sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Criacionismo e a Ciência caminhando juntos

Este texto explica, de forma simples, como funciona a gravidade, como a ciência e o criacionismo podem se complementar, e por que a Terra é redonda. Mostra também por que acreditar que a Terra é plana não faz sentido diante das evidências. Muitas pessoas negam a ciência não porque sejam más, mas porque foram ensinadas assim. Algumas só aceitam o que confirma aquilo que já acreditam e rejeitam todo o resto. Outras desconfiam de governos, universidades e cientistas, achando que tudo é conspiração. Há quem leia a Bíblia de forma literal e pense que ciência ameaça a fé, o que não é verdade. A falta de estudo e a desinformação na internet confundem ainda mais. Quando a pessoa fecha a mente, ela não aceita aprender nada novo. Deus nos deu inteligência para observar e entender a criação. Negar fatos não fortalece a fé. A verdade não tem medo de investigação. Fé e razão podem caminhar juntas.


Primeira parte


O que é gravidade?

A gravidade é a força que puxa tudo para o centro da Terra. É por isso que andamos no chão e os oceanos não voam pelo espaço. Sem gravidade, tudo flutuaria, a água se espalharia e a vida não existiria. Balões sobem porque o ar empurra para cima, mas a gravidade continua puxando.


Criacionismo e ciência juntas

Deus é o criador de tudo, mas Ele também nos deu razão. A Bíblia explica por que a criação existe, e a ciência mostra como funciona. Fé e ciência não brigam; elas se completam. A gravidade, o movimento dos planetas e a formação da Terra mostram a sabedoria de Deus.


A ideia de que a Terra é plana não tem prova. A ciência mostra claramente que a Terra é redonda:

Fotografias do espaço mostram a esfera da Terra.

Experimentos antigos, como o de Eratóstenes, mediram sua circunferência.

O GPS e a navegação só funcionam porque a Terra é curva.

Os eclipses e a mudança de estrelas conforme a latitude também provam isso.


A gravidade mantém a Terra estável e a vida possível. A ciência e o criacionismo podem andar juntos, mostrando que fé e razão se completam. A Terra é redonda, e isso não diminui a fé em Deus. Negar isso só cria confusão, mas aceitar a verdade fortalece tanto a fé quanto a compreensão do mundo.

     

Segunda Parte


Gravidade, Criacionismo e Evidências da Terra Redonda

1. Origem e natureza da gravidade

A gravidade é uma força fundamental do universo, descrita inicialmente por Isaac Newton como a atração mútua entre massas e posteriormente explicada por Albert Einstein como a curvatura do espaço-tempo causada pela presença de massa. Esta força existe desde o Big Bang e é essencial para a formação de estruturas cósmicas, como estrelas, planetas e galáxias, bem como para a estabilidade do nosso planeta. Sem gravidade, não haveria atmosfera, oceanos ou qualquer forma de vida terrestre, pois objetos e seres flutuariam livremente no espaço, sem um ponto de referência para cima ou para baixo (NEWTON, 1687; EINSTEIN, 1916; SAGAN, 2006).


2. Criacionismo e ciência: complementaridade

O criacionismo científico busca conciliar a fé na criação divina com a observação da natureza. Enquanto a Bíblia fornece explicações teológicas sobre o propósito e a origem da criação, a ciência estuda os processos naturais que operam nesse universo. A gravidade, o movimento orbital dos planetas e a formação da Terra e de outros corpos celestes são evidências da ordem e inteligência na criação. Assim, fé e ciência não se contradizem, mas se complementam, fornecendo perspectivas distintas e coerentes sobre o mesmo fenômeno (BARBOUR, 2004; AGOSTINHO, 2002).


3. Consequências da ausência de gravidade na Terra

A inexistência de gravidade provocaria efeitos catastróficos: dispersão da atmosfera, evaporamento dos oceanos e impossibilidade de vida como conhecemos. Além disso, não haveria referência para cima ou baixo, tornando qualquer forma de movimento, navegação ou construção inviável. A estabilidade do planeta depende diretamente da ação da gravidade sobre toda a matéria, evidenciando sua função essencial na manutenção da vida e da estrutura terrestre (SAGAN, 2006; KENNEDY, 2018).


4. Refutação da crença na Terra plana

A crença na Terra plana contraria evidências empíricas acumuladas ao longo de séculos. Teorias como “domo” ou bordas limitadas carecem de comprovação científica e histórica. Refutar essa crença é fundamental para a educação científica e para a compreensão adequada do método científico, que se baseia em observação, experimentação e validação por pares (BOWEN, 2009).


5. Evidências empíricas da Terra redonda

Diversos experimentos e observações comprovam que a Terra é esférica:

Fotografias do espaço: imagens obtidas por satélites e missões Apollo demonstram claramente a curvatura da Terra (NASA, 2026).

Experimento de Eratóstenes: mediu a circunferência terrestre comparando sombras solares em cidades diferentes e aplicando geometria simples (BOWEN, 2009).

Navegação e GPS: sistemas de posicionamento global funcionam considerando a curvatura da Terra para calcular trajetórias precisas (KENNEDY, 2018).

Fenômenos astronômicos: eclipses lunares mostram a sombra curva da Terra, e a visibilidade de constelações varia conforme a latitude, evidenciando a esfericidade do planeta.

