Está análise aborda a origem continental, as trajetórias históricas e os padrões de sobrenomes associados a pessoas negras (pretas) no Brasil. Analisa-se a formação sociocultural dessas populações a partir do tráfico atlântico de africanos, a distribuição étnica pós-abolição e a construção de identidades negras no contexto brasileiro. Discute-se, também, a construção e ressignificação de sobrenomes no processo de escravidão, alforria e liberdade, situando essas transformações em uma perspectiva de resistência cultural e memória coletiva.
Palavras-chave: Afrodescendentes; tráfico atlântico; Brasil colonial; identidade negra; sobrenomes afro-brasileiros.
1. Introdução
A presença de populações negras no Brasil remonta ao período da escravidão colonial, quando milhares de africanos foram trazidos por meio do tráfico transatlântico desde o século XVI até o XIX (SILVA, 2021). A partir da Lei Áurea (1888), o Brasil tornou-se o último país das Américas a abolir formalmente a escravidão, implicando na transição de uma demografia forçada para uma sociedade com expressiva população afrodescendente (ALMEIDA, 2019). A construção de identidades negras envolve processos de resistência, transformação cultural e reconfiguração de nomes e sobrenomes — elementos de identidade individual e coletiva.
2. Origem Continental dos Africanos no Brasil
A maior parte dos africanos escravizados trazidos ao Brasil procedia de áreas da África Ocidental e Centro-Ocidental, com destaque para:
Costa da Mina: atual Gana, Benim, Togo — povos como Ewe, Fon e Ashanti.
Grão-Congo e Angola: grupos como Kimbundu e Umbundu.
Nigéria e Camarões: povos iorubá e outros.
África Oriental (em menor proporção): Moçambique e Madagascar (REIS, 2015; SOARES, 2022).
Essas áreas estruturavam uma diversidade lingüística e cultural que se refletiu nas práticas religiosas, saberes ecológicos e línguas crioulizadas no Brasil (FERREIRA, 2018).
O Brasil recebeu o maior contingente de africanos escravizados no continente americano, estimado em mais de 4,8 milhões de pessoas entre os séculos XVI e XIX (KLEIN, 2010).
3. Padrões de Sobrenomes entre Populações Negros (Pretos)
Durante o tráfico e a escravidão, muitos africanos chegaram sem nomes escritos no padrão latino e, ao serem batizados ou registrados nos códigos coloniais, receberam:
3.1 Sobrenomes de Origem Portuguesa
Devido à imposição batismal e à necessidade de identificação administrativa e censitária, africanos e seus descendentes frequentemente receberam sobrenomes portugueses, como:
Silva
dos Santos
Souza
Oliveira
dos Anjos
Pereira
Almeida
Costa
Esses sobrenomes não só figuram no imaginário coletivo, mas também representam a hegemonia colonial cristã explícita no registro civil.
3.2 Estratégias de Resistência no Nome
Entre populações negras livres e quilombolas, os sobrenomes muitas vezes foram apropriados ou ressignificados como formas de resistência ou memória de ancestralidade:
Nascimento/Nascido — expressão de renascimento após a liberdade.
Liberdade — latência identitária explícita.
Negro(a) como nome próprio ou apelido resistencial.
4. Dinâmicas Pós-Abolição e Identidade Negra
A abolição formal da escravidão (1888) não apagou a escravização econômica e social de afrodescendentes. No século XX, muitos negros migraram para áreas urbanas, formando núcleos comunitários nas periferias das grandes cidades (HALL, 2017). A luta por reconhecimento racial e por políticas afirmativas cristalizou-se no movimento negro brasileiro, que questiona a invisibilidade histórica e ressignifica identidade (GUIMARÃES, 2019).
5. Considerações Finais
A origem dos negros no Brasil está profundamente conectada ao tráfico transatlântico e à diversidade étnica africana. Os sobrenomes herdados, atribuídos ou apropriados ao longo da história refletem tanto as práticas coloniais de registro quanto estratégias de afirmação identitária negra. A pesquisa histórica e genealógica enfatiza a importância de reconhecer esses vínculos para compreender as dinâmicas sociais e culturais da população afrodescendente no Brasil contemporâneo.
Referências (ABNT NBR 6023:2018)
ALMEIDA, L. de A. Escravidão e pós-escravidão no Brasil: memória e resistência. São Paulo: Editora UNESP, 2019.
FERREIRA, M. África colonizada e diáspora: gêneros e conflitos culturais. Rio de Janeiro: FGV, 2018.
GUIMARÃES, A. Movimento negro e políticas públicas no Brasil. Brasília: IPEA, 2019.
HALL, S. Identidade cultural e pós-modernidade. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2017.
KLEIN, H. S. A transatlantic slave trade: a global history. Nova York: Norton, 2010.
REIS, J. J. dos. Negros no Brasil: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SOARES, E. Presença africana no Brasil: contribuições e heranças. Salvador: EDUFBA, 2022.
