poder Popular, Forma-Partido e Risco de Golpe: Limites Estruturais da Estratégia Socialista Institucional

O presente estudo analisa criticamente a noção de poder popular no interior das estratégias socialistas contemporâneas, tomando como referência a experiência chilena da Unidade Popular (1970–1973) e o projeto político da Unidade Popular brasileira. A partir do referencial teórico de Nildo Viana e da tradição marxista crítica, argumenta-se que a forma-partido, enquanto mediação da política institucional, tende a reproduzir estruturas burocráticas e limites próprios do Estado capitalista. Sustenta-se que, embora o poder popular represente uma forma embrionária de dualidade de poder, sua coexistência com o Estado burguês implica riscos estruturais, especialmente a possibilidade recorrente de golpes de Estado como mecanismo de restauração da dominação de classe.

Palavras-chave: Poder popular; Forma-partido; Unidade Popular; Golpe de Estado; Marxismo.


1. Introdução

A noção de poder popular ocupa lugar central nas estratégias socialistas latino-americanas, especialmente em contextos de transição institucional ao socialismo. 

Tanto a experiência chilena quanto os projetos contemporâneos, como o da Unidade Popular (UP) no Brasil, concebem o poder popular como instrumento de organização autônoma da classe trabalhadora. 

Contudo, a história demonstra que tais processos se desenvolvem sob permanente tensão com as estruturas do Estado capitalista, o que coloca em questão os limites objetivos da estratégia institucional.

A história das experiências socialistas revela a repetição estrutural dos limites da política institucional.

O poder popular tende a ser reabsorvido ou derrotado pela forma Estado-partido.

A emancipação social exige superar não apenas o capitalismo, mas também a própria forma política moderna.




2. Poder Popular e Dualidade de Poder no Chile

Durante o governo de Salvador Allende, emergiram os cordones industriales e os comandos comunais como formas de autogestão operária e territorial. Essas instâncias expressaram uma situação de dualidade de poder, na qual coexistiam formas de poder proletário com o aparato estatal burguês. Conforme demonstrado por Guzmán (1975), o poder popular avançava mais rapidamente que a capacidade do Estado em absorvê-lo, produzindo uma contradição estrutural insolúvel dentro da legalidade institucional.


3. A Forma-Partido e a Crítica de Nildo Viana

Para Nildo Viana (2015; 2019), os partidos políticos, inclusive os de esquerda, constituem-se como burocracias específicas da forma política capitalista. 

A forma-partido opera segundo a lógica da representação, da profissionalização e da mediação institucional, o que tende a deslocar a auto-organização direta da classe trabalhadora. 

Assim, mesmo partidos socialistas reproduzem, estruturalmente, os limites da política burguesa, ainda que com conteúdo ideológico distinto.


4. O Projeto da Unidade Popular Brasileira

A UP defende um socialismo popular, democrático e anti-imperialista, baseado na construção de poder popular e na disputa institucional. Seu projeto articula organização de base, conselhos populares e participação eleitoral. 

Todavia, ao atuar como partido legal no interior do Estado, a UP não escapa da forma-partido, sendo atravessada pelas mesmas mediações burocráticas que caracterizam a política moderna, conforme a crítica marxista da forma política.


5. Golpe de Estado como Limite Estrutural

A experiência histórica de golpes no Brasil (1964) e no Chile (1973) revela que a democracia liberal é condicional à manutenção dos interesses fundamentais da classe dominante. 

Quando projetos populares ameaçam a propriedade, a hegemonia econômica ou a geopolítica imperialista, a ruptura institucional torna-se uma alternativa recorrente. 

Nesse sentido, o golpe não é anomalia, mas mecanismo estrutural de regulação da luta de classes no capitalismo dependente.

“A democracia burguesa dura enquanto a elite não perde o poder.” Nildo Viana

Essa formulação sintetiza a tese central de Viana: a democracia liberal é condicional e instrumental, existindo apenas enquanto não ameaça estruturalmente a dominação de classe. 

Quando o poder real da elite é colocado em risco, a própria democracia é suspensa (golpe, exceção, autoritarismo).


6. O Eterno Retorno e a Repetição Histórica da Forma Política

A noção de eterno retorno em Nietzsche, embora formulada no campo da filosofia existencial, pode ser mobilizada criticamente como metáfora teórica para compreender a recorrência histórica das formas políticas modernas. 

Para Nietzsche (2011), o eterno retorno não constitui apenas uma hipótese cosmológica, mas um critério de afirmação da vida, no qual o sujeito é confrontado com a possibilidade de desejar a repetição integral de sua própria existência. Transposta ao plano da crítica social, essa ideia permite interpretar a repetição estrutural dos processos políticos como expressão da permanência das formas de dominação.

No contexto da crítica marxista da forma política, a recorrência de projetos socialistas que se institucionalizam por meio da forma-partido e da disputa estatal pode ser compreendida como uma espécie de eterno retorno histórico da política.