Clicar aqui vídeo no Polo sul na Antártica que terraplanista reconhecem que a Terra é redonda 🌎 

FILMAGEM NO POLO POR 24 HORAS MOSTRANDO O SOL GIRANDO EM TORNO DA TERRA



Terceira parte


Darwinismo, Criacionismo, Religião e Ciência: Possibilidades de Diálogo

1. Darwinismo e ciência moderna

O darwinismo, formulado por Charles Darwin no século XIX, constitui um dos pilares da biologia moderna ao explicar a diversidade da vida por meio de processos naturais, como variação, hereditariedade e seleção natural. 

No âmbito científico, a teoria da evolução não se propõe a explicar a origem última da vida ou do universo, mas sim os mecanismos pelos quais as espécies se modificam ao longo do tempo. Assim, o darwinismo é uma teoria científica restrita ao campo da biologia, testável, revisável e baseada em evidências empíricas.


2. Criacionismo: perspectiva teológica

O criacionismo, por sua vez, é uma concepção teológica que afirma que o universo e a vida têm origem em um ato criador divino. 

Seu foco principal não está nos mecanismos biológicos, mas no sentido, propósito e origem última da realidade. Em sua forma acadêmica e não literalista extrema, o criacionismo não nega a observação da natureza, mas interpreta os dados científicos à luz de uma cosmovisão teísta.


3. Religião e ciência: campos distintos e complementares

Religião e ciência operam em níveis explicativos diferentes. A ciência investiga o como os fenômenos ocorrem, enquanto a religião busca responder ao porquê da existência. 

Conflitos surgem quando textos religiosos são interpretados como manuais científicos ou quando teorias científicas são transformadas em afirmações filosóficas absolutas. Autores como Stephen Jay Gould propuseram o conceito de “magistérios não sobrepostos”, segundo o qual ciência e religião podem coexistir sem contradição, desde que respeitem seus limites epistemológicos.


4. Caminhos de convergência

Diversos teólogos e cientistas defendem que evolução e criação não são necessariamente excludentes. Modelos como o teísmo evolutivo sustentam que Deus poderia atuar por meio de processos naturais, incluindo a evolução biológica. Nesse sentido, o darwinismo descreve os mecanismos, enquanto o criacionismo fornece uma interpretação metafísica e teológica da origem e do sentido da vida.


5. Implicações epistemológicas

A convivência entre darwinismo e criacionismo exige rigor metodológico e clareza conceitual. Negar dados empíricos consolidados compromete a credibilidade tanto da ciência quanto da fé. 

Da mesma forma, extrapolar teorias científicas para negar qualquer dimensão transcendente constitui um reducionismo filosófico. O diálogo produtivo ocorre quando cada campo reconhece suas competências e limitações.

Darwinismo e criacionismo não precisam ser entendidos como inimigos intelectuais. Quando corretamente delimitados, ciência e religião podem caminhar juntas: a ciência explicando os processos naturais observáveis e a religião oferecendo sentido, valor e finalidade à existência.

 Essa abordagem favorece uma compreensão mais ampla e integrada da realidade, evitando tanto o negacionismo científico quanto o fundamentalismo religioso.



Quarta parte


Richard Dawkins: Biografia, Pensamento Científico e Análise Crítica


1. Richard Dawkins: biografia intelectual

Richard Dawkins nasceu em 26 de março de 1941, em Nairóbi, no então Quênia Britânico. Formou-se em Zoologia pela Universidade de Oxford, onde também obteve o doutorado sob orientação de Nikolaas Tinbergen, um dos fundadores da etologia moderna. 

Dawkins destacou-se como biólogo evolutivo e, sobretudo, como divulgador científico, ocupando entre 1995 e 2008 o cargo de Professor for Public Understanding of Science na Universidade de Oxford.

Sua obra concentra-se na explicação da teoria da evolução por seleção natural, com forte ênfase no papel dos genes como unidades fundamentais da herança biológica.

 Dawkins tornou-se uma das vozes mais influentes da biologia evolutiva contemporânea, especialmente por sua capacidade de traduzir conceitos científicos complexos para o público leigo.


2. Núcleo do pensamento científico de Dawkins

Do ponto de vista estritamente científico, Dawkins contribuiu significativamente para a consolidação do chamado “gene-centrismo”, apresentado de forma sistemática em The Selfish Gene (1976). Nessa abordagem, os organismos são compreendidos como veículos temporários dos genes, que competem pela sobrevivência ao longo das gerações.

Outro aspecto central de seu pensamento é a defesa rigorosa do método científico, especialmente do critério de falseabilidade, conforme proposto por Karl Popper. Dawkins insiste que teorias científicas, incluindo a evolução, devem ser testáveis e potencialmente refutáveis. 

O famoso exemplo do “coelho no Pré-Cambriano” ilustra essa postura epistemológica: a teoria da evolução seria abandonada caso surgisse uma evidência empírica incompatível com a sucessão fóssil conhecida.


3. Análise crítica do pensamento de Dawkins

Embora suas contribuições científicas sejam amplamente reconhecidas, o pensamento de Dawkins é alvo de críticas em dois níveis distintos: científico-filosófico e teológico-cultural.

No plano científico, alguns autores apontam que o enfoque excessivo nos genes pode reduzir a complexidade dos processos evolutivos, negligenciando fatores como epigenética, desenvolvimento embrionário, interações ecológicas e seleção multinível.

 Embora Dawkins reconheça esses fatores em obras posteriores, sua divulgação popular frequentemente mantém uma ênfase simplificadora.