3. Fundamentação Teórica: Origem da População Negra no Norte de Santa Catarina
A presença de populações negras no norte de Santa Catarina insere-se no contexto mais amplo do tráfico transatlântico de africanos para o Brasil entre os séculos XVI e XIX. O Brasil recebeu aproximadamente 4,8 milhões de africanos escravizados, constituindo-se como o maior destino da diáspora africana nas Américas (KLEIN, 2010). Embora as regiões Sudeste e Nordeste tenham concentrado maiores contingentes, a capitania de Santa Catarina também integrou o sistema escravista luso-brasileiro, especialmente por meio do porto de São Francisco do Sul, que funcionou como ponto estratégico de circulação de mercadorias e mão de obra.
Estudos historiográficos indicam que os africanos trazidos para o sul do Brasil eram predominantemente oriundos da África Centro-Ocidental, especialmente das regiões correspondentes à atual Angola e ao antigo Reino do Congo, pertencentes ao tronco linguístico Bantu (REIS, 2015). Também há registros de indivíduos provenientes da Costa da Mina (atual Golfo do Benim), associados a grupos iorubás, ewe e fon (SOARES, 2022). Essas matrizes culturais influenciaram práticas religiosas, sistemas agrícolas, saberes fitoterápicos e formas de organização comunitária.
No norte catarinense, municípios como Joinville e Jaraguá do Sul apresentam registros paroquiais e inventários do século XIX que indicam a presença de pessoas escravizadas integradas às economias domésticas, agrícolas e comerciais locais. Apesar disso, a historiografia regional tradicional privilegiou a narrativa da imigração europeia, sobretudo alemã, contribuindo para a invisibilização da contribuição afrodescendente (SILVA, 2021).
A abolição formal da escravidão, por meio da Lei Áurea em 1888, não foi acompanhada de políticas de inserção socioeconômica. Conforme argumenta Almeida (2019), o pós-abolição consolidou desigualdades estruturais que afetaram especialmente a população negra, levando à marginalização econômica e à formação de núcleos periféricos urbanos e rurais. No caso catarinense, muitos afrodescendentes permaneceram como trabalhadores agrícolas, pescadores, operários e trabalhadores portuários.
A literatura contemporânea ressalta a importância de revisitar arquivos paroquiais, registros notariais e fontes orais para reconstruir trajetórias afrodescendentes no Sul do Brasil, ampliando a compreensão sobre identidade, territorialidade e memória coletiva (GUIMARÃES, 2019). A valorização dessas trajetórias constitui elemento essencial para uma história regional plural e socialmente inclusiva.
Referências (ABNT NBR 6023:2018)
ALMEIDA, Lilia Moritz Schwarcz de. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Classes, raças e democracia. São Paulo: Editora 34, 2019.
KLEIN, Herbert S. The Atlantic Slave Trade. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
REIS, João José dos. Domingos Sodré: um sacerdote africano. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SILVA, Rogério Rosa da. A presença africana no sul do Brasil. Florianópolis: EdUFSC, 2021.
SOARES, Eduardo. Presença africana no Brasil: contribuições e heranças. Salvador: EDUFBA, 2022.
Origem das Pessoas Negras (Pretas) em Jaraguá do Sul: Trajetórias Históricas e Famílias Afrodescendentes
1. Introdução
A presença de pessoas negras (pretas) no município de Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina, está diretamente relacionada à História colonial e ao sistema escravista implantado no Brasil entre os séculos XVI e XIX. Mesmo em áreas marcadas pela imigração europeia — alemã e italiana — desde meados do século XIX, os afrodescendentes estiveram presentes desde fases anteriores da formação regional, participando da economia, da cultura e das redes familiares locais.
2. Tráfico Atlântico e Inserção Inicial
O Brasil foi o principal destino do tráfico transatlântico de africanos escravizados nas Américas, com estimativa superior a 4,8 milhões de pessoas trazidas entre os séculos XVI e XIX (KLEIN, 2010). Embora as rotas principais estivessem associadas a portos do Nordeste e Sudeste, o litoral de Santa Catarina também participou desse sistema por meio de entradas secundárias e trocas regionais (REIS, 2015; SILVA, 2021).
Muitos africanos foram empregados como mão de obra escravizada em fazendas de subsistência, na construção e em atividades urbanas no entorno da Baía da Babitonga — incluindo São Francisco do Sul e Joinville — influenciando circuitos de trabalho que estenderam sua presença até o que viria a ser Jaraguá do Sul.
3. Pós-Abolição e Formação de Núcleos Afrodescendentes
Com a abolição da escravidão em 1888, ex-escravizados permaneceram nas proximidades do litoral e planalto sc, ocupando funções como agricultores, pescadores e trabalhadores rurais. No norte de Santa Catarina, Jaraguá do Sul recebeu fluxo migratório interno que incluía descendentes de famílias afrodescendentes vindos de comunidades costeiras e do interior.
A falta de políticas públicas eficazes de inclusão após a liberdade fez com que muitos afrodescendentes formassem núcleos familiares dispersos, muitas vezes sem sem registro formal de Quilombos, mas com forte presença na organização social local.