 A cada ciclo, reaparecem as mesmas mediações: burocratização, representação, profissionalização e, em última instância, subordinação ao Estado capitalista (VIANA, 2015). Assim como no eterno retorno nietzschiano, não se trata de eventos idênticos, mas da reprodução estrutural de uma mesma lógica social.

A experiência chilena e os projetos contemporâneos de poder popular ilustram essa dinâmica: a tentativa de construção de formas autônomas de organização é reiteradamente reabsorvida pela institucionalidade ou interrompida por golpes de Estado, produzindo uma repetição trágica da derrota política (GUZMÁN, 1975; POULANTZAS, 2000). 

Nesse sentido, o eterno retorno adquire um significado crítico: não como afirmação da vida, mas como diagnóstico da incapacidade histórica da forma política de produzir emancipação real.

Portanto, a articulação entre Nietzsche e a crítica marxista permite interpretar o socialismo institucional como prisioneiro de um ciclo recorrente, no qual a luta pelo poder estatal retorna incessantemente às mesmas estruturas que pretende superar. 

A ruptura efetiva exigiria não apenas novos conteúdos políticos, mas a superação da própria forma política que organiza a dominação moderna.


Conclusão

O poder popular representa uma possibilidade real de auto-organização da classe trabalhadora, mas sua articulação com a forma-partido e com o Estado capitalista impõe limites objetivos. 

A experiência chilena e a crítica teórica de Nildo Viana indicam que a estratégia institucional socialista tende a esbarrar na violência política de classe, expressa na forma do golpe de Estado. Assim, a emancipação radical exige não apenas disputar o poder, mas superar as próprias formas políticas que estruturam a dominação capitalista.


Referências 

GUZMÁN, Patricio. A batalha do Chile. Santiago: Icarus Films, 1975. Documentário.

LENIN, Vladimir Ilich. O Estado e a revolução. São Paulo: Boitempo, 2017.

MARX, Karl. A guerra civil na França. São Paulo: Boitempo, 2011.

POULANTZAS, Nicos. O Estado, o poder, o socialismo. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

VIANA, Nildo. Estado, democracia e autogestão. Rio de Janeiro: Achiamé, 2015.

VIANA, Nildo. Os partidos políticos e a forma política. Revista Espaço Livre, v. 14, n. 28, 2019.

WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2011.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

VIANA, Nildo. Estado, democracia e autogestão. Rio de Janeiro: Achiamé, 2015.

VIANA, Nildo. Os partidos políticos e a forma política. Revista Espaço Livre, v. 14, n. 28, 2019.

POULANTZAS, Nicos. O Estado, o poder, o socialismo. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

GUZMÁN, Patricio. A batalha do Chile. Santiago: Icarus Films, 1975. Documentário.

MARX, Karl. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.



Anexo

















terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O Bolsonarismo e seus Impactos Socioeconômicos no Brasil (2019–2022): Ajuste Fiscal, Mercado e Desigualdade Social

Esta análise crítica do conjunto de políticas públicas implementadas durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), frequentemente apresentadas como “avanços econômicos e administrativos”. A pesquisa demonstra que tais medidas produziram efeitos positivos predominantemente no plano fiscal, financeiro e mercadológico, enquanto os impactos sociais para a população foram limitados, temporários ou negativos. As reformas estruturais priorizaram o equilíbrio fiscal, a liberalização econômica e a redução do papel do Estado, sem contrapartida consistente em melhoria de renda, emprego, segurança alimentar, acesso a serviços públicos e proteção social. Conclui-se que o modelo adotado reforçou desigualdades históricas, fragilizou políticas públicas e beneficiou setores específicos do capital econômico, especialmente grandes empresários, agronegócio predatório, mineração em terras indígenas e setores financeiros.

Palavras-chave: Bolsonarismo; políticas públicas; desigualdade social; neoliberalismo; Estado mínimo; desenvolvimento social; Brasil.


1. Introdução

O bolsonarismo consolidou-se como um projeto político-econômico fundamentado na redução do Estado, liberalização de mercados, austeridade fiscal e enfraquecimento de políticas sociais. Sob o discurso de eficiência, modernização e responsabilidade fiscal, foram implementadas reformas estruturais que alteraram profundamente a organização das políticas públicas no Brasil.

Entretanto, a literatura especializada aponta que tais reformas não se traduziram em melhorias proporcionais para a população, sobretudo para trabalhadores, populações vulneráveis, povos indígenas e classes populares, produzindo um descompasso entre ajuste fiscal e justiça social.


2. Reforma da Previdência e Desigualdade Social

A Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019) foi apresentada como essencial para conter o crescimento do gasto público. Contudo, estudos demonstram que seus efeitos recaíram de forma desigual sobre a população, especialmente os mais pobres.

Pesquisas indicam aumento da idade de aposentadoria, maior tempo de contribuição e redução proporcional dos benefícios, sem efeitos positivos diretos sobre renda, emprego ou qualidade de vida.