No plano filosófico e cultural, Dawkins extrapola frequentemente o domínio da ciência ao adotar um naturalismo filosófico forte, especialmente em suas críticas à religião. 

Em obras como The God Delusion (2006), ele não apenas rejeita explicações religiosas para fenômenos naturais, mas também questiona o valor epistemológico da fé em si. 

Essa postura é criticada por filósofos da ciência e teólogos por confundir ciência, que é metodologicamente naturalista, com uma afirmação metafísica de que não existe qualquer realidade transcendente.

Assim, a crítica central a Dawkins não reside em sua biologia, mas na tendência de transformar resultados científicos em conclusões filosóficas abrangentes.


4. Richard Dawkins e Charles Darwin: comparação crítica

Charles Darwin (1809–1882) formulou a teoria da evolução por seleção natural com grande cautela conceitual. 

Em A Origem das Espécies (1859), Darwin evitou especulações metafísicas e raramente fez afirmações sobre religião ou filosofia última. Seu foco era explicar padrões observáveis na natureza a partir de evidências empíricas.

Dawkins, por sua vez, atua em um contexto histórico distinto, marcado pela popularização da ciência e pelos debates públicos entre ciência e religião.

 Enquanto Darwin manteve uma postura epistemologicamente modesta, Dawkins assume um papel militante, defendendo não apenas a teoria evolutiva, mas também uma visão de mundo explicitamente secular.

Em síntese, pode-se afirmar que: Darwin foi um naturalista cuidadoso, preocupado principalmente com dados e mecanismos.

Dawkins é um divulgador combativo, que amplia o debate científico para arenas filosóficas e culturais.

Richard Dawkins é uma figura central na divulgação da biologia evolutiva contemporânea e desempenhou papel relevante na defesa do método científico, da evidência empírica e da falseabilidade das teorias científicas. Sua contribuição para a compreensão popular da evolução é inegável.

Entretanto, sua abordagem suscita críticas quando ultrapassa os limites da ciência e adota posições filosóficas e teológicas apresentadas como consequências diretas da biologia. A comparação com Darwin evidencia essa diferença: enquanto Darwin buscava explicar a natureza, Dawkins frequentemente busca interpretar o sentido último da realidade a partir da ciência.

Assim, uma leitura crítica do pensamento de Dawkins permite reconhecer seu valor científico sem confundir biologia evolutiva com filosofia ou teologia, preservando a distinção entre explicação científica e cosmovisão.

O que Dawkins acerta

Dawkins está certo quando diz que: A ciência precisa de provas, teorias devem ser testáveis, a evolução se baseia em evidências observáveis.

Nada disso entra em conflito direto com a Bíblia, porque a Bíblia não ensina biologia.

Ela ensina quem criou tudo, não os detalhes técnicos de como os processos funcionam.


Onde Dawkins vai além da ciência

O problema começa quando Dawkins diz que:

a fé é ilusão,

Deus não existe porque a ciência explica a natureza.

Aqui ele não está fazendo ciência, mas filosofia.

A ciência explica o como as coisas funcionam.

A fé responde ao porquê tudo existe.

Explicar o funcionamento de um relógio não prova que não existe um relojoeiro.


Resposta apologética cristã a Dawkins

O cristianismo não depende de negar a ciência.

A Bíblia nunca ensinou que a Terra é plana, nem explicou genética ou evolução.

Ela fala de propósito, moral, pecado, redenção e salvação.

A própria Bíblia ensina:

“Os céus proclamam a glória de Deus” (Salmos 19:1)

Ou seja: observar a criação não nega Deus — aponta para Ele.

Santo Agostinho já alertava, séculos antes de Darwin, que:

interpretar a Bíblia contra fatos evidentes envergonha a fé cristã.

Portanto:

aceitar evolução não obriga negar Deus;

aceitar ciência não destrói a fé;

negar fatos não glorifica o Criador.


Comparando Dawkins e Darwin 

Darwin explicou como as espécies mudam.

Dawkins usa isso para dizer que Deus não é necessário.

Darwin foi cauteloso.

Dawkins é militante.

A ciência de Darwin não prova que Deus não existe.

Isso é uma conclusão pessoal de Dawkins.

O cristão não precisa escolher entre Bíblia e ciência. Mas, precisa escolher entre fé madura e fundamentalismo cego.

A verdade não tem medo de investigação. Deus não é ameaçado pela ciência. Negar a realidade não fortalece o evangelho.


Quinta parte


Evidências científicas de que a Terra é redonda (esférica)


Observação direta do espaço

Satélites, estações espaciais e missões tripuladas (não só da NASA, mas também da ESA, Roscosmos, CNSA, JAXA e empresas privadas) registram continuamente a Terra como um geoide (quase esférica). Essas imagens vêm de múltiplos países e tecnologias independentes.


Experimento de Eratóstenes (século III a.C.)

Muito antes da NASA, Eratóstenes mediu a circunferência da Terra comparando sombras em cidades diferentes e obteve um valor surpreendentemente próximo do real. Isso só funciona se a Terra for curva.


Navios no horizonte

Navios desaparecem de baixo para cima quando se afastam no mar. Com telescópio, o casco some antes do mastro. Isso é efeito direto da curvatura, não de perspectiva.


Gravidade e forma do planeta

Corpos massivos, como planetas, assumem forma aproximadamente esférica devido à gravidade. Todos os planetas observados no Universo são redondos — não há exceção observacional.