4. Famílias Afrodescendentes e Identidade Local
Registros históricos paroquiais, censitários e registros notariais revelam parentescos e sobrenomes associados a famílias negras no norte catarinense. Alguns sobrenomes que aparecem com maior frequência em registros familiares e genealogias — mesmo quando de origem portuguesa — podem ser encontrados entre afrodescendentes residentes em Jaraguá do Sul e arredores:
dos Santos
da Silva
de Oliveira
Pereira
dos Anjos
Nascimento
Liberdade
Esses sobrenomes, comuns entre afrodescendentes brasileiros, muitas vezes foram registrados por batismos ou registros civis realizados por instituições religiosas e civis ao longo dos séculos XIX e XX.
5. Cultura, Resistência e Invisibilização Histórica
A narrativa regional dominante frequentemente enfatizou a imigração europeia, contribuindo para a invisibilização da presença afrodescendente. Entretanto, estudos sociológicos e históricos recentes apontam a necessidade de resgatar as contribuições de pessoas negras na estrutura econômica e cultural das cidades do interior de Santa Catarina, incluindo Jaraguá do Sul (GUIMARÃES, 2019; SOARES, 2022).
A produção de genealogias, pesquisas em acervos paroquiais e a realização de entrevistas orais com famílias afrodescendentes contemporâneas têm mostrado que a população negra faz parte do tecido social local desde fases muito anteriores às grandes ondas imigratórias europeias.
6. Considerações Finais
A origem das pessoas negras em Jaraguá do Sul está ligada a fluxos históricos de escravização, mobilidade pós-abolição e processos de migração interna regional. A valorização dessas trajetórias amplia a compreensão das dinâmicas sociais e identitárias da região, contribuindo para uma história mais plural e representativa.
Referências (ABNT NBR 6023:2018)
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Movimento negro e políticas públicas no Brasil. Brasília: IPEA, 2019.
KLEIN, Herbert S. The Atlantic Slave Trade. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
REIS, João José dos. Domingos Sodré: um sacerdote africano. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SILVA, Rogério Rosa da. A presença africana no sul do Brasil. Florianópolis: EdUFSC, 2021.
SOARES, Eduardo. Presença africana no Brasil: contribuições e heranças. Salvador: EDUFBA, 2022.
CONTRIBUIÇÕES AFRODESCENDENTES PARA A ALIMENTAÇÃO E FRUTICULTURA NO BRASIL: FUNDAMENTOS HISTÓRICOS, AGRÍCOLAS E CULTURAIS
Resumo
Este artigo analisa as contribuições afrodescendentes para a formação da alimentação brasileira, com ênfase na introdução e difusão de culturas agrícolas, frutas, técnicas de cultivo e sistemas culinários. A partir de revisão bibliográfica especializada, demonstra-se que os povos africanos trazidos ao Brasil entre os séculos XVI e XIX desempenharam papel estruturante na agricultura tropical, na organização alimentar e na consolidação de pratos identitários da culinária nacional. Argumenta-se que tais contribuições transcendem o campo nutricional, constituindo elementos centrais da identidade cultural brasileira.
Palavras-chave: Alimentação afro-brasileira; Agricultura africana; História da alimentação; Frutas tropicais; Cultura alimentar.
1. Introdução
A formação da culinária brasileira resulta da interação entre matrizes indígenas, africanas e europeias. Contudo, a contribuição africana foi historicamente subvalorizada, apesar de o Brasil ter sido o maior destino do tráfico atlântico de africanos escravizados (KLEIN, 2010). A presença africana impactou profundamente os sistemas agrícolas, os hábitos alimentares e a introdução de espécies vegetais que se tornaram centrais na dieta nacional.
Estudos de história da alimentação indicam que os africanos não apenas forneceram mão de obra, mas também transferiram conhecimentos técnicos sofisticados sobre agricultura tropical e processamento de alimentos (CASCUDO, 2011; FREYRE, 2003).
2. Sistemas Agrícolas Africanos no Brasil Colonial
Pesquisas históricas demonstram que diversas sociedades da África Ocidental possuíam sistemas agrícolas complexos antes do período do tráfico atlântico (CARNEY; ROSOMOFF, 2009). Entre as principais contribuições destacam-se:
Cultivo consorciado de espécies
Técnicas de irrigação artesanal
Manejo de solos tropicais
Seleção de sementes adaptadas
Produção de hortas domésticas
Segundo Carney e Rosomoff (2009), o conhecimento africano foi fundamental para o sucesso agrícola em regiões tropicais americanas.
3. Introdução e Difusão de Espécies Alimentares
3.1 Grãos e Tubérculos
Entre os alimentos associados à herança africana no Brasil destacam-se:
Feijão-fradinho
Inhame
Quiabo
Gergelim
Milheto
Esses alimentos integraram tanto a dieta cotidiana quanto preparações ritualísticas (CASCUDO, 2011).
3.2 Frutas e Palmeiras Tropicais
Diversas espécies foram introduzidas ou amplamente difundidas por africanos:
Banana
Manga
Coco
Jamelão
Tamarindo
Dendê (Elaeis guineensis)
O azeite de dendê tornou-se base da culinária afro-brasileira, especialmente na Bahia (FREYRE, 2003).
