quarta-feira, 1 de abril de 2026

Processo Legislativo, Votações Parlamentares e Atos Presidenciais no Brasil (1985–2026): Análise Institucional da Nova República

 Está análise busca compreender os fenômenos políticos brasileiros que ocorrem no legislativo e executivo federal. O sistema político brasileiro (1985–2026) consolidou o presidencialismo de coalizão, no qual o Executivo depende do Congresso para aprovar projetos. Governos como Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva tiveram alta aprovação legislativa, enquanto Dilma Rousseff enfrentou crise que resultou em impeachment. O Congresso ampliou seu poder, especialmente em votações e derrubada de vetos. O Supremo Tribunal Federal ganhou protagonismo ao declarar leis inconstitucionais. O período recente é marcado por polarização política e maior necessidade de negociação institucional.



1 INTRODUÇÃO

A redemocratização brasileira inaugurada em 1985 consolidou um modelo político caracterizado pelo presidencialismo de coalizão, no qual o Poder Executivo depende da articulação com o Congresso Nacional para aprovar sua agenda legislativa. Estudos indicam que o Executivo frequentemente domina a iniciativa legislativa, enviando a maior parte dos projetos aprovados. �

Diap

A promulgação da Constituição de 1988 marcou o início de um novo ciclo institucional, com forte participação parlamentar e social na elaboração das normas. �

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Este artigo analisa:

padrões de votação dos deputados federais;

principais leis aprovadas;

normas declaradas inconstitucionais;

sanções e vetos presidenciais.

2 GOVERNO JOSÉ SARNEY (1985–1990)

2.1 Contexto legislativo e votações

O governo de José Sarney foi marcado pela transição democrática e pela atuação da Assembleia Nacional Constituinte (1987–1988), composta por 559 parlamentares (deputados e senadores). �

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As votações parlamentares nesse período tiveram características específicas:

alta fragmentação partidária;

forte influência de movimentos sociais;

protagonismo do chamado “centrão” na Constituinte.

2.2 Principais projetos aprovados

Constituição Federal de 1988

Ampliação de direitos sociais (saúde, educação, trabalho)

Criação do SUS e ampliação da seguridade social

2.3 Inconstitucionalidades

Após 1988, o Supremo Tribunal Federal passou a atuar com maior intensidade no controle de constitucionalidade, invalidando normas contrárias à nova Constituição (ex.: leis herdadas do regime militar incompatíveis com direitos fundamentais).

2.4 Sanções e vetos

Sarney utilizou o veto como instrumento político, mas com menor sistematização institucional do que nos governos posteriores. O modelo de controle de vetos ainda estava em consolidação.

3 GOVERNO FERNANDO COLLOR (1990–1992)

3.1 Padrão de votação parlamentar

O governo de Fernando Collor de Mello enfrentou dificuldades de articulação no Congresso, devido à ausência de uma base sólida.

Características:

baixo apoio parlamentar;

conflitos com partidos tradicionais;

uso intensivo de medidas provisórias.

3.2 Principais leis aprovadas

Plano Collor (reformas econômicas e confisco de poupança)

Abertura econômica e desregulamentação

3.3 Inconstitucionalidades

Diversas medidas econômicas foram questionadas no STF, especialmente relacionadas:

ao confisco de ativos financeiros;

à violação de direitos adquiridos.

3.4 Votações históricas (Impeachment)

O Congresso protagonizou uma das votações mais importantes da história brasileira:

abertura do processo de impeachment (Câmara);

julgamento político no Senado.

Collor renunciou em 1992 durante o processo. �

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3.5 Vetos e sanções

uso estratégico de vetos limitado pela crise política;

perda de controle sobre agenda legislativa.

4 GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992–1995)

4.1 Contexto parlamentar

O governo de Itamar Franco caracterizou-se por maior estabilidade institucional após a crise do impeachment.

Padrões de votação:

recomposição de coalizões;

maior cooperação entre Executivo e Legislativo;

redução de conflitos institucionais.


4.2 Principais projetos aprovados

Plano Real (1994)

Reformas monetárias e fiscais

Estabilização da economia

4.3 Inconstitucionalidades

O STF analisou medidas econômicas, mas com menor grau de conflito comparado ao período Collor.