Fusos horários e dia/noite

O Sol nasce e se põe em horários diferentes ao redor do mundo. Isso é explicado perfeitamente pela rotação de uma Terra esférica, mas não por um disco plano iluminado.


Constelações variam com a latitude

No hemisfério sul vemos constelações que não são visíveis no hemisfério norte (como o Cruzeiro do Sul). Em uma Terra plana, todos veriam o mesmo céu.


Eclipses lunares

A sombra da Terra projetada na Lua é sempre circular. Apenas uma esfera projeta sombra circular em qualquer ângulo.


Aviação e rotas aéreas

Rotas de longa distância seguem grandes círculos, não linhas retas em mapas planos. Pilotos, companhias aéreas e sistemas de navegação confirmam isso diariamente.


GPS e telecomunicações

O GPS só funciona porque os cálculos levam em conta a curvatura da Terra e efeitos relativísticos. Se a Terra fosse plana, o sistema simplesmente não funcionaria.


Consistência científica global

A esfericidade da Terra é confirmada por física, astronomia, geologia, navegação, engenharia e telecomunicações, todas concordando entre si. Não é opinião, é convergência de evidências.


A Terra não é considerada redonda por autoridade, fé ou conspiração, mas porque todas as observações independentes, repetíveis e testáveis apontam para isso. A ideia da Terra plana não explica os fenômenos observados, enquanto o modelo esférico explica todos com precisão.

Negar a Terra redonda não é ceticismo científico — é rejeição de evidência empírica.


Conclusão

A gravidade é uma força essencial que mantém a Terra e a vida estáveis. Criacionismo e ciência podem ser conciliados, demonstrando que fé e razão são caminhos complementares para compreender o universo. 

A Terra é comprovadamente esférica, e a negação dessa evidência, como na crença da Terra plana, ignora séculos de observações e experimentações. O estudo científico fortalece a compreensão da criação divina e reforça a importância de aceitar evidências empíricas sem comprometer a fé.

As pessoas negam a ciência por diversos motivos, que não envolvem necessariamente falta de inteligência, mas fatores psicológicos, sociais, culturais e ideológicos. Os principais são:

Viés de confirmação Tendência a aceitar apenas informações que reforçam crenças prévias e rejeitar dados contrários.

Pensamento conspiratório Desconfiança extrema de instituições científicas, governos, universidades e mídia, vistos como manipuladores.

Identidade religiosa ou ideológica rígida Quando crenças pessoais são percebidas como ameaçadas pela ciência, ocorre rejeição defensiva.

Leitura literal de textos sagrados Confusão entre linguagem simbólica/teológica e descrição científica do mundo físico.

Baixo letramento científico Dificuldade em compreender método científico, evidência, hipótese, teoria e revisão por pares.

Desinformação digital e bolhas sociais Algoritmos reforçam conteúdos extremos, criando “câmaras de eco” que isolam o indivíduo.

Rejeição da autoridade científica Substituição do conhecimento validado por “opinião pessoal” ou “revelação individual”.

Medo de perda de sentido ou controle A ciência pode gerar insegurança ao questionar explicações simples ou absolutas.

Confusão entre ciência e ideologia Teorias científicas são erroneamente vistas como agendas políticas ou morais.

Dogmatismo cognitivo Rigidez mental que impede revisão de crenças mesmo diante de evidências sólidas.

Negar a ciência não é doença nem incapacidade mental. É, na maioria dos casos, resultado de fatores emocionais, culturais e cognitivos, agravados por desinformação. 

Superar o negacionismo exige educação científica, diálogo respeitoso e pensamento crítico, não ridicularização.

Richard Dawkins é um biólogo que defende a evolução, mas também critica a fé cristã.

A ciência explica como a vida funciona, não por que tudo existe.

A Bíblia não ensina biologia, mas fala de propósito e salvação. Aceitar a evolução não obriga negar Deus.

Darwin explicou mudanças naturais; Dawkins usa isso para negar o Criador.

Isso não é ciência, é filosofia pessoal. Santo Agostinho já alertava para não negar fatos por leitura errada da Bíblia.

Negar a ciência não fortalece a fé. A verdade não teme investigação. Deus não é ameaçado pela ciência.


Fontes Bibliográficas 

AGOSTINHO, A. A Interpretação Literal do Gênesis. São Paulo: Paulus, 2002.

BARBOUR, I. G. Religião e Ciência. São Paulo: Loyola, 2004.

BARBOUR, I. G. Religião e Ciência: Caminhos de Diálogo. São Paulo: Loyola, 2004.

BÍBLIA. Tradução Almeida Revista e Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BOWEN, A. Eratosthenes and the Size of the Earth. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.

COLLINS, F. S. A Linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007.

DARWIN, C. A Origem das Espécies. São Paulo: Martin Claret, 2009.

DARWIN, C. A Origem das Espécies. São Paulo: Martin Claret, 2009.

DAWKINS, R. The Selfish Gene. Oxford: Oxford University Press, 1976.

DAWKINS, R. The Blind Watchmaker. Oxford: Oxford University Press, 1986.

DAWKINS, R. The Greatest Show on Earth. New York: Free Press, 2009.

DAWKINS, R. The God Delusion. Boston: Houghton Mifflin, 2006.

GOULD, S. J. Rocks of Ages. New York: Ballantine Books, 1999.