4. Formação de Sistemas Culinários Afro-Brasileiros
A culinária afro-brasileira consolidou técnicas e pratos que hoje são reconhecidos como patrimônio nacional. Entre eles:
Acarajé
Vatapá
Caruru
Feijoada
Moqueca
Esses pratos combinam técnicas africanas com ingredientes locais e europeus, configurando sistema culinário híbrido (CASCUDO, 2011).
5. Dimensão Religiosa e Identitária da Alimentação
A alimentação afro-brasileira possui dimensão ritual, especialmente vinculada ao Candomblé e a outras religiões de matriz africana. Determinados alimentos são associados a divindades específicas, reforçando a relação entre alimento, espiritualidade e identidade (REIS, 2015).
6. Invisibilização Histórica e Reconhecimento Contemporâneo
A historiografia tradicional priorizou a contribuição europeia na formação alimentar brasileira. Contudo, pesquisas recentes demonstram que a base da alimentação nacional — feijão, farinha, azeites vegetais, frutas tropicais — foi profundamente moldada por saberes africanos (GUIMARÃES, 2019).
O reconhecimento dessas contribuições representa não apenas correção historiográfica, mas valorização de patrimônio cultural imaterial.
7. Considerações Finais
As contribuições afrodescendentes para a alimentação e fruticultura brasileira foram estruturais e duradouras. Africanos e seus descendentes introduziram culturas agrícolas, técnicas de manejo e sistemas culinários que moldaram a identidade alimentar nacional. A valorização dessas heranças amplia a compreensão da formação social brasileira e fortalece o reconhecimento da centralidade africana na história do país.
REFERÊNCIAS
(Conforme ABNT NBR 6023:2018)
CARNEY, Judith A.; ROSOMOFF, Richard Nicholas. In the shadow of slavery: Africa’s botanical legacy in the Atlantic world. Berkeley: University of California Press, 2009.
CASCUDO, Luís da Câmara. História da alimentação no Brasil. 4. ed. São Paulo: Global, 2011.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Movimento negro e políticas públicas no Brasil. Brasília: IPEA, 2019.
KLEIN, Herbert S. The Atlantic Slave Trade. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
REIS, João José dos. Domingos Sodré: um sacerdote africano. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
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2. ORIGEM AFRICANA DAS CONTRIBUIÇÕES ALIMENTARES NO BRASIL
A origem das contribuições afrodescendentes para a alimentação brasileira está diretamente relacionada aos fluxos do tráfico transatlântico de africanos entre os séculos XVI e XIX. O Brasil recebeu aproximadamente 4,8 milhões de africanos escravizados, tornando-se o principal destino nas Américas (KLEIN, 2010). Esses indivíduos provinham majoritariamente da África Centro-Ocidental (região do Congo-Angola) e da África Ocidental (Golfo do Benim e Costa da Mina), áreas com tradição agrícola consolidada.
Segundo CARNEY e ROSOMOFF (2009), sociedades africanas dessas regiões possuíam sistemas agrícolas sofisticados baseados no cultivo de cereais, tubérculos, leguminosas e palmeiras oleaginosas. O conhecimento sobre manejo de solos tropicais, irrigação, consorciação de culturas e processamento de alimentos foi transferido para o território americano durante o período colonial.
Entre as espécies associadas à herança africana destacam-se:
Quiabo (Abelmoschus esculentus), originário da África Subsaariana;
Inhame (Dioscorea spp.), cultivado amplamente na África Ocidental;
Feijão-fradinho (Vigna unguiculata), base alimentar em diversas regiões africanas;
Gergelim (Sesamum indicum), difundido por rotas afro-asiáticas;
Palma do dendê (Elaeis guineensis), nativa da África Ocidental.
A introdução do dendê é particularmente relevante, pois sua extração originou o azeite que se tornou elemento central da culinária afro-brasileira, especialmente na Bahia, onde pratos como o Acarajé consolidaram-se como símbolos culturais (CASCUDO, 2011).
Além das espécies vegetais, houve transferência de técnicas culinárias, como o cozimento lento, o uso de pilões para processamento de grãos e a combinação de ingredientes em preparações coletivas. Essas práticas mantinham vínculos com cosmologias africanas e, no Brasil, integraram-se às tradições religiosas como o Candomblé, onde determinados alimentos possuem função ritual (REIS, 2015).
Freyre (2003) argumenta que a cozinha brasileira formou-se na intersecção entre a casa-grande e a senzala, sendo as cozinhas dos engenhos espaços privilegiados de intercâmbio cultural, nos quais mulheres africanas desempenharam papel decisivo na consolidação de hábitos alimentares duradouros.
Portanto, a origem das contribuições afrodescendentes para a alimentação brasileira não se limita à presença forçada de mão de obra, mas envolve a transferência estruturante de conhecimentos agronômicos, botânicos e culinários que moldaram o sistema alimentar nacional.
Referências (ABNT NBR 6023:2018)
CARNEY, Judith A.; ROSOMOFF, Richard Nicholas. In the shadow of slavery: Africa’s botanical legacy in the Atlantic world. Berkeley: University of California Press, 2009.
CASCUDO, Luís da Câmara. História da alimentação no Brasil. 4. ed. São Paulo: Global, 2011.