4.4 Sanções e vetos

atuação mais conciliadora;

menor uso de vetos;

maior taxa de aprovação de projetos do Executivo.


5 Análise comparativa dos governos Sarney, Collor e Itamar (1985–1995)

O período de 1985 a 1995 representa a consolidação da redemocratização brasileira e a reorganização das relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário, marcadas por diferentes padrões de governabilidade, produção legislativa e estabilidade institucional.

Durante o governo de José Sarney (1985–1990), observa-se uma relação de construção institucional com o Congresso Nacional, ainda em processo de adaptação após o regime militar. A produção legislativa foi fortemente orientada pela Constituição de 1988, com ampliação significativa dos direitos sociais e civis. Os vetos presidenciais foram moderados, e o período foi caracterizado pela transição democrática, com forte instabilidade econômica e política, mas com expansão inicial do controle de constitucionalidade, fortalecendo o papel do Judiciário.

No governo de Fernando Collor de Mello (1990–1992), a relação com o Congresso tornou-se conflituosa, marcada por baixa articulação política e forte uso de medidas econômicas radicais, como abertura comercial e reformas liberalizantes. A produção legislativa esteve centrada em tentativas de estabilização econômica, enquanto o controle de constitucionalidade passou por intensa judicialização, refletindo conflitos entre políticas executivas e limites constitucionais. O período foi profundamente afetado por crises políticas que culminaram no impeachment presidencial, evidenciando fragilidade institucional e baixa capacidade de governabilidade.

Já no governo de Itamar Franco (1992–1995), observa-se uma relação mais cooperativa com o Congresso, com redução dos conflitos institucionais e fortalecimento da articulação política. A produção legislativa foi direcionada para a estabilização econômica, culminando no Plano Real. Os vetos presidenciais foram baixos, e o período marcou a consolidação da estabilidade institucional, com menor tensão entre os poderes e fortalecimento da governança democrática.

Em síntese, o período analisado revela uma trajetória que vai da construção institucional (Sarney), passa pela crise e judicialização (Collor) e alcança a estabilização e consolidação democrática (Itamar), evidenciando a evolução das relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil pós-ditadura.




6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

O período inicial da Nova República revela três fases distintas:

Fundação institucional (Sarney)

Crise e ruptura (Collor)

Estabilização (Itamar)

Essas fases moldaram o padrão posterior do sistema político brasileiro, marcado por:

dependência do Executivo em coalizões;

centralidade do Congresso nas votações;

crescente papel do Judiciário no controle de constitucionalidade.

REFERÊNCIAS (ABNT 2023 – PARCIAL)

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Senado Federal. Revista de Informação Legislativa. Brasília: Senado Federal, 2024. �

Senado Federal

QUEIROZ, Antônio Augusto de. Produção legislativa no Brasil contemporâneo. DIAP, 2020. �

Diap

BRASIL. História política da Nova República. Disponível em: Wikipedia




7 GOVERNO Fernando Henrique Cardoso (1995–2002)

7.1 Padrão de votações na Câmara dos Deputados

O governo FHC consolidou o modelo de presidencialismo de coalizão, com forte disciplina partidária e apoio parlamentar estruturado.

Características:

alta taxa de aprovação de projetos do Executivo;

uso estratégico de emendas constitucionais;

base aliada estável (PSDB, PFL, PMDB).

7.2 Principais projetos aprovados

Emenda da reeleição (EC nº 16/1997)

Privatizações (Vale, Telebras)

Lei de Responsabilidade Fiscal (2000)

7.3 Inconstitucionalidades

O STF analisou reformas administrativas e econômicas, especialmente:

privatizações;

reformas previdenciárias;

flexibilização do Estado.

Grande parte foi considerada constitucional, reforçando a agenda reformista.

7.4 Sanções e vetos

uso frequente de vetos parciais;

controle rigoroso da agenda legislativa;

alto índice de sanção de projetos do Executivo.

8 GOVERNO Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010)

8.1 Padrão de votações

O governo Lula manteve e ampliou o presidencialismo de coalizão, com maior inclusão social na agenda política.

Características:

ampla coalizão multipartidária;

uso intensivo de medidas provisórias;

negociações políticas constantes.

