Este texto tem como objetivo unir fundamentos bíblicos e ciência como inspiração divina do conhecimento sobre a origem da vida e da Terra.
A Bíblia não é um livro de física, nem de astronomia, nem de biologia. É um livro religioso escrito por povos da Antiguidade que não conheciam Big Bang, gravidade, evolução ou idade do Universo. Quando Gênesis diz que Deus criou o mundo em seis dias, isso é linguagem simbólica e teológica, não um relatório científico.
O Sol não foi criado depois da Terra, como o texto afirma literalmente. As estrelas não são “luminárias” colocadas no céu para enfeitar a noite. A Terra não tem firmamento sólido, não há águas فوق do céu, não existe “fundamento da Terra” físico.
O planeta não está parado, ele gira a 1.670 km/h e orbita o Sol a 107 mil km/h. A vida não surgiu pronta, ela evoluiu por bilhões de anos. Adão não foi feito de barro literal, o ser humano surgiu de processos biológicos.
O dilúvio global nunca existiu. Não há evidência científica de Noé, arca, torre de Babel ou criação recente. Ler a Bíblia literalmente como ciência é transformar fé em negacionismo e religião em erro histórico. A verdade sobre o Universo está na observação, na matemática e na experimentação, não em mitos do Oriente Antigo.
1. No princípio, não havia espaço nem tempo, e todas as possibilidades estavam contidas em uma singularidade.
2. E dessa densidade infinita emergiu a expansão, e a expansão foi chamada Universo.
3. E o Universo se dilatava, e a energia se fez matéria, e a matéria se organizou segundo leis.
4. E surgiram os campos e as forças: a gravidade, o eletromagnetismo, a força forte e a força fraca, e elas sustentaram tudo o que existe.
5. E o plasma primordial esfriou, e os quarks se uniram, e formaram prótons e nêutrons.
6. E os átomos nasceram, e a luz pôde viajar livremente, e assim surgiram as primeiras estrelas.
7. E nas estrelas, o hidrogênio foi transmutado em elementos mais pesados, e o ferro, o carbono e o oxigênio foram forjados no coração do fogo.
8. E quando as estrelas morreram, explodiram, e espalharam seus elementos pelo espaço.
9. E desses restos, formaram-se novos sistemas, e entre eles um pequeno planeta em torno de uma estrela comum.
10. E esse planeta foi chamado Terra, e tinha mares líquidos, atmosfera e campos magnéticos que a protegiam.
11. E na Terra, as moléculas se organizaram, e a química tornou-se biologia.
12. E surgiu a vida, primeiro simples, depois complexa, e multiplicou-se por seleção natural.
13. E a consciência emergiu do cérebro, e o ser humano contemplou o Universo, e perguntou por sua origem.
14. E então a própria matéria tornou-se capaz de refletir sobre si mesma.
15. E isso foi chamado pensamento, ciência e espírito.
Interpretação filosófico-científica
O texto mantém a estrutura narrativa do Gênesis, mas substitui:
Criação instantânea → Big Bang
“Faça-se” → leis físicas
Poeira → elementos químicos
Sopro divino → emergência da consciência
Aqui, Deus não é um artesão que molda objetos, mas a ordem racional que sustenta as leis do cosmos, o que se aproxima tanto do Deus de Espinosa, quanto do Princípio Inteligente do Espiritismo e da ordem matemática da física moderna.
A Estrutura da Terra e dos Céus segundo a Ciência
Do ponto de vista científico, os fenômenos descritos nos textos antigos sobre “céus”, “firmamento” e “fundamentos da Terra” podem ser compreendidos como interpretações simbólicas de fenômenos naturais observáveis. A Terra é um planeta aproximadamente esférico, com raio médio de 6.371 km, mantido em equilíbrio gravitacional pela própria massa e pela interação com outros corpos celestes, especialmente o Sol e a Lua.
O que as antigas culturas chamavam de “firmamento” corresponde hoje ao conceito de atmosfera, uma camada gasosa composta principalmente por nitrogênio (78%) e oxigênio (21%), responsável por permitir a vida, regular a temperatura e possibilitar fenômenos como nuvens, ventos e precipitação. Acima da atmosfera está o espaço sideral, onde se encontram os astros visíveis, como estrelas, planetas e galáxias.
A ideia de “três céus” pode ser reinterpretada cientificamente como:
(1) a troposfera, onde ocorrem os fenômenos meteorológicos e voam as aves;
(2) o espaço astronômico, onde estão os corpos celestes;
(3) e, em sentido não físico, uma dimensão espiritual ou simbólica, pertencente ao campo da metafísica e da religião.
A Terra permanece “firme” não por estar apoiada em fundamentos materiais, mas porque se encontra em equilíbrio dinâmico, resultado da gravidade, da rotação e das forças internas do planeta. Os mares possuem limites naturais definidos pela gravidade, topografia e tectônica de placas, que controlam o relevo, o nível dos oceanos e a distribuição dos continentes.
Assim, os textos antigos descrevem corretamente a ordem percebida da natureza, porém em linguagem simbólica e cosmológica própria de seu tempo, enquanto a ciência moderna explica os mesmos fenômenos por meio de leis físicas, modelos matemáticos e observações empíricas.
Conclusão
A ciência não destrói o sentido bíblico da criação; ela o retraduz em outra linguagem. O mito responde ao “por quê existimos”, enquanto a ciência responde ao “como existimos”.
Quando lidos corretamente, Gênesis e cosmologia não são inimigos: são dois modos simbólicos de narrar o mesmo mistério — a emergência do ser a partir do nada compreensível.
Bibliografias
HAWKING, Stephen. Uma breve história do tempo. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.
SMOLIN, Lee. A vida do cosmos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
CARROLL, Sean. The Big Picture: On the Origins of Life, Meaning, and the Universe Itself. New York: Dutton, 2016.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: FEB, 2013.
DARWIN, Charles. A origem das espécies. São Paulo: Martin Claret, 2014.
GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos da criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
Em termos conceituais, esse texto faz exatamente o que você costuma defender:
Mostra que a Bíblia é um texto simbólico-mitológico, e que a ciência é a narrativa real da gênese do mundo, mas sem perder a dimensão filosófica do mistério.

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