A meliponicultura tem se expandido no Sul do Brasil, especialmente em áreas urbanas e periurbanas. O sucesso na captura de enxames naturais depende de fatores como altura de instalação, orientação solar, proteção contra vento e umidade, volume interno da caixa e atrativos olfativos. Este trabalho apresenta recomendações técnicas para instalação de caixas-isca em ambiente urbano no município de São Francisco do Sul, considerando clima subtropical úmido e influência marítima. São discutidas variáveis ambientais, dimensões recomendadas e fundamentos ecológicos baseados na biologia de espécies como Tetragonisca angustula, Melipona quadrifasciata e Scaptotrigona xanthotricha.
Palavras-chave: Meliponicultura; Abelhas sem ferrão; Caixas-isca; Orientação solar; Santa Catarina.
1 Introdução
As abelhas sem ferrão (tribo Meliponini) desempenham papel essencial na polinização de espécies nativas e cultivadas. No Sul do Brasil, sua criação racional representa alternativa sustentável de produção de mel e conservação ambiental. A captura de enxames naturais por meio de caixas-isca é prática comum, porém sua eficiência depende de critérios técnicos relacionados à ecologia de nidificação, microclima e estrutura física do abrigo artificial.
Regiões litorâneas do Norte de Santa Catarina apresentam elevada umidade relativa do ar, ventos sazonais e variação térmica moderada, exigindo adaptações no posicionamento das colmeias.
2 Fundamentação Ecológica da Nidificação
Espécies como Tetragonisca angustula e Melipona quadrifasciata nidificam naturalmente em ocos de árvores, preferencialmente entre 1 e 5 metros de altura, com entradas protegidas da chuva direta e voltadas para áreas com insolação matinal. A orientação da entrada influencia a termorregulação da colônia e a redução de umidade interna, fator crítico em regiões costeiras.
A literatura indica que o aquecimento gradual pelo sol da manhã estimula atividade de forrageamento, enquanto exposição prolongada ao sol da tarde pode causar estresse térmico.
3 Materiais e Métodos Recomendados
3.1 Modelo de Caixa-Isca
Recomenda-se utilização de madeira de pinus não tratada, com espessura mínima de 2 cm, garantindo isolamento térmico adequado. O volume interno deve ser compatível com a espécie alvo:
Espécies pequenas (Plebeia, Jataí): 10 × 10 cm
Espécies médias (Scaptotrigona): 12 × 12 cm
Espécies Melipona: 16 × 16 cm
A entrada deve apresentar diâmetro compatível com o porte corporal:
6–8 mm (espécies pequenas)
10–12 mm (médias)
12–15 mm (Melipona)
Aplicação interna de própolis diluída e cera de abelha aumenta a atratividade.
3.2 Altura de Instalação
Com base em registros ecológicos e prática meliponicultora, recomenda-se instalação entre 1,5 m e 2,5 m do solo, sendo 1,8 m a 2,0 m a faixa considerada ideal. Alturas inferiores aumentam risco de formigas e umidade; alturas excessivas dificultam manejo.
3.3 Orientação Solar
Para o Norte de Santa Catarina, recomenda-se:
Entrada voltada para Norte ou Nordeste
Exposição ao sol da manhã
Sombra parcial no período da tarde
Essa configuração otimiza aquecimento inicial e reduz superaquecimento.
3.4 Proteção Estrutural
Em regiões litorâneas com influência de ventos do quadrante Sul, recomenda-se:
Fixação com parafusos na tampa
Peso adicional ou amarração
Distância mínima de 30–50 cm da parede
Instalação sob árvores que ofereçam sombra leve
4 Discussão
A combinação de orientação Norte/Nordeste, altura média de 1,8 m e proteção arbórea cria microclima semelhante ao ambiente natural de nidificação. Em São Francisco do Sul, onde a umidade é elevada, a insolação matinal desempenha papel relevante na redução de fungos e manutenção da estabilidade térmica.
A escolha do material (pinus não tratado) é viável economicamente e apresenta bom desempenho quando protegido externamente com óleo vegetal ou selante natural.
5 Distância de Forrageamento de Abelhas Sem Ferrão (Meliponini)
5.1 Fundamentação Ecológica
A distância de forrageamento das abelhas sem ferrão (tribo Meliponini) é variável e depende de fatores como:
Tamanho corporal da espécie
Disponibilidade de recursos florais
Estrutura da paisagem (mata contínua ou fragmentada)
Competição intra e interespecífica
Condições climáticas
De modo geral, espécies menores apresentam raio de voo mais curto, enquanto espécies maiores do gênero Melipona possuem maior capacidade de deslocamento.
5.2 Distâncias Médias por Grupo
🐝 Espécies Pequenas
Ex.: Tetragonisca angustula, Plebeia remota
Raio médio: 300 a 800 metros
Máximo registrado: até 1.000 m
Preferência por recursos próximos ao ninho
Estudos indicam que a maioria das operárias concentra coleta dentro de 500 m.