MAYR, E. What Evolution Is. New York: Basic Books, 2001.

EINSTEIN, A. A Teoria da Relatividade. Berlim: Annalen der Physik, 1916.

GOULD, S. J. Rocks of Ages: Science and Religion in the Fullness of Life. New York: Ballantine Books, 1999.

KENNEDY, D. History of Astronomy: From Ancient Greece to Modern Times. New York: Springer, 2018.

MAYR, E. What Evolution Is. New York: Basic Books, 2001.

NASA. Earth from Space. Disponível em: https://www.nasa.gov/. Acesso em: 9 jan. 2026.

NEWTON, I. Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica. Londres: Royal Society, 1687.

SAGAN, C. O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência como uma Vela no Escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.


Anexo A



Anexo B clicar a imagem e continuar lendo




















quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Leitura Literal, Fé e Ciência: Uma Análise Simples e Crítica da Interpretação da Realidade

Estás palavras analisam, de forma simples e acessível, a leitura literal de textos religiosos e sua relação com a ciência. Demonstra-se que a leitura literal não é incapacidade mental, mas uma forma de interpretação aprendida culturalmente. O texto explica como o pensamento conspiratório, o viés de confirmação e o baixo letramento científico podem levar à rejeição de evidências empíricas. Por fim, propõe-se uma convivência equilibrada entre fé e ciência, respeitando os limites de cada uma.


Início 

Muitas discussões atuais sobre ciência e religião surgem da forma como a Bíblia é lida. Algumas pessoas acreditam que, para sóerem fiéis a Deus, precisam interpretar todos os textos bíblicos de forma literal.

 Isso tem levado a conflitos com a ciência, como nos debates sobre a forma da Terra, astronomia e outros temas naturais. Este artigo busca explicar, de maneira simples, por que esses conflitos acontecem e como podem ser superados sem abandonar a fé.


O que é leitura literal

Leitura literal é interpretar um texto exatamente como ele está escrito, sem considerar o tipo de texto, o contexto histórico ou a linguagem usada. A Bíblia contém poesia, parábolas, profecias e símbolos. Quando tudo é lido como se fosse descrição científica, surgem erros de interpretação.

Por exemplo, quando a Bíblia fala em “quatro cantos da Terra”, está usando uma expressão comum para indicar “toda a Terra”, assim como hoje dizemos “o sol nasceu”, sem acreditar que o Sol gira ao redor do planeta. Isso não é mentira nem erro, é linguagem humana.


Leitura literal não é incapacidade mental

A ciência e a psicologia afirmam claramente: leitura literal não é doença, não é deficiência e não é atraso mental. É uma forma de interpretar textos aprendida em ambientes religiosos específicos. Pessoas inteligentes, estudiosas e sinceras podem adotar esse tipo de leitura por fé e tradição.

O problema aparece quando essa leitura é usada para negar fatos comprovados pela observação e pela experimentação, como o formato da Terra ou o funcionamento do universo.


Pensamento conspiratório e viés de confirmação

O pensamento conspiratório surge quando há desconfiança extrema da ciência, de universidades, governos e instituições. A pessoa passa a acreditar que “todos estão mentindo”. Junto disso aparece o viés de confirmação, que é buscar apenas informações que reforçam a própria crença e rejeitar qualquer evidência contrária.

Isso não acontece por falta de inteligência, mas por medo de estar errado, apego à identidade religiosa ou influência de grupos e redes sociais.


Pseudociência e negação científica

Pseudociência é quando ideias se apresentam como científicas, mas rejeitam testes, provas e correções. A negação científica acontece quando evidências claras são rejeitadas porque entram em conflito com crenças pessoais.

A ciência não é inimiga da fé. Ela apenas estuda como a criação funciona. A Bíblia responde por que existimos e para quem vivemos.


Como superar esse conflito

Superar esse tipo de visão de mundo não significa abandonar a fé, mas amadurecê-la. Isso acontece quando:

aprendemos a diferença entre linguagem simbólica e literal;

entendemos o método científico;

aceitamos que Deus age tanto pela revelação quanto pela razão;

reconhecemos que interpretar não é o mesmo que negar a Bíblia.

Fé e ciência não competem quando cada uma permanece em seu lugar.


Palavras finais 

A leitura literal, o pensamento conspiratório e a negação científica não são sinais de incapacidade mental, mas de formação cultural e interpretativa específica. Uma fé madura não teme a ciência, nem a verdade. Pelo contrário, reconhece que toda verdade procede de Deus. Interpretar corretamente a Bíblia e respeitar a ciência é um passo importante para uma visão de mundo equilibrada, racional e fiel.


Fontes

AGOSTINHO. A Interpretação Literal do Gênesis. São Paulo: Paulus, 2002.

KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 2017.

SAGAN, C. O Mundo Assombrado pelos Demônios. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

BARBOUR, I. G. Religião e Ciência. São Paulo: Loyola, 2004.

BÍBLIA. Tradução Almeida Revista e Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil.