“A reforma previdenciária possui impacto significativo na desigualdade social e afeta principalmente as camadas mais vulneráveis da população brasileira.”


3. Autonomia do Banco Central e Endividamento das Famílias

A autonomia do Banco Central institucionalizou mandatos fixos e independência decisória. Embora tenha reforçado o controle inflacionário, resultou em juros elevados por longos períodos, encarecendo crédito, financiamentos e consumo popular.

Dados oficiais demonstram crescimento do endividamento e inadimplência das famílias brasileiras, associadas ao crédito caro e restritivo.

“A taxa média de juros às famílias alcançou patamares elevados, intensificando o endividamento doméstico.”


4. Liberalização Econômica, Informalidade e Precarização

A Lei da Liberdade Econômica reduziu exigências regulatórias e facilitou abertura de empresas, porém estudos indicam que tais medidas ampliaram a informalidade e a precarização do trabalho, sem melhora estrutural da renda ou proteção social.

O mesmo padrão se observa no marco legal do saneamento, que priorizou privatizações e concessões, sem universalização real de acesso à água e esgoto.

“A privatização do saneamento não garantiu universalização e elevou riscos tarifários para populações vulneráveis.”


5. Privatizações, Combustíveis e Custo de Vida

A política de paridade internacional de preços da Petrobras elevou o custo de combustíveis e gás de cozinha, afetando diretamente o orçamento doméstico. O retorno ao uso de lenha por famílias pobres é documentado em diversos estudos sociais.

O aumento persistente do preço dos alimentos intensificou a insegurança alimentar.

“O atraso em políticas de proteção ao consumo básico agravou a insegurança alimentar no país.”


6. Gestão da Pandemia e Crise Sanitária

A gestão da pandemia caracterizou-se por atraso na compra de vacinas, desinformação, ataques à ciência e ausência de coordenação nacional.

Estudos científicos apontam que dezenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas.

“O atraso na vacinação causou a morte de ao menos 47 mil idosos no Brasil.”


7. Desmonte Ambiental e Povos Indígenas

Relatórios institucionais demonstram aumento do desmatamento, enfraquecimento da fiscalização e violação sistemática de direitos socioambientais, especialmente em terras indígenas.

“O governo Bolsonaro promoveu violação maciça de direitos socioambientais na Amazônia.”


8. Orçamento Secreto e Crise de Transparência

O mecanismo RP9 (orçamento secreto) institucionalizou a distribuição de recursos sem critérios públicos, transparência ou controle social, configurando um dos maiores esquemas de opacidade orçamentária da história recente.

“Bilhões foram distribuídos sem transparência e controle social.”


9. Fome, Insegurança Alimentar e Falta de Legado Social

O Brasil retornou ao mapa da fome durante o período analisado, evidenciando falhas graves de política social e ausência de programas estruturantes permanentes.

“O aumento da insegurança alimentar ocorreu de forma generalizada no país.”


10. Conclusão

Os dados demonstram que o bolsonarismo produziu benefícios concentrados no ajuste fiscal, no mercado financeiro e em setores econômicos específicos, como:

grandes empresários;

mineração em terras indígenas;

agronegócio predatório;

setor financeiro;

elites econômicas.

Para a população comum — assalariados, trabalhadores informais, famílias pobres e dependentes de serviços públicos — os benefícios não se materializaram. 

O modelo adotado reforçou desigualdades, fragilizou políticas públicas e não deixou legado social estruturante.

Não se trata de esquecimento coletivo, mas de experiência social concreta: a população avaliou sua própria vida material e não identificou melhoria real.

Vamos ser justos com o bolsonarismo: eles fazem o que interessa aos ricos. O pobre de direita é apenas alguém manipulado, que se ilude achando que um dia vai ficar rico.


Referências Bibliográficas 

BRASIL. Banco Central do Brasil. Estatísticas monetárias e de crédito. Brasília, 2025. 

CÔRTES, L. S. et al. Impacto da privatização da água e do esgoto nas tarifas e no acesso. Revista Brasileira de Estudos de População, 2023. 

CUT. Atraso do governo Bolsonaro na vacinação causou morte de idosos. 2022. 

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Violação maciça de direitos socioambientais na Amazônia. 2024. 

MARCO ZERO. Os riscos da privatização do saneamento básico no Brasil. 2025. 

OC ECO. O legado de destruição ambiental de Bolsonaro. 2025. 

REVISTA FT. Impactos da reforma da previdência na desigualdade social. 2024. 

SENADO FEDERAL. Pesquisas apontam mortes evitáveis na pandemia. 2021. 

SINTRAJUFE. Brasil ultrapassa 700 mil mortos pela Covid-19. 2023. 

WWF-BRASIL. Governo Bolsonaro denunciado na ONU por violar direitos humanos e ambientais. 2022. 

O JOIO E O TRIGO. Entenda por que a fome aumentou no governo Bolsonaro. 2022.