🐝 Espécies Médias
Ex.: Scaptotrigona bipunctata
Raio médio: 800 m a 1,5 km
Boa adaptação a áreas agrícolas e fragmentadas
🐝 Espécies Grandes
Ex.: Melipona quadrifasciata, Melipona obscurior
Raio médio: 1 a 2 km
Registros máximos: até 2,5 km
Capacidade de explorar paisagens amplas
4.3 Implicações para Produção de Mel
A produção de mel está diretamente relacionada à:
Diversidade floral dentro do raio de voo
Presença de espécies nativas da Mata Atlântica
Continuidade de floradas ao longo do ano
Em ambientes urbanos ou rurais fragmentados, recomenda-se garantir:
Área verde mínima dentro de 1 km para espécies pequenas
Área verde dentro de 2 km para espécies do gênero Melipona
A fragmentação reduz disponibilidade de pólen e néctar, impactando o volume anual produzido.
5.4 Comparação com Apis mellifera
A espécie exótica Apis mellifera apresenta raio de voo superior:
Média: 3 a 5 km
Registros extremos: até 10 km
Isso confere maior competitividade em ambientes abertos, podendo influenciar dinâmica de recursos.
5.5 Considerações para Instalação de Caixas
Para maximizar produção:
Instalar caixas próximas a fragmentos de Mata Atlântica
Manter diversidade de espécies florais nativas
Evitar isolamento total em áreas exclusivamente urbanizadas
Planejar paisagismo com espécies melíferas
6 Competição entre abelhas com ferrão e abelhas sem ferrão na meliponicultura
A convivência entre abelhas com ferrão e abelhas sem ferrão pode gerar competição ecológica por recursos florais, principalmente néctar e pólen. A espécie Apis mellifera, amplamente utilizada na apicultura brasileira, apresenta grande capacidade de forrageamento e formação de colônias populosas, o que pode intensificar a disputa por recursos com espécies nativas de meliponíneos. Espécies como Tetragonisca angustula, Melipona quadrifasciata, Melipona bicolor, Nannotrigona testaceicornis e Scaptotrigona depilis podem sofrer redução no acesso aos recursos florais quando há elevada densidade de colônias de Apis nas proximidades.
Estudos indicam que a Apis mellifera possui raio de forrageamento que pode ultrapassar 2 km, enquanto muitas espécies de meliponíneos apresentam alcance menor, geralmente entre 300 e 1500 m, dependendo da espécie. Essa diferença pode resultar em vantagem competitiva para Apis, especialmente em ambientes com baixa diversidade floral. Além disso, eventos de pilhagem de mel em colônias fracas de abelhas sem ferrão podem ocorrer quando há proximidade excessiva entre apiários e meliponários.
Em regiões de Mata Atlântica do sul do Brasil, recomenda-se o manejo espacial adequado entre apiários de Apis e meliponários, mantendo distâncias mínimas entre 300 m e 1 km, a fim de reduzir a sobreposição de áreas de coleta e minimizar impactos ecológicos sobre abelhas nativas. Essa medida contribui para a conservação da diversidade de polinizadores e para o equilíbrio produtivo entre apicultura e meliponicultura.
7 Problemas na criação de abelhas sem ferrão
1. Uso de herbicidas e venenos para matar capim
Herbicidas utilizados para eliminar plantas espontâneas podem afetar abelhas sem ferrão de duas formas:
toxicidade direta sobre adultos e larvas
redução das plantas que fornecem pólen e néctar
Estudos mostram que o herbicida Glyphosate pode ser altamente tóxico para larvas de abelhas sem ferrão, causando mortalidade e comprometendo o desenvolvimento das colônias. �
PubMed
Além disso, herbicidas como paraquat e nicosulfuron podem alterar enzimas e causar efeitos fisiológicos nas abelhas, prejudicando comportamento e sobrevivência. �
Springer
2. Fumacê contra mosquitos da dengue
Campanhas de controle de mosquitos transmissores de doenças como Dengue utilizam inseticidas que podem afetar insetos não alvo.
Os efeitos nas abelhas incluem:
morte por intoxicação
desorientação durante o voo
contaminação de pólen e néctar
enfraquecimento das colônias
Esse problema é frequente em áreas urbanas do litoral, onde o fumacê passa próximo aos meliponários.
3. Criação de abelhas com ferrão
A presença de colmeias da espécie Apis mellifera pode gerar competição com abelhas nativas sem ferrão.
Principais impactos:
competição por pólen e néctar
disputa por cavidades para nidificação
transmissão de patógenos
pilhagem de alimento
Essa competição pode reduzir a disponibilidade de recursos para espécies de abelhas nativas.
4. Problemas ambientais na Mata Atlântica
O litoral norte de Santa Catarina pertence ao bioma Mata Atlântica, onde a redução de áreas naturais causa:
perda de árvores ocas para nidificação
redução da diversidade de flores
fragmentação de habitat
Esses fatores reduzem a população de abelhas nativas e dificultam a captura de enxames.
5. Problemas de manejo na meliponicultura
Pesquisas com meliponicultores de Santa Catarina indicam alguns problemas frequentes:
abertura excessiva das caixas
divisão inadequada de colônias
ataque de formigas e moscas forídeas
baixa produção de mel em algumas espécies
perda de colônias por manejo incorreto �
Portal de Publicações Epagri
6. Condições climáticas do litoral
No litoral catarinense ocorrem:
alta umidade
chuvas frequentes
variações de temperatura
Essas condições podem causar fermentação do mel e favorecer doenças nas colônias.