Anexo













Uso de Armas na Bíblia: Análise Crítica do Antigo e do Novo Testamento à Luz do Ensino de Jesus

Está análise crítica o uso de armas no contexto bíblico, distinguindo o Antigo Testamento, marcado por guerras, defesa territorial e organização político-religiosa, do Novo Testamento, no qual Jesus estabelece uma ética centrada na paz, no amor e na rejeição da violência. A pesquisa demonstra que os textos velho testamento refletem contextos históricos específicos, enquanto o ensinamento de Jesus inaugura uma ruptura ética ao rejeitar o ódio, a vingança e o uso de armas como meio de resolução de conflitos a partir do amor. Ser cristão não é seguir leis do Antigo Testamento, mas seguir Jesus. Quando usaram espada, Ele mandou guardar. Ensinou amar os inimigos, perdoar e fazer a paz. Legalismo, ódio e violência não vêm do Evangelho. Quem segue Cristo vive o amor, não a lei da punição. O Reino de Deus não se defende com armas, mas com misericórdia.


Palavras-chave: Bíblia; Violência; Armas; Jesus; Ética Cristã.


1. Introdução

A Bíblia é frequentemente citada em debates sobre violência e uso de armas. Contudo, uma leitura crítica exige considerar os contextos históricos, sociais e teológicos em que os textos foram produzidos. O Antigo Testamento apresenta narrativas de guerras e conflitos armados, enquanto o Novo Testamento, especialmente nos ensinamentos de Jesus, promove uma ética de não-violência ativa, amor ao inimigo e reconciliação. Este artigo busca analisar essas diferenças e demonstrar que o cristianismo primitivo se fundamenta na rejeição da violência.


2. O uso de armas no Antigo Testamento: contexto histórico e político

O Antigo Testamento foi escrito em um contexto de sociedades tribais e reinos antigos, nos quais a guerra era um instrumento comum de sobrevivência, defesa territorial e afirmação política.

Exemplos incluem:

Guerras de Israel contra povos vizinhos (Êx 17:8–13; Js 6).

A organização militar durante os reinados de Saul e Davi (1Sm 17:45–50; 2Sm 8:1–14).

A defesa armada da reconstrução de Jerusalém (Ne 4:17–18).

Esses textos não estabelecem uma ética universal da violência, mas refletem condições históricas específicas. Deus é apresentado como acompanhando um povo inserido em uma lógica bélica comum ao mundo antigo, não como promotor eterno da guerra.














3. A ruptura ética no Novo Testamento

No Novo Testamento ocorre uma mudança profunda. Jesus rejeita explicitamente a violência como meio legítimo de ação religiosa ou moral.


3.1 A rejeição direta do uso de armas

Quando Pedro utiliza uma espada para defender Jesus, ele é repreendido de forma clara:

“Guarda a tua espada; porque todos os que lançam mão da espada, à espada morrerão”

(Mateus 26:52).

Em seguida, Jesus cura o homem ferido (Lucas 22:51), reforçando a negação da violência mesmo em situação de injustiça extrema.


3.2 O ensinamento da não-violência e do amor

Jesus ensina princípios éticos opostos à lógica da guerra e do ódio:

“Bem-aventurados os pacificadores” (Mateus 5:9).

“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44).

“Não resistais ao perverso; mas a quem te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” (Mateus 5:39).

Esses ensinamentos demonstram que o Reino de Deus não é defendido com armas, mas com amor, misericórdia e justiça.


4. Lucas 22:36 e a falsa justificativa do armamento

O texto em que Jesus menciona a espada (Lucas 22:36) é frequentemente usado para justificar o uso de armas. No entanto, o próprio contexto invalida essa interpretação:

Os discípulos apresentam duas espadas.

Jesus responde: “Basta!” (Lc 22:38).

Quando a espada é usada, Jesus a proíbe imediatamente (Mt 26:52).

Estudiosos concordam que o texto tem sentido simbólico e profético, não normativo.


5. Ética cristã: do ódio ao amor

A mensagem central de Jesus substitui a lógica do ódio pela do amor:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”

(João 13:35).

O apóstolo Paulo reforça essa ética:

“Não torneis a ninguém mal por mal” (Romanos 12:17).

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12:21).

A comunidade cristã primitiva seguiu majoritariamente uma postura não violenta, mesmo diante de perseguições e martírios.


6. Cristianismo autêntico e não autêntico: uma análise teológica

O cristianismo autêntico tem como centro a pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo, especialmente o amor ao próximo, a misericórdia, o perdão e a rejeição da violência. Ser cristão, segundo o Novo Testamento, não significa apenas citar a Bíblia, mas viver o Evangelho. Jesus resume sua mensagem no amor: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35).

O legalismo ocorre quando a fé é reduzida ao cumprimento rígido de leis e normas, muitas vezes retiradas do Antigo Testamento, ignorando a graça e a misericórdia ensinadas por Jesus. Paulo critica essa postura ao afirmar que “o justo viverá pela fé” e não pela Lei (Gálatas 3:11). O legalista troca o amor pela regra e a consciência pela punição.

Os judaizantes, já combatidos no cristianismo primitivo, defendiam que os cristãos deveriam seguir a Lei de Moisés para serem salvos. Essa visão foi rejeitada pelos apóstolos (Atos 15), pois nega o sentido central do Evangelho: a salvação pela graça. O judaizante mantém símbolos e práticas antigas como condição de fé, distorcendo o núcleo cristológico.

A chamada antinomia invertida ocorre quando alguém afirma crer em Cristo, mas na prática submete o Evangelho à lógica veterotestamentária, dando mais autoridade à Lei do que à mensagem de Jesus. Trata-se de uma inversão teológica: Cristo deixa de ser o critério de leitura da Bíblia e passa a ser secundário.