8.2 Principais leis aprovadas

Bolsa Família

Reforma da Previdência (2003)

Estatuto da Igualdade Racial

Expansão do ensino superior (REUNI, PROUNI)

8.3 Inconstitucionalidades

Casos relevantes analisados pelo STF:

cotas raciais (consideradas constitucionais);

reformas previdenciárias;

políticas sociais.

8.4 Crises e votações importantes

Escândalo do “Mensalão” (2005);

fortalecimento do controle institucional;

manutenção da governabilidade apesar da crise.

8.5 Vetos e sanções

uso moderado de vetos;

alto volume de projetos sancionados;

fortalecimento de políticas públicas sociais.

9 ANÁLISE COMPARATIVA (1995–2010)

Elemento

FHC

Lula

Modelo político

Consolidação neoliberal

Inclusão social

Relação com Congresso

Estável e disciplinada

Ampla e negociada

Produção legislativa

Reformas estruturais

Políticas sociais

Judicialização

Moderada

Crescente

Vetos

Estratégicos

Moderados

10 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS


O período 1995–2010 representa a maturidade institucional da Nova República, com:

fortalecimento do Executivo;

centralidade do Congresso nas votações;

ampliação do papel do STF.

Destaca-se a continuidade institucional entre FHC e Lula, apesar das diferenças ideológicas.

REFERÊNCIAS (ABNT 2023 – PARTE 2)

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.

LIMONGI, Fernando; FIGUEIREDO, Argelina. Executivo e Legislativo na Nova Ordem Constitucional. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

SANTOS, Fabiano. O Poder Legislativo no Presidencialismo de Coalizão. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Brasil). Jurisprudência constitucional. Brasília: STF, 2023


11 GOVERNO Dilma Rousseff (2011–2016)

11.1 Padrão de votações

O governo Dilma apresentou queda na coesão da base aliada, com crescente dificuldade de articulação no Congresso.

Características:

fragmentação partidária;

aumento do “presidencialismo de coalizão instável”;

crescimento da oposição parlamentar.

11.2 Principais leis e medidas aprovadas

Marco Civil da Internet (2014)

Lei Anticorrupção (2013)

Programas sociais e educacionais

11.3 Inconstitucionalidades

O Supremo Tribunal Federal atuou intensamente:

análise de decretos orçamentários;

discussões sobre “pedaladas fiscais”;

controle de políticas públicas.

11.4 Votação histórica: Impeachment

A Câmara dos Deputados aprovou o impeachment em 2016, com votação nominal amplamente documentada.

Fatores determinantes:

crise econômica;

ruptura da coalizão;

pressão social e política.

11.5 Vetos e sanções

aumento do uso de vetos presidenciais;

dificuldade crescente em manter agenda legislativa.

12 GOVERNO Michel Temer (2016–2018)

12.1 Padrão de votações

O governo Temer retomou a estabilidade parlamentar com base sólida no Congresso.

Características:

forte articulação política;

apoio do chamado “centrão”;

alta taxa de aprovação de reformas.

12.2 Principais leis aprovadas

Reforma Trabalhista (2017)

Teto de gastos públicos (EC 95/2016)

12.3 Inconstitucionalidades

O STF analisou:

constitucionalidade do teto de gastos;

mudanças trabalhistas;

limites fiscais.

Grande parte foi mantida, consolidando reformas estruturais.

12.4 Vetos e sanções

uso estratégico de vetos;

elevada taxa de sucesso legislativo;

alinhamento Executivo–Legislativo.

13 GOVERNO Jair Bolsonaro (2019–2022)

13.1 Padrão de votações

Inicialmente com discurso anti-coalizão, o governo Bolsonaro posteriormente aderiu ao modelo tradicional.

Características:

início com baixa articulação;

posterior aproximação com o Congresso;

fortalecimento do “centrão”.

13.2 Principais leis aprovadas

Reforma da Previdência (2019)

Marco do Saneamento

Auxílio Emergencial (COVID-19)

13.3 Inconstitucionalidades

O STF teve papel central:

decisões sobre pandemia (competência de estados);

direitos fundamentais;

conflitos entre poderes.

13.4 Vetos e sanções

alto número de vetos presidenciais;

vários vetos derrubados pelo Congresso;

intensificação do conflito institucional.

14 GOVERNO Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026)

14.1 Padrão de votações

O atual governo retoma o presidencialismo de coalizão em ambiente altamente polarizado.

Características:

necessidade de ampla negociação;

Congresso mais autônomo;

fortalecimento das emendas parlamentares.

14.2 Principais projetos aprovados (até 2026)

Novo arcabouço fiscal

Reforma tributária (em andamento/conclusão parcial)

Políticas sociais ampliadas

14.3 Inconstitucionalidades

O STF continua atuando em:

controle de políticas fiscais;

direitos sociais;

conflitos federativos.

14.4 Vetos e sanções

uso estratégico de vetos;

frequente negociação para manutenção de vetos;

Congresso mais ativo na derrubada de vetos.

15 ANÁLISE GERAL (1985–2026)

15.1 Evolução do comportamento legislativo

Período

Característica central

1985–1994

Transição e instabilidade

1995–2010

Estabilidade e coalizão forte

2011–2016

Crise política

2016–2022

Reformas e polarização

2023–2026

Polarização e negociação intensiva

15.2 Padrões estruturais identificados

✔ Predominância do Executivo na agenda legislativa

✔ Dependência de coalizões partidárias

✔ Crescente judicialização da política

✔ Aumento do poder do Congresso (emendas e vetos)

15.3 Sobre votações de deputados

As votações mais relevantes (impeachments, reformas, PECs):

são nominais e registradas;

indicam forte disciplina partidária;

refletem negociações políticas e econômicas.

Bases oficiais:

Câmara dos Deputados (dados abertos)

Senado Federal

16 CONCLUSÃO

A análise histórica evidencia que o sistema político brasileiro evoluiu para um modelo complexo, no qual:

o Executivo lidera a formulação de políticas;

o Legislativo condiciona sua aprovação;

o Judiciário atua como árbitro constitucional.

O período recente demonstra maior instabilidade e polarização, exigindo novas formas de governabilidade e negociação institucional.

REFERÊNCIAS (ABNT 2023 – FINAL)

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.

LIMONGI, Fernando; FIGUEIREDO, Argelina. Executivo e Legislativo na Nova Ordem Constitucional. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

SANTOS, Fabiano. O Poder Legislativo no Presidencialismo de Coalizão. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Brasil). Jurisprudência constitucional. Brasília: STF, 2023.

NICOLAU, Jairo. Sistemas partidários e representação política no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

POWER, Timothy; ZUCCO JR., Cesar. Coalizões e governabilidade no Brasil. São Paulo: UNESP, 2011.



Anexo A


Processo Legislativo e Poder Presidencial no Brasil (1985–2026)

Análise de votações, leis aprovadas, vetos e inconstitucionalidades

Nova República brasileira

SLIDE 2 — CONTEXTO GERAL

Redemocratização a partir de 1985

Constituição de 1988 fortalece direitos e instituições

Sistema político baseado no presidencialismo de coalizão

Relação constante entre Executivo, Legislativo e Judiciário

SLIDE 3 — 1985–2002 (CONSOLIDAÇÃO INICIAL)

Fernando Henrique Cardoso

Estabilidade e reformas econômicas

Privatizações e Lei de Responsabilidade Fiscal

Forte articulação com Congresso

SLIDE 4 — 2003–2010 (EXPANSÃO SOCIAL)

Luiz Inácio Lula da Silva

Ampliação de políticas sociais (Bolsa Família)

Maior inclusão educacional e econômica

Crises políticas (Mensalão), mas manutenção da governabilidade

SLIDE 5 — 2011–2016 (CRISE POLÍTICA)

Dilma Rousseff

Queda de apoio no Congresso

Crise econômica e política

Impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados

Aumento da instabilidade institucional

SLIDE 6 — 2016–2022 (REFORMAS E POLARIZAÇÃO)

Michel Temer: reformas trabalhista e teto de gastos

Jair Bolsonaro: reforma da previdência e pandemia

Forte atuação do Congresso e do STF

Aumento de conflitos institucionais

SLIDE 7 — 2023–2026 (ATUALIDADE)

Luiz Inácio Lula da Silva

Novo arcabouço fiscal e reforma tributária

Congresso mais independente e negociador

Crescente judicialização política

Polarização e necessidade de coalizões amplas