Conclusão científica
A criação de abelhas sem ferrão em regiões urbanas e litorâneas como São Francisco do Sul depende de práticas de manejo adequadas e da preservação ambiental. Entre os principais fatores de risco estão agrotóxicos, herbicidas, fumacê contra mosquitos, competição com abelhas com ferrão e perda de habitat natural.
Conclusão
A instalação de caixas-isca para captura de abelhas sem ferrão em ambiente urbano no Norte de Santa Catarina deve considerar:
Altura entre 1,5 e 2,5 m (ideal 1,8 m);
Entrada voltada para Norte ou Nordeste;
Sombra parcial sob árvores;
Proteção contra vento Sul;
Madeira natural com espessura mínima de 2 cm;
Uso de atrativo à base de própolis e cera.
A adoção desses critérios aumenta a probabilidade de ocupação e promove manejo sustentável das espécies nativas.
Abelhas sem ferrão apresentam raio de forrageamento proporcional ao porte corporal. Espécies pequenas operam majoritariamente em até 800 m, enquanto espécies grandes podem alcançar até 2 km. Para sustentabilidade produtiva, recomenda-se planejamento ambiental considerando o raio ecológico da espécie criada.
A mistura de cera, própolis e erva-cidreira (Cymbopogon citratus) em álcool pode ser utilizada na meliponicultura como atrativo ou feromônio artificial para captura de enxames de abelhas sem ferrão. A cera e o própolis fornecem odores característicos do ninho, enquanto a erva-cidreira libera compostos aromáticos semelhantes aos feromônios de orientação das abelhas. O álcool atua como solvente, extraindo e preservando essas substâncias voláteis. A solução é geralmente aplicada em caixas-isca para aumentar a probabilidade de ocupação por colônias silvestres. Esse método é amplamente utilizado em práticas de manejo e captura racional de enxames na meliponicultura.
Referências
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NOGUEIRA-NETO, P. Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Nogueirapis, 1997.
Anexo A
É tecnicamente possível utilizar esse modelo de base para captura inicial (caixa-isca) e, após a consolidação da colônia, realizar a expansão vertical com sobreninho e melgueiras, desde que o volume final respeite a biologia da espécie.
Abaixo segue o comparativo técnico aplicado ao sistema modular.
1. Princípio Biológico
Espécies da tribo Meliponini organizam o ninho em:
Ninho (discos de cria) – parte inferior
Sobreninho – expansão da área de cria
Melgueira – armazenamento de mel e pólen (superior)
O crescimento natural ocorre de forma vertical, principalmente em espécies do gênero Melipona.
2. Comparativo Técnico Adaptado ao Sistema Modular
Espécie
Base interna
Altura inicial (isca)
Sistema recomendado
Mirim (Plebeia)
10 × 10 cm
5–6 cm
Base + 1 sobreninho opcional
Mandaguari (Scaptotrigona)
18 × 18 cm
7–8 cm
Base + sobreninho + 1 melgueira
Uruçu (Melipona grande)
20 × 20 cm
8 cm
Base + sobreninho + 1–2 melgueiras
3. Viabilidade por Espécie
🔹 Mirim (Plebeia)
Espécies pequenas como Plebeia remota possuem discos compactos.
Pode-se capturar em caixa 10×10 cm e, após 3–4 meses, adicionar:
Sobreninho de 5 cm
Raramente necessita melgueira grande
Volume excessivo prejudica termorregulação.
🔹 Mandaguari
Espécies como Scaptotrigona postica são mais expansivas.
Modelo 18×18 cm funciona bem para captura.
Após estabilização:
Acrescentar sobreninho (7 cm)
Inserir melgueira superior ventilada
Boa adaptação ao sistema modular.
🔹 Uruçu (Melipona grande)
Exemplo: Melipona quadrifasciata ou Melipona scutellaris.
Necessitam maior volume térmico.
Modelo 20×20 cm é adequado para captura, porém:
Após 4–6 meses adicionar sobreninho
Depois incluir 1 ou 2 melgueiras
Espécies Melipona respondem melhor a caixas modulares padrão INPA ou vertical racional.
4. Requisitos Técnicos Essenciais
Para funcionar corretamente como sistema evolutivo:
Espessura mínima da madeira: 2 cm
Vedação perfeita (sem frestas)
Encaixe macho-fêmea ou sobreposição
Entrada proporcional (6–15 mm conforme espécie)
Tampa com fixação contra vento
Fundo elevado 1 cm para drenagem
5. Vantagens do Sistema Modular
✔ Permite captura com volume reduzido (maior chance de ocupação)
✔ Expansão controlada conforme crescimento
✔ Facilita manejo sanitário
✔ Mantém estabilidade térmica inicial
6. Conclusão Técnica
Sim, o modelo apresentado pode ser utilizado como caixa de captura inicial, desde que:
O volume seja compatível com a espécie.
A ampliação seja gradual.
A expansão ocorra apenas após consolidação da postura e população.
Para Melipona grandes (Uruçu), o sistema modular é altamente recomendado.
Para Mirim, expansão deve ser mínima e criteriosa.
ANEXO A
Anexo B
Iscas colocadas di 08/03/2026
Captura de enxames da abelha Borá (Tetragona clavipes)
A abelha Tetragona clavipes é uma espécie de abelha sem ferrão amplamente distribuída no Brasil, sendo encontrada em diferentes biomas, incluindo áreas de Mata Atlântica. Essa espécie apresenta colônias populosas e comportamento defensivo mais ativo quando comparada a outras abelhas sem ferrão, possuindo grande potencial para produção de mel na meliponicultura. Estudos sobre sua biologia e arquitetura do ninho indicam que a espécie constrói estruturas internas complexas compostas por discos de cria e potes de armazenamento de alimento distribuídos na cavidade do ninho. �periódicos UEFS · 1
A captura de enxames dessa espécie pode ser realizada por meio de caixas-isca, técnica utilizada por meliponicultores para atrair colônias em processo de enxameação. Esse método permite ampliar o número de colônias sem retirar ninhos diretamente da natureza, contribuindo para a conservação das abelhas nativas. O sucesso da captura depende da escolha adequada do local, da presença de vegetação com flores e da utilização de atrativos naturais que reproduzam o odor característico do interior de um ninho.
Preparação do atrativo para abelha Borá
Os atrativos utilizados na captura de enxames geralmente são preparados com substâncias naturais provenientes do próprio ambiente das abelhas. Um método tradicional consiste em utilizar cera de abelha, própolis e extrato de erva-cidreira, substâncias que simulam o odor de colônias já estabelecidas.
Procedimento de preparo do atrativo:
Macerar folhas de erva-cidreira (Melissa officinalis).
Misturar as folhas em álcool 70–75% e deixar em repouso por 3 a 7 dias.
Adicionar pequenos fragmentos de própolis ou cerume de colônias antigas.
Aplicar algumas gotas da solução nas paredes internas da caixa-isca.
Atrativos comerciais também podem ser produzidos a partir de própolis da própria espécie, o que aumenta a eficiência da captura por reproduzir o odor natural do ninho. �
Mercado Livre
Técnica de captura de enxames (passo a passo)
O processo de captura utilizado por meliponicultores experientes envolve algumas etapas fundamentais:
Preparação da caixa-isca
Utilizar caixa de madeira limpa, com aplicação de cera e própolis nas paredes internas.
Aplicação do atrativo
Aplicar pequenas quantidades da solução aromática na entrada e no interior da caixa.
Escolha do local de instalação
Instalar a caixa próxima à vegetação nativa, preferencialmente em árvores ou suportes entre 1 e 2 metros de altura.
Proteção ambiental
Posicionar a caixa em local sombreado, protegido de chuva e ventos fortes.
Monitoramento da caixa
Verificar periodicamente a presença de abelhas exploradoras, que indicam possível ocupação do ninho.
Esse método reproduz condições semelhantes às cavidades naturais utilizadas pelas abelhas para nidificação, aumentando a probabilidade de captura de novos enxames.
Tamanho ideal da caixa para a abelha Borá
Devido ao grande número de indivíduos presentes nas colônias dessa espécie, recomenda-se utilizar caixas de maior volume quando comparadas às usadas para espécies pequenas. Estudos sobre arquitetura do ninho indicam que a câmara de cria da espécie pode apresentar diâmetro médio superior a 14 cm, informação útil para dimensionamento das caixas de manejo. �
Periódicos UEFS
Na meliponicultura prática, as caixas recomendadas geralmente apresentam:
base interna aproximada de 18 a 20 cm
estrutura modular com ninho, sobreninho e melgueira
altura total próxima de 25 a 30 cm
Caixas com dimensões internas próximas de 19 × 19 cm são frequentemente utilizadas para espécies populosas como a Borá e outras abelhas do gênero Scaptotrigona. �
Mercado Livre
A utilização de caixas com volume adequado permite melhor desenvolvimento da colônia, maior capacidade de armazenamento de alimento e maior estabilidade térmica no interior do ninho.
Referências (ABNT 2023)
DUARTE, R.; SOARES, A. E. E. Nest architecture of Tetragona clavipes (Fabricius) (Hymenoptera: Apidae, Meliponini). Sociobiology, v. 63, n. 2, p. 813-818, 2016. �
Periódicos UEFS
DUARTE, R. S. Aspectos da biologia destinados à criação de Tetragona clavipes. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, 2012. �
Repositório da Produção USP
NOGUEIRA-NETO, P. Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Nogueirapis, 1997.
KERR, W. E.; CARVALHO, G. A.; NASCIMENTO, V. A. Abelha uruçu: biologia, manejo e conservação. Manaus: INPA, 1996.
EPAGRI. Meliponicultura: criação racional de abelhas sem ferrão. Florianópolis: EPAGRI, 2017.
Anexo C
Nossa tentativa de fazer caixas
Anexo D
ANEXO E
🐝🌳 Calendário de Floração (12 meses)
Espécies Nativas da Mata Atlântica para Abelhas Sem Ferrão