O fundamentalismo bíblico interpreta as Escrituras de forma literal, desconsiderando contexto histórico, literário e cultural. Essa leitura seletiva costuma justificar intolerância, exclusão e até violência, contrariando diretamente o ensino de Jesus sobre amor aos inimigos e pacificação (Mateus 5:44).

Por fim, o cristão nominal é aquele que se identifica como cristão apenas por tradição cultural ou discurso, mas não expressa em sua prática os valores do Evangelho. Jesus alerta contra essa incoerência: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus” (Mateus 7:21).

Em síntese, o cristianismo autêntico não se mede pela rigidez da lei, pelo literalismo bíblico ou pela identidade religiosa declarada, mas pela fidelidade à ética do amor ensinada por Jesus. Onde há ódio, violência e exclusão, o Evangelho foi substituído por ideologia mascarada de religiosidade?


Conclusão

O uso de armas no Antigo Testamento deve ser compreendido dentro de contextos históricos específicos, marcados por sobrevivência e conflitos territoriais. No entanto, o Novo Testamento, a partir de Jesus, estabelece uma ruptura ética radical, rejeitando a violência, o ódio e o uso de armas como meios legítimos de ação religiosa. Jesus defende a paz, o amor aos inimigos e a transformação espiritual como fundamentos do Reino de Deus. Assim, qualquer tentativa de justificar a violência armada com base no cristianismo ignora o núcleo da mensagem de Jesus.



BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.

– Referências principais:

Mateus 5; Mateus 7:21; Mateus 16:24; Mateus 26:52; João 13:34–35; João 18:10–11; Atos 15; Gálatas 2–3.

Teologia do Novo Testamento

WRIGHT, N. T. Jesus e a vitória de Deus. São Paulo: Paulus, 2012.

– Analisa o Reino de Deus como projeto de paz e não violência.

BORNKAMM, Günther. Jesus de Nazaré. São Paulo: Academia Cristã, 2005.

– Contextualiza historicamente a ética de Jesus frente à Lei e à violência.

Lei, Graça e Judaizantes

DUNN, James D. G. A nova perspectiva sobre Paulo. São Paulo: Paulus, 2011.

– Discussão aprofundada sobre legalismo, judaizantes e fé cristã primitiva.

SANDERS, E. P. Paulo e o Judaísmo Palestino. São Paulo: Paulus, 2009.

Fundamentalismo e Hermenêutica Bíblica

FEE, Gordon D.; STUART, Douglas. Entendes o que lês? São Paulo: Vida Nova, 2017.

– Crítica ao literalismo bíblico sem contexto histórico.

BARR, James. Fundamentalismo. São Paulo: Paulus, 2001.

Cristianismo Autêntico e Ética do Amor

BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Sinodal, 2016.

– Ética cristã centrada no Sermão do Monte.

SCHWEITZER, Albert. A busca do Jesus histórico. São Paulo: Fonte Editorial, 2015.

Violência, Paz e Cristianismo Primitivo

YODER, John Howard. A política de Jesus. São Paulo: Paulus, 2003.

– Obra clássica sobre não violência cristã.

HORSLEY, Richard A. Jesus e o Império. São Paulo: Paulus, 2004.

Referências

BÍBLIA SAGRADA. Tradução Almeida Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

ARMSTRONG, Karen. A Bíblia: Uma Biografia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

WRIGHT, N. T. Jesus and the Victory of God. Minneapolis: Fortress Press, 1996.






quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Terra é Redonda, é tão natural que chega ser ridículo alguém duvidar do óbvio ?

Este análise apresenta a evolução do conhecimento sobre a forma da Terra, desde os primeiros filósofos da Grécia Antiga até as comprovações científicas modernas. Explora as evidências empíricas iniciais, os cálculos de Eratóstenes, as observações do século XVIII e os avanços tecnológicos do século XX e XXI que consolidaram a noção de que a Terra é esférica. O estudo evidencia como a ciência transformou hipóteses filosóficas em conhecimento sólido.







Introdução

A compreensão da forma da Terra sempre despertou interesse humano. Inicialmente, a ideia de que a Terra poderia ser redonda surgiu na filosofia grega, baseada em raciocínios lógicos e observações do céu. Ao longo do tempo, evidências empíricas, cálculos matemáticos e fotografias obtidas do espaço confirmaram que a Terra é, de fato, esférica. Este artigo tem como objetivo apresentar a trajetória histórica dessa descoberta, destacando os principais contribuintes e métodos científicos que consolidaram esse conhecimento.


Origens do Conceito de Terra Redonda

A primeira hipótese sobre a Terra como esfera surgiu entre filósofos da Grécia Antiga. Pitágoras sugeriu a esfericidade da Terra com base em argumentos filosóficos e matemáticos, enquanto Aristóteles apresentou evidências observacionais, como a sombra curva da Terra projetada sobre a Lua durante eclipses e a mudança das constelações visíveis ao viajar para diferentes latitudes (ARISTÓTELES, 1984).


Primeiras Evidências Científicas

O matemático Eratóstenes realizou o primeiro cálculo conhecido da circunferência da Terra, comparando a sombra do Sol em duas cidades diferentes e aplicando geometria simples (BOWEN, 2009). Essa experiência combinou observação empírica e raciocínio matemático, mostrando que a Terra não era plana, mas sim esférica.


