terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O Bolsonarismo e seus Impactos Socioeconômicos no Brasil (2019–2022): Ajuste Fiscal, Mercado e Desigualdade Social

Esta análise crítica do conjunto de políticas públicas implementadas durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), frequentemente apresentadas como “avanços econômicos e administrativos”. A pesquisa demonstra que tais medidas produziram efeitos positivos predominantemente no plano fiscal, financeiro e mercadológico, enquanto os impactos sociais para a população foram limitados, temporários ou negativos. As reformas estruturais priorizaram o equilíbrio fiscal, a liberalização econômica e a redução do papel do Estado, sem contrapartida consistente em melhoria de renda, emprego, segurança alimentar, acesso a serviços públicos e proteção social. Conclui-se que o modelo adotado reforçou desigualdades históricas, fragilizou políticas públicas e beneficiou setores específicos do capital econômico, especialmente grandes empresários, agronegócio predatório, mineração em terras indígenas e setores financeiros.

Palavras-chave: Bolsonarismo; políticas públicas; desigualdade social; neoliberalismo; Estado mínimo; desenvolvimento social; Brasil.


1. Introdução

O bolsonarismo consolidou-se como um projeto político-econômico fundamentado na redução do Estado, liberalização de mercados, austeridade fiscal e enfraquecimento de políticas sociais. Sob o discurso de eficiência, modernização e responsabilidade fiscal, foram implementadas reformas estruturais que alteraram profundamente a organização das políticas públicas no Brasil.

Entretanto, a literatura especializada aponta que tais reformas não se traduziram em melhorias proporcionais para a população, sobretudo para trabalhadores, populações vulneráveis, povos indígenas e classes populares, produzindo um descompasso entre ajuste fiscal e justiça social.


2. Reforma da Previdência e Desigualdade Social

A Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019) foi apresentada como essencial para conter o crescimento do gasto público. Contudo, estudos demonstram que seus efeitos recaíram de forma desigual sobre a população, especialmente os mais pobres.

Pesquisas indicam aumento da idade de aposentadoria, maior tempo de contribuição e redução proporcional dos benefícios, sem efeitos positivos diretos sobre renda, emprego ou qualidade de vida.

“A reforma previdenciária possui impacto significativo na desigualdade social e afeta principalmente as camadas mais vulneráveis da população brasileira.”


3. Autonomia do Banco Central e Endividamento das Famílias

A autonomia do Banco Central institucionalizou mandatos fixos e independência decisória. Embora tenha reforçado o controle inflacionário, resultou em juros elevados por longos períodos, encarecendo crédito, financiamentos e consumo popular.

Dados oficiais demonstram crescimento do endividamento e inadimplência das famílias brasileiras, associadas ao crédito caro e restritivo.

“A taxa média de juros às famílias alcançou patamares elevados, intensificando o endividamento doméstico.”


4. Liberalização Econômica, Informalidade e Precarização

A Lei da Liberdade Econômica reduziu exigências regulatórias e facilitou abertura de empresas, porém estudos indicam que tais medidas ampliaram a informalidade e a precarização do trabalho, sem melhora estrutural da renda ou proteção social.

O mesmo padrão se observa no marco legal do saneamento, que priorizou privatizações e concessões, sem universalização real de acesso à água e esgoto.

“A privatização do saneamento não garantiu universalização e elevou riscos tarifários para populações vulneráveis.”


5. Privatizações, Combustíveis e Custo de Vida

A política de paridade internacional de preços da Petrobras elevou o custo de combustíveis e gás de cozinha, afetando diretamente o orçamento doméstico. O retorno ao uso de lenha por famílias pobres é documentado em diversos estudos sociais.

O aumento persistente do preço dos alimentos intensificou a insegurança alimentar.

“O atraso em políticas de proteção ao consumo básico agravou a insegurança alimentar no país.”


6. Gestão da Pandemia e Crise Sanitária

A gestão da pandemia caracterizou-se por atraso na compra de vacinas, desinformação, ataques à ciência e ausência de coordenação nacional.

Estudos científicos apontam que dezenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas.

“O atraso na vacinação causou a morte de ao menos 47 mil idosos no Brasil.”


7. Desmonte Ambiental e Povos Indígenas

Relatórios institucionais demonstram aumento do desmatamento, enfraquecimento da fiscalização e violação sistemática de direitos socioambientais, especialmente em terras indígenas.

“O governo Bolsonaro promoveu violação maciça de direitos socioambientais na Amazônia.”


8. Orçamento Secreto e Crise de Transparência

O mecanismo RP9 (orçamento secreto) institucionalizou a distribuição de recursos sem critérios públicos, transparência ou controle social, configurando um dos maiores esquemas de opacidade orçamentária da história recente.

“Bilhões foram distribuídos sem transparência e controle social.”


9. Fome, Insegurança Alimentar e Falta de Legado Social

O Brasil retornou ao mapa da fome durante o período analisado, evidenciando falhas graves de política social e ausência de programas estruturantes permanentes.

“O aumento da insegurança alimentar ocorreu de forma generalizada no país.”


10. Conclusão

Os dados demonstram que o bolsonarismo produziu benefícios concentrados no ajuste fiscal, no mercado financeiro e em setores econômicos específicos, como:

grandes empresários;

mineração em terras indígenas;

agronegócio predatório;

setor financeiro;

elites econômicas.

Para a população comum — assalariados, trabalhadores informais, famílias pobres e dependentes de serviços públicos — os benefícios não se materializaram. 

O modelo adotado reforçou desigualdades, fragilizou políticas públicas e não deixou legado social estruturante.

Não se trata de esquecimento coletivo, mas de experiência social concreta: a população avaliou sua própria vida material e não identificou melhoria real.

Vamos ser justos com o bolsonarismo: eles fazem o que interessa aos ricos. O pobre de direita é apenas alguém manipulado, que se ilude achando que um dia vai ficar rico.


Referências Bibliográficas 

BRASIL. Banco Central do Brasil. Estatísticas monetárias e de crédito. Brasília, 2025. 

CÔRTES, L. S. et al. Impacto da privatização da água e do esgoto nas tarifas e no acesso. Revista Brasileira de Estudos de População, 2023. 

CUT. Atraso do governo Bolsonaro na vacinação causou morte de idosos. 2022. 

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Violação maciça de direitos socioambientais na Amazônia. 2024. 

MARCO ZERO. Os riscos da privatização do saneamento básico no Brasil. 2025. 

OC ECO. O legado de destruição ambiental de Bolsonaro. 2025. 

REVISTA FT. Impactos da reforma da previdência na desigualdade social. 2024. 

SENADO FEDERAL. Pesquisas apontam mortes evitáveis na pandemia. 2021. 

SINTRAJUFE. Brasil ultrapassa 700 mil mortos pela Covid-19. 2023. 

WWF-BRASIL. Governo Bolsonaro denunciado na ONU por violar direitos humanos e ambientais. 2022. 

O JOIO E O TRIGO. Entenda por que a fome aumentou no governo Bolsonaro. 2022. 




















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