Consolidação no Século XVIII

No século XVIII, expedições científicas e medições geodésicas comprovaram a esfericidade do planeta. Cientistas como Pierre Bouguer e Charles Marie de La Condamine participaram de medições precisas que consolidaram mapas e melhoraram a compreensão da Terra (KENNEDY, 2018). Essas observações confirmaram a validade das ideias antigas com métodos científicos rigorosos.


Séculos XX e XXI: Provas Modernas

O avanço tecnológico permitiu comprovar a forma da Terra de maneira irrefutável:

Fotografias do espaço: missões Apollo e satélites capturaram imagens que mostram claramente a Terra esférica (NASA, 2026).

Satélites de comunicação e GPS: sistemas de navegação dependem de cálculos baseados na Terra como esfera.

Observações astronômicas e físicas: fenômenos gravitacionais e órbitas planetárias reforçam a forma esférica do planeta.



Onde está na Bíblia que a Terra é plana?

A Bíblia não afirma explicitamente que a Terra é plana. O que existem são versículos de caráter poético, simbólico ou cultural, que algumas pessoas interpretam de forma literal, fora do contexto histórico e literário.

Textos mais citados por defensores da Terra plana

Isaías 40:22

“Ele é o que está assentado sobre o círculo da Terra…”

👉 A palavra hebraica chûg significa círculo, arco ou esfera, não “disco plano”.

Apocalipse 7:1

“Quatro anjos… nos quatro cantos da Terra”

👉 Expressão figurada, assim como ainda se usa “quatro cantos do mundo”, sem sentido literal.

Salmos 104:5

“Fundaste a Terra… para que não vacile”

👉 Linguagem poética, não uma descrição científica da forma do planeta.

Daniel 4:10–11

“Uma árvore… visível até os confins da Terra”

👉 Trata-se de uma visão simbólica, não de geografia física.

A Bíblia não ensina que a Terra é plana. Ela não foi escrita como um livro de ciência, mas utiliza linguagem simbólica, cultural e poética. A ideia de Terra plana surge de uma leitura literal de metáforas, e não do conteúdo bíblico em si.





A Bíblia e a Interpretação da Forma da Terra

A Bíblia é frequentemente citada em debates contemporâneos sobre a forma da Terra, especialmente por interpretações que defendem a ideia de um planeta plano. Entretanto, uma análise hermenêutica e contextual dos textos bíblicos demonstra que não há, nas Escrituras, qualquer afirmação explícita de que a Terra seja plana.

 Os trechos utilizados nesse tipo de argumentação pertencem, em sua maioria, a gêneros literários poéticos, proféticos ou apocalípticos, nos quais o uso de metáforas, símbolos e figuras de linguagem é predominante.

Passagens como Isaías 40:22, que menciona o “círculo da Terra”, utilizam o termo hebraico chûg, cujo significado está associado a curvatura, abrangência ou forma circular, não a uma descrição geométrica literal de um disco plano.

 De modo semelhante, a expressão “quatro cantos da Terra”, presente em Apocalipse 7:1, constitui uma construção idiomática comum em diversas culturas antigas, indicando totalidade ou extensão global, e não uma concepção física do planeta.

Outros textos frequentemente citados, como Salmos 104:5, empregam linguagem poética para exaltar a estabilidade da criação, sem qualquer intenção de definir cientificamente a forma da Terra.

 Da mesma forma, as visões descritas em Daniel 4 possuem caráter simbólico e alegórico, típico da literatura profética, não devendo ser interpretadas como descrições geográficas ou cosmológicas.

Dessa forma, a leitura literal desses trechos, desconsiderando o contexto histórico, cultural e literário, conduz a interpretações equivocadas.

 A Bíblia, enquanto texto religioso, não se propõe a fornecer explicações científicas, mas transmitir ensinamentos teológicos, morais e espirituais. Assim, a associação entre o texto bíblico e a ideia de uma Terra plana não encontra sustentação textual nem hermenêutica adequada, resultando de uma interpretação inadequada de metáforas e símbolos presentes nas Escrituras.


Conclusão

Ao longo da história, a compreensão da Terra evoluiu de uma hipótese filosófica para uma certeza científica. 

As contribuições de filósofos, matemáticos e cientistas ao longo dos séculos mostraram que o conhecimento científico é construído gradualmente, através de observações, experimentos e cálculos. 

Hoje, graças à tecnologia espacial, a esfericidade da Terra é comprovada de maneira indiscutível, consolidando um conhecimento que conecta filosofia, matemática e ciência moderna.


Referências Bibliográficas

ARISTÓTELES. Sobre o Céu. Tradução de Mário da Gama Kury. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

BOWEN, A. Eratosthenes and the Size of the Earth. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.

BARR, J. Biblical Words for Time. London: SCM Press, 1962.

CARSON, D. A.; MOO, D. J. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2010.

KITCHEN, K. A. On the Reliability of the Old Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 2003.

LONGMAN III, T.; DILLARD, R. B. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2006.

SEELY, P. H. “The Firmament and the Water Above”. Westminster Theological Journal, v. 53, n. 2, p. 227–240, 1991.

WRIGHT, N. T. A Bíblia e a Autoridade de Deus. São Paulo: Ultimato, 2011.

BRIGHT, J. The Planets and Their Names: Origins and Evolution. Oxford: Oxford University Press, 2015.

KENNEDY, D. History of Astronomy: From Ancient Greece to Modern Times. New York: Springer, 2018.

NASA. Earth from Space. Disponível em: https://www.nasa.gov/. Acesso em: 7 jan. 2026.